A ascensão de Marina


| Tempo de leitura: 3 min
A morte do pernambucano Eduardo Campos causou uma profunda mudança nos rumos da campanha eleitoral deste ano. Enquanto o então candidato do PSB fazia campanha para a presidência da República, não conseguiu ultrapassar os 7 pontos nas várias pesquisas de intenção de voto. Com sua morte, Marina Silva assumiu a cabeça de chapa, colocou Beto Albuquerque como vice e, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira, agora já aparece empatada com a então líder Dilma Rousseff (PT) no primeiro turno. Em simulação para o segundo turno, o instituto já aponta vitória da ex-senadora com uma vantagem de dez pontos percentuais sobre a atual presidente que tenta a reeleição.
 
Logo após a morte de Eduardo Campos já dizíamos aqui que apenas as pesquisas poderiam mensurar o impacto da tragédia que atingiu o político pernambucano sobre a campanha eleitoral. E ele veio: Marina, que no último pleito para a presidência teve cerca de 20 milhões de votos, hoje amplia este número e já aparece como favorita, para desespero da campanha de Aécio Neves (PSDB), que acreditava numa polarização com Dilma. Ainda de acordo com o Datafolha, Aécio caiu para terceiro e já perdeu cinco pontos percentuais em relação à pesquisa anterior.
 
Embora muitos especialistas tenham dito, diante da primeira pesquisa realizada após a morte de Campos (do Ibope, uma semana depois), que os votos em Marina estavam sendo “emocionais”, com a Datafolha consolidando sua posição de empate com Dilma Rousseff no primeiro turno e uma possível vitória no segundo deixa claro que a candidata do PSB está capitalizando toda a insatisfação popular manifestada nas ruas um ano atrás. Ao manter o discurso e o programa de governo já traçado pelo PSB, Marina adota a tática que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva pela primeira vez, em 2002. Amenizou a radicalização em alguns pontos, passou a defender o que repudiava e se apresenta como a mudança na política.
 
Hoje, Marina torna-se a terceira via que Eduardo Campos tentava ser. Embora tenha suas raízes no PT (inclusive foi ministra de Lula), a candidata consegue convencer os eleitores de que pode dar um jeito na economia e tem condições de fazer o País andar. E tudo isso em quatro anos, já que garante não ter intenção de tentar a reeleição caso seja eleita. Marina (e não o PSB) é o fato novo da campanha que coloca Dilma e Aécio numa só trincheira para tentar seduzir o eleitorado que ainda não declarou voto ou que pretende votar em branco ou anular o sufrágio (perto de 15%). 
 
Com isso, já nos próximos dias a campanha deverá ganhar uma nova dinâmica, principalmente na propaganda gratuita no rádio e na tevê. Diante dos números das pesquisas, Marina hoje é a candidata a ser batida. Por isso, tanto o PT quanto o PSDB devem mirar sua artilharia pesada em quem tem todas as chances de vencer as eleições. O que se espera é que a disputa não resvale para a baixaria causada pelo desespero, o que não será salutar nem para os candidatos e nem para os eleitores brasileiros.
 
email opiniao@comerciodafranca.com.br
 
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários