Trânsito em Franca: um tormento


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Confusão entre motoristas de carros e motos é comum no cruzamento das avenidas na região do Distrito Industrial e Bairro São Joaquim
Confusão entre motoristas de carros e motos é comum no cruzamento das avenidas na região do Distrito Industrial e Bairro São Joaquim
Com uma frota de mais de 220 mil veículos, falta de planejamento e imprudência de sobra dos motoristas, Franca tem experiências traumáticas no trânsito. A cidade com seus quase 340 mil habitantes enfrenta gargalos nas ruas e avenidas. O Comércio saiu às ruas para flagrar os pontos mais problemáticos na cidade. Quem mora próximo ou depende de vias como as rotatórias de acesso ao Distrito Industrial/Bairro São Joaquim e entre as avenidas Adhemar de Barros e Brasil, o viaduto da Vila São Sebastião, “ponte” do Leporace e o viaduto Dona Quita, na avenida Major Nicácio, sofre. Estresse e riscos são companhias frequentes de quem está no trânsito francano. 
 
A Câmara Municipal, aliás, quer explicações sobre mudanças executadas recentemente pela Prefeitura no trânsito da cidade. Como a instalação da rotatória da avenida São Vicente, recém-construída, mas já palco de acidentes.
 
O representante de vendas Fabrício Calandria, 36, se acidentou no local. No dia 28 de junho, quando voltava de um jantar na casa da namorada, na Vila Hípica, em Franca, sofreu um acidente que mudará sua vida e toda a sua rotina por, nas previsões mais otimistas, pelo menos um ano. Descendo de moto pela avenida São Vicente, em direção à Vila Santa Rita, perto de 22 horas, Calandria se deparou, segundo ele, com uma obra até então não sinalizada feita pela Prefeitura de Franca dias antes, próxima ao Jardim Samello Woods.
 
O representante, que agora amarga um repouso forçado, sofreu graves ferimentos na perna direita e não tem a menor ideia, segundo a equipe médica que cuida dele, de quando voltará a andar. Se voltar.
 
Motociclista acostumado a percorrer até cem quilômetros por dia pelas ruas de Franca, não foi a única vítima. Um olhar mais atento pelo asfalto indica que muitos motoristas tiveram que frear bruscamente para não ter destino semelhante ao de Fabrício, ao se deparar com uma semi-rotatória construída em declive e num trecho de curva (leia mais ao lado).
 
As intervenções da Prefeitura no trânsito de Franca, por meio da Secretaria Municipal de Segurança e Cidadania, geram reclamações e dúvidas em relação à necessidade e eficácia das medidas.
 
Em medida inversa à proliferação de novos semáforos e rotatórias, nenhuma campanha educacional de trânsito é realizada de forma efetiva, como maneira de chamar a atenção de motoristas, pedestres e ciclistas tanto para a obediência da legislação quanto para uma convivência harmoniosa entre eles.
 
Além da obra na avenida São Vicente, considerada equivocada por um estudioso do trânsito, há muitas outras, como as lombo-faixas colocadas em algumas vias da cidade. Sem campanha que antecedesse sua colocação, sem material informativo, seja um panfleto seja uma placa orientativa, esses dispositivos são ignorados por motoristas que só os percebem quando os amortecedores dos carros são espremidos em virtude da alta velocidade.
 
Exemplo
Em várias cidades, o dinheiro gerado pela aplicação de multas, que de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, só poderia ser usado nas ações de fiscalização, engenharia e educação, incluindo campanhas de conscientização, mudou a realidade e o jeito como se relacionam motoristas e pedestres.
 
Em Londrina (PR), após uma campanha que se estendeu por mais de cinco anos, atravessar as ruas do Centro da cidade de 580 mil moradores tornou-se uma tarefa bem mais simples e segura. Com exceção de um outro desavisado, praticamente todo e qualquer motorista para antes da faixa de pedestre para que as pessoas passem em segurança.
 
Em Franca, embora o descumprimento e o desconhecimento das leis de trânsito não sejam premissas locais, é fácil perceber onde sobra abuso e falta o poder público. Exemplos estão na avenida Ismael Alonso y Alonso, nas proximidades do Fórum e no Viaduto Dona Quita, ou no cruzamento com a avenida Champagnat onde atravessar a pé é uma tarefa quase impossível a qualquer hora do dia. Neste último caso, em qualquer das quatro esquinas, não há uma única faixa de pedestres.
 
Para o tenente Marcel da Silva Pereira, que comanda o Pelotão de Trânsito da Polícia Militar em Franca, as estatísticas são claras e não deixam margem para dúvidas com relação aos acidentes ocorridos na cidade.
 
Segundo ele, citando relatórios da OMS (Organização Mundial de Saúde), perto de 90% das ocorrências de trânsito são causados por falha humana. Outros 8% são derivados de problemas estruturais nas vias e os 2% restantes decorrem de problemas mecânicos. “Posso dizer que quase todo acidente ocorre em função de desatenção do motorista. Ou está correndo, ou falando ao celular, desatento”, disse o policial.
 
Colaborou Thamara Pimenta

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