‘Não estou satisfeito com o que está aí’, comenta Adérmis


| Tempo de leitura: 12 min
O candidato a deputado federal Adérmis Marini (PSDB) abusou da máxima que diz “a melhor defesa é o ataque”. Para fugir de responder sobre
O candidato a deputado federal Adérmis Marini (PSDB) abusou da máxima que diz “a melhor defesa é o ataque”. Para fugir de responder sobre
O candidato a deputado federal Adérmis Marini (PSDB) abusou da máxima que diz “a melhor defesa é o ataque”. Para fugir de responder sobre a falta de propostas de sua campanha, resolveu atacar o Comércio da Franca que noticiou sua ausência na votação para abertura de uma comissão processante contra o prefeito Alexandre Ferreira. Apenas no último bloco, se posicionou sobre alguns temas em debate. 
 
Por que o eleitor de Franca deve escolher o senhor para representá-lo na Câmara dos Deputados?
Sempre tive uma vida comunitária. Meu pai e minha mãe participavam do grupo de casais da Igreja São Benedito e lá aprendi a ter sempre essa preocupação com a comunidade. Fui líder estudantil, participei de diversos movimentos na cidade. Sou formado em Ciências Econômicas e pós graduado em Administração de Empresas e continuo estudando. Hoje estou inscrito, sendo o meu currículo aprovado, nos curso de pós-graduação em administração pública pela Universidade Federal de São Carlos. Gosto da vida pública. Em meu primeiro ano como vereador me destaquei bastante, fui líder do governo, hoje sou líder do PSDB, fui presidente da Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara, fiz diversos projetos de lei e minha atuação, os institutos falam isso, ganhou destaque. Eu recebi o destaque como um dos vereadores mais atuantes da Câmara. E o que a gente vê na vida pública? É gratificante você sair na rua e ver que um projeto, uma indicação que você fez atinge a população. Você começa a sentir que com seu trabalho político você é um agente transformador da sociedade. Você vê que atendendo um número maior de pessoas isso te gratifica. Como vereador você atinge um determinado número de pessoas, mas como deputado eu posso fazer muito mais. Por isso me candidatei a deputado federal. Não estou satisfeito com o que está aí hoje, meu representante como deputado federal, por isso coloco o meu nome. Não quero dizer que sou melhor que ninguém. Eu sou um político com um mandato muito atuante. Quero trabalhar por Franca e região. Respeito meus concorrentes, mas aquele que está insatisfeito deve-se colocar à disposição e apresentar seu nome.
 
No final do ano passado, o senhor renunciou ao cargo de líder do prefeito na Câmara após o prefeito Alexandre Ferreira ter descumprido um acordo feito com sua base aliada e comprado por decreto um prédio no valor de R$ 3,3 milhões para ser usado como depósito de merenda. À época, o senhor disse que o prefeito desrespeitou a Câmara e que era preciso ter dignidade. Qual lição o senhor tirou deste episódio?
Sou eternamente grato, logo no primeiro ano de mandato você assumir o cargo de líder de governo, o Alexandre foi muito corajoso. Eu assumi como líder de governo e me dediquei muito. Tivemos 69 projetos do Executivo, acho que o líder de governo é o cargo mais estratégico da Câmara, o mais importante é o presidente, mas o mais estratégico é o líder de governo. O líder de governo é que articula os projetos do Executivo e se não forem aprovados, os projetos do Executivo, você não tem assinatura de convênios. Dos 69 projetos do Executivo, apenas um não foi aprovado, que foi referente à guarda municipal. O nosso mandato, tanto de liderança, presidência da Câmara e comissões é de um ano, e lideranças têm de ser renovados anualmente. Dezembro do ano passado, na primeira reunião que eu tive com o prefeito Alexandre Ferreira, eu falei para ele que não pretendia, já estava vislumbramdo a minha candidatura a deputado federal, que eu não permaneceria mais como líder. O Alexandre demoraou para nomear o líder, que só efetivou acho que em fevereiro, que entrou o Marco Garcia, então foi algo que foi dialogado e conversado...
 
Sua renúncia ao cargo de líder não foi consensual. Você disse em letras garrafais “Fui desrespeitado”.
Vou responder isso agora. Eu me senti, realmente, achei que no momento deveríamos ter sido avisados. Foi uma situação... Acho que amadurecemos muito, teve episódios, durante esse tempo que fui liderança do prefeito, isso mostra um posicionamento do nosso partido, mostra que a gente tem, eventualmente, pontos de vista diferentes e isso tem que ser respeitado. 
 
Qual a avaliação que o senhor faz do mandato do Alexandre Ferreira. E caso ele volte a se candidatar nas próximas eleições, o senhor volta a apoiá-lo?
Acredito que o tempo do Alexandre é quatro anos, não estamos nem na metade desse tempo. Acho que houve pontos positivos, muitos pontos positivos, por exemplo o trabalho que ele tem feito em relação às creches, o esforço dele para resolver o problema da saúde, porque houve uma mudança recente que acho que foi satisfatória, acho que houve uma melhora muito grande, o esforço em aumentar o número de creches. Agora, pontualmente temos pontos de vista diferentes, eu acredito que o Alexandre Ferreira é uma pessoa muito inteligente, determinada, acho que ele evoluiu muito, de deixar de ser um gestor para ficar um pouco mais político, ter um jogo de cintura melhor, acho que isso é positivo; a gente sente isso na Câmara Municipal, até mesmo com a liderança do Marco Garcia que eu vejo como muito positiva. Eu espero, como cidadão francano e militante do PSDB, que ele tenha um resultado satisfatório e que seja candidato à reeleição. Se ele for candidato, naturalmente ele terá o apoio nosso, do partido, porque até o nosso estatuto do partido ele tem prioridade. 
 
No início deste mês, a CEI (Comissão Especial de Inquérito) aberta pela Câmara Municipal para apurar as mortes que ocorreram na rede pública de saúde em Franca, concluiu seus trabalhos e, em seu relatório final, narra diversos problemas enfrentados, como a falta de leitos da UTI, a falta de profissionais, a espera para consultas e internação, entre outros. Além disso, comprova a existência de um esquema de pagamento de supersalários a médicos dos prontos-socorros. Como o senhor avalia a área de saúde em Franca?
O problema da saúde é nacional, Franca tem problemas pontuais, existem os problemas, a Câmara deu uma resposta, fez a comissão, apontou as irregularidades e acredito que o executivo tem se movimentado. Fui no pronto-socorro municipal conversar com as pessoas que tinham me ligado para fazer algum tipo de questionamento e reclamação e depois fui verificar como estava funcionando. Houve uma melhora considerável no atendimento com essa movimentação, com a implantação de organizações sociais. Mas está muito distante da necessidade, porque o problema é nacional, se a gente ficar discutindo apenas o problema local, nós estamos enxugando gelo. Por isso eu quero ser deputado federal.
 
Na terça, a Câmara votou o pedido de abertura de uma comissão que poderia levar à cassação do prefeito Alexandre Ferreira por conta destes problemas. Ao contrário dos demais vereadores, o senhor não estava no plenário. O que o senhor tem a dizer a respeito?
Eu não estava no plenário...O que aconteceu foi o seguinte: eu sabia que ia ser votado esse requerimento pela manhã. Fui tomar um café no City Posto, saí de lá encontrei a Renata, que me posicionou um problema lá da Vila Formosa, falei que me mandasse um e-mail porque estava atrasado para a Câmara. Cheguei na Câmara às 9 horas da manhã, Antônio Carlos, o Bolachinha, presidente do Conselho Municipal de Segurança veio conversar comigo. Nisso vi o Claudinei da Rocha andando para lá e para cá e imaginei que não tinha começado a sessão. Assim que eu falei para o Antônio Carlos, “eu preciso ir lá, para confirmar presença e vai ter uma votação importante”, subi eu perguntei para o Claudinei se já tinha começado a sessão, aí ele falou “já começou e já foi votado”. Você não me perguntou, mas eu vou te falar minha opinião, eu não ia votar a favor. O Cremesp está investigando, a polícia está investigando, o MP está investigando, tem sindicância da prefeitura, nenhum com laudo conclusivo, eu achava que era precipitado votar a comissão. 
 
Se você for eleito deputado federal e tiver um projeto importante sendo votado, qual garantia você dá para o eleitor de que estará lá votando e não vai estar tomando café ou conversando no corredor?
Eu me abstive de uma única votação e estou colocando minha opinião aqui. Todas eu vou estar presente. Eu me dedico. Eu não preciso da vida pública, entrei porque gosto. Acho que a política é um agente de transformação, não estou na política por benefício próprio, não estou na política para atender um determinado grupo, eu estou para atender minha comunidade. 
 
Que opinião o senhor tem do trabalho da Câmara de Franca?
O legislativo é um reflexo da sociedade. A maioria dos vereadores são atuantes e trabalham para a sociedade. São pessoas sérias, que leem os projetos. Muitas vezes falam que o pessoal vai para lá e não sabe o que está sendo votado. A maioria, sim, sabe o que está sendo votado, são vereadores que a gente até discrimina, por alguma parte da população: “Ah, ele fala mal”, mas são pessoas comprometidas com sua comunidade, levantam problemas da cidade por intermédio de indicação estão trabalhando. Eu faço um balanço positivo. É o ideal? Acho que não. 
  
Adérmis, a legalização do aborto é um tema sempre em debate. Qual a opinião do senhor a respeito e se um projeto propondo a descriminalização da prática fosse votado hoje, qual seria sua posição?
 Contra, como cristão sou contra o aborto e acho que a legislação, da forma que ela está, ela atende. O que precisamos fazer, e eu como deputado federal vou defender isso, precisamos ter mais programas de conscientização, principalmente para a gravidez precoce. 

Candidato, e sobre o sistema de cotas, como o senhor vê essa questão?
Contra. Acho que temos que criar mais oportunidades e estou vendo que da forma como foi colocado isso, de pessoas que se declaram negras para entrar em um concurso público, não houve critérios. Acho que temos que fazer investimentos e dar oportunidades para todo mundo, mas criar esse sistema de cotas, eu não sou favorável.
 
No Brasil há discussão sobre a criação de uma lei específica que garanta aos casais homossexuais o direito de não serem descriminados no processo de adoção de crianças. Qual sua opinião?
Sou contra uma criança ficar em um orfanato sem amor e carinho, se ela vai receber amor e carinho de pessoas do mesmo sexo, para mim não há problema nenhum.
 
Outra discussão é a respeito da criminalização da homofobia. A discriminação já é crime, mas a discussão é criar uma lei específica sobre essa prática. Como o senhor vê?
Acho que temos que respeitar, agora, a partir do momento que você vai criando uma série de leis..., sou favorável ao casamento de pessoas do mesmo sexo, acho que temos que respeitar e nós temos que quebrar essas barreiras existentes.
 
Qual a opinião do senhor sobre a legalização de todas as drogas,  especialmente a da maconha?
Contra. O que ocorre hoje é uma descriminalização, não existe uma imputabilidade penal. Se o cidadão é pego com um cigarro de maconha ele recebe lá uma advertência e acaba não tendo uma punição. Temos a experiência no Uruguai (de legalização) e podemos aguardar o resultado disso, mas eu não sou favorável. Ficaria incomodado de chegar em um local e tem uma pessoa fumando maconha ou fazendo o uso de drogas em um local coletivo. 
 
Na área da educação uma das propostas do senhor é lutar pela qualificação, pela valorização do professor. Nesse sentido, quais são os seus projetos específicos para melhorar o rendimento dos docentes?
Esta é uma luta constante que temos de fazer, e destinar mais verbas, porque o ensino fundamental é responsabilidade do município e o secundário já é do Estado, então precisamos defender a destinação destes recursos para os municípios e para o Estado, de forma que eles façam a qualificação e remunerem melhor os seus professores. Acho que a máquina pública está muito inchada, e eu vou te responder uma pergunta: de onde vem os recursos para você investir em educação, em escolas em geral? Enfim, a máquina pública cresceu, o custo da máquina pública cresceu em média 400% nos últimos dez anos, hoje nós temos uma máquina pública federal inchada, cara e que não produz resultados e você acaba não tendo dinheiro para a educação, para a saúde, para a segurança e parados em um governo federal inepto para resolver esses problemas.
 
(pergunta do internauta Guilherme Kalel) Qual projeto o senhor deve desenvolver na Câmara Federal para que possa colocar a inclusão do deficiente na sociedade como um fato concreto?
O Guilherme é deficiente visual, ele tem um projeto “Olhar sem fronteiras” que eu vou fazer o programa para apresentar na prefeitura. Como vereador fiz a inclusão da pessoa com Síndrome de Down, criamos um banco de dados e levamos no Sindfranca para que as pessoas com Síndrome de Down e autistas pudessem ter qualificação e entrar no mercado de trabalho, então a defesa é constante, não só a questão da mobilidade urbana que nós temos que defender, vamos lutar principalmente pela inclusão social, educacional, cultural, esporte e lazer das pessoas com deficiência.
 
Candidato, como vereador o senhor foi criador de leis voltadas para o sistema calçadista, neste ano, o Sindicato da Indústrias de Calçados de Franca já afirmou que deve encerrar o ano com 5.000 vagas de empregos a menos. Quais são suas propostas para o setor?
O José Carlos Brigagão fez três ofícios, um para o (José) Serra, um para o Aécio (Neves) e outro para o Geraldo Alckmin. Eu vou entregar hoje para o Serra. O Brasil vem sofrendo um processo de desindustrialização, e o setor calçadista, o que está ocorrendo, o couro está sendo exportado para a China, você tem muito incentivo para exportar, e não está tendo couro. Vou defender o setor calçadista, sou autor da lei do arranjo produtivo do setor calçadista, chama-se APL, que visa você trazer recursos, trazer dinheiro e ficar melhor a mão de obra, e defendo a instalação, em Franca, de uma incubadora de empresas tecnológica e depois de um parque tecnológico. Temos que trabalhar inovação, trabalhar tecnologia e depois ganhar competitividade.
 
O senhor disse que não se sente representado em nível federal. Qual a avaliação do senhor sobre os deputados de Franca, estaduais e federal? 
Respeito o Ubiali, gosto dele como pessoa, mas não gosto da atuação dele. Acredito que o deputado tem que representar sua região e o Ubiali, hoje, ele faz alguma coisa pela região de Franca, mas trabalha muito em função da Apae, virou um representante da Apae, torço até pela reeleição dele, pois ele defende uma causa que eu acho que é importante para todo o Brasil. Nós temos dois deputados estaduais, Roberto Engler que é meu deputado estadual, vou votar, apoio o deputado Roberto Engler, tem uma folha de serviços prestados à cidade de Franca, gosto do trabalho dele, e respeito muito o Gilson de Souza, acho que é um deputado esforçado, tem buscado recursos para Franca, e essa é minha opinião sobre os deputados que estão aí. 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários