O candidato a governador Laércio Benko, do PHS, foi o sabatinado pelo GCN na sexta-feira, 22. Benko, que é advogado e vereador em São Paulo, criticou duramente a administração do PSDB e pediu renovação. Autor da CPI da Sabesp aberta pela Câmara Municipal da capital, acusou o atual governador de ser o culpado pela crise hidríca. Disse ainda que manter o PSDB no poder é um retrocesso. O candidato prometeu rever o sistema do 190 no Estado de São Paulo e afirmou que irá implantar a tarifa zero no transporte público para os estudantes do Estado.
Por que o senhor quer ser governador do Estado de São Paulo?
Eu quero ser governador do Estado de São Paulo porque estou cansado da velha política e entre os candidatos que estão colocados eu não me identifico com nenhum representando a nova política. PT e PSDB já têm o seu prazo de validade vencido e as outras opções representam um retrocesso e não um avanço político. Nós precisamos colocar São Paulo no século 21 e a nossa candidatura tem esse objetivo.
O senhor nunca exerceu nenhum cargo dentro da administração pública, nem tem um grande histórico político, tendo participado de apenas uma eleição, para a Câmara de São Paulo. O senhor não acha que essa falta de experiência política pode atrapalhar sua candidatura ao Governo do Estado?
Participo de política desde os meus 13 anos, como representante escolar, presidente de diretório estudantil. Fui uma das pessoas que ajudaram a construir o Partido Verde no Estado, sempre buscando uma nova política para acabar com essa polarização entre o PT e o PSDB. E essa experiência que muitos dizem que eu não tenho, eu não quero ter. Não quero ter a experiência do Geraldo Alckmin, que deixou o Estado como ele está, com a segurança pública em pandarecos, com o transporte em situação calamitosa. Ou seja, é um Estado que está andando para trás em vez de andar para a frente. Essa experiência eu não quero ter. A experiência petista eu também estou muito longe de querer. A experiência do mensalão, das coisas ruins que temos visto nas notícias. Tenho uma experiência administrativa e profissional e eu vou trazer gente de uma sociedade viva para a política, para governar São Paulo para os paulistas. Nós temos contatos, pessoas dos mais diversos segmentos e partidos, que vão ajudar a governar o Estado de uma forma inovadora. De uma forma a pensar na população paulista e não dessa maneira que nossos adversários têm, do poder pelo poder, apenas preocupados em ficar quatro anos no poder. Isso eu não quero. Eu quero a experiência de trabalhar por quatro anos e deixar um legado positivo para o povo do Estado de São Paulo.
O senhor já disse que pretende implantar programas alternativos na rede de saúde. Gostaria que o senhor falasse sobre esses programas.
Das 25 secretarias do Estado de São Paulo existentes hoje seriam reduzidas para apenas quatro: Gestão Pública, Segurança Pública, Qualidade de Vida e Desenvolvimento Sustentável. A secretaria de Saúde ficaria vinculada à de Qualidade de Vida. Nós vamos prevenir. Hoje, 15% dos recursos vão para a saúde, mas são usados em compras de equipamentos desnecessários e não se investe, por exemplo, na prevenção. Precisamos tratar a saúde com inteligência, investindo mais em saneamento básico, medicina preventiva, com agentes públicos indo até as casas das pessoas. Vou introduzir a fitoterapia, tratamento através de ervas medicinais na rede pública de saúde, que é muito mais barato do que ficar comprando medicamentos caríssimos. Vamos investir nas terapias integrativas como a massoterapia e a cromoterapia na rede, que além de gerar trabalho para um grande número de profissionais, gera calor humano e prevenção à saúde. Vamos usar tudo aquilo que é novo e trazer o Estado de São Paulo para o século 21 e não ficar nessa coisa ultrapassada e arcaica que temos visto.
O senhor também disse que pretende diminuir o tempo de espera por consultas e exames na rede pública de saúde. Como o senhor pretende fazer isso?
Com inteligência, trabalhando com força de vontade, enxugando a máquina administrativa, investindo em softwares e em sistemas. Hoje a Secretaria de Saúde, como todas as outras secretarias, é mega-cabides de emprego. Vamos acabar com isso. Diminuindo de 25 para quatro secretarias, você imagine a quantidade de assessores, de motoristas, de secretárias que não servem de nada para a população, que só servem para pagamento político. Imagine quanto não vamos economizar com isso. Então vão sobrar recursos para investir em sistema. Mas principalmente vamos aumentar investimentos no programa de saúde da família levando agentes de saúde às casas das pessoas.
Uma das propostas do senhor é acabar com a progressão continuada. Qual modelo pretende implementar nas escolas do Estado?
Essa é uma das questões que alavanca a nossa candidatura e mostra o porquê da nossa candidatura. O PT, o PSDB e o PMDB não têm moral para falar sobre o fim da progressão continuada, porque onde o PT governa tem progressão continuada, onde o PSDB governa tem progressão continuada, onde o PMDB do Skaf, do Sarney, dessa turma toda, governa tem progressão continuada e isso gera um Apartheid social. O filho do pobre tem uma educação diferente do filho daquele que tem condições de estudar em escolas particular. Não existe uma escola particular sequer que tenha progressão continuada. Vamos voltar ao sistema antigo, vamos devolver ao professor aquilo que dele foi retirado, a sua autoridade. O professor, hoje, na maioria das vezes, foi transformado em um bedel de sala de aula na rede pública, porque ele não tem o poder de reprovar o aluno, não tem o poder de reter o aluno. Defendemos o sistema de avaliações bimestrais, se o aluno não tiver média, ele fica de recuperação, se não passar na recuperação, fica retido, porque se não, nós não temos o exemplo. Temos que saber que nossas crianças e adolescentes têm hormônios para todos os lados, se a gente não forçá-los a ter disciplina, eles vão se desviar do caminho e é isso o que tem acontecido. Temos alunos terminando o ensino fundamental hoje, sem saber interpretar um texto, temos alunos saindo do ensino médio, sem saber resolver uma equação do primeiro grau. Isso é um Apartheid social, esse aluno não consegue concorrer no mercado com condições de igualdade com aquele que sai de uma escola particular. Apesar de eu defender melhores salários para os professores, melhores estruturas nas escolas, mas o nosso primeiro passo vai ser acabar com a famigerada progressão continuada, que é, nada mais, que a aprovação automática, o aluno passar de ano sem ter nota.
No ano passado centenas de manifestantes ocuparam as ruas do país e do Estado de São Paulo, brigando pela redução do preço da passagem de ônibus. Qual a proposta do senhor para reduzir valor atual da tarifa?
No programa de governo do Eduardo (sic) e Marina,que eu defendo, e que nós vamos ajudar a aplicar aqui em São Paulo também, vai ser tarifa zero para todos os alunos. Todo estudante vai ter tarifa zero. Vamos subsidiar 100% do transporte de todos os estudantes. Inclusive aqui no Estado de São Paulo, onde temos grandes polos universitários, com cidades no entorno de onde esses alunos se deslocam, nós vamos subsidiar, também esse transporte para os alunos. Agora temos que melhorar e avaliar a situação de cada cidade, cada região do Estado que tem uma realidade distinta. Por exemplo, na Capital, o problema é um, no interior, o problema é outro, dependendo do tamanho da cidade, mas vamos investir muito em transporte sobre trilhos e principalmente na qualificação e melhorias no transporte púbico. Onde a prefeitura não estiver agindo adequadamente, porque o transporte é uma questão de competência municipal, eu,como governador, vou interferir e,se for o caso, intervir na prefeitura que não estiver tendo um transporte de qualidade, porque transporte é um direito básico do cidadão e em um governo forte como será o meu, e não fraco como o do Geraldo Alckimin, vamos investir e intervir onde for necessário, sempre buscando o bem estar da população
Candidato, segundo dados do departamento de trânsito do Estado, em 2011, 15,8 mil pessoas morreram vítimas de acidentes. Esse número é quase o triplo de homicídios registrados no ano passado. Quais são suas propostas para diminuir a violência no transito?
Investir no transporte público, na qualidade de vida. Os governos petista e tucano têm a imagem de que para você ser alguém, precisa ter um carro. Você vai na Europa, onde a qualidade de vida é responsável, você tem que ter um transporte público de qualidade. É isso que nós do PHS defendemos, “O ser humano pelo ser, não pelo ter”, você não precisa ter um carro para ser alguém na vida, você precisa de ter possibilidade de se transportar com qualidade e isso nós vamos fazer.
Agora vamos falar de segurança. O senhor tem falado muito nessa questão que o senhor chama de transtorno bipolar da Polícia Militar. Qual seria a postura ideal, o ponto de equilíbrio que o senhor considera adequada para a PM?
Em primeiro lugar, vamos usar como exemplo as manifestações. Ou a polícia sai baixando a borracha em todo mundo ou a polícia deixa todo mundo quebrar tudo. Temos que ter, por exemplo, uma polícia séria. No meu jeito de entender, ela tem que barrar e deter qualquer pessoa que está com a cara coberta. Sou radicalmente contra o manifestante ir para rua com a cara coberta, boa coisa ele não quer fazer. Isso é polícia, isso é inteligência, porque 99% dos manifestantes que vão para as ruas sem esconder seu rosto, estão legitimamente fazendo uma manifestação. Agora o 1% que vai para lá com o rosto coberto está mal intencionado. Na minha época, de presidente de diretório acadêmico, pintei minha cara de verde e amarelo e fui para as ruas pedir impeachment do Collor. Era um momento, já de redemocratização, mas enfrentávamos alguns problemas: muitos colegas meus, de câmara municipal, saíram para enfrentar a ditadura militar de cara limpa, de cara aberta, sem cobrir a cara, agora por que em um momento que nós temos uma estabilidade democrática, as pessoas querem cobrir a cara para ir para a rua e a polícia não faz nada? Ela não trabalha efetivamente, ela tem que ter inteligência para separar este joio do grande trigo, que são os manifestantes que vão para as ruas se manifestar legitimamente. É isso que tem que ser feito, saber focar, mas não há inteligência, não há força, é um governo fraco, que se governa por pesquisa e não pelo real interesse e bem estar da população.
Uma medida que vem sendo tomada pelo atual governo vem gerando uma enxurrada de críticas, que é a centralização do 190. O que o senhor pensa a respeito? Se eleito, o senhor deve manter essa centralização?
Sob hipótese alguma, vou voltar como era, tem de ser descentralizado por cidade. A polícia não é obrigada a conhecer todas as cidades do entorno. Tem muitas cidades pequenas em que o cidadão sequer liga para o 190, porque ele já sabe que está centralizado, que a central fica em outra cidade e que o policial vai demorar para chegar, ou não conhece ali a cidade. Ou seja, é aquela coisa: o governador Geraldo Alckmin vive em um universo paralelo, tem certas atitudes que ele toma que nos fazem crer que o mundo que ele vive não é um mundo real. Não acho ele uma pessoa má intencionada, mas ele está sendo muito ineficaz e toma algumas atitudes como essa que podem até ser bem intencionada administrativamente, mas na prática não funciona, e ele não tem a humildade de voltar atrás. Isso vamos corrigir imediatamente.
No ano passado, o atual governo começou uma política de internação compulsória de viciados em drogas. Se o senhor for eleito, qual a política que o senhor pretende implementar? O senhor defende esse sistema adotado pelo Alckmin?
Em primeiro lugar temos que ter humildade em reconhecer, existe um velho ditado que diz: “Fala com quem conhece, monta em quem aguenta”. As melhores políticas de tratamento a usuários de drogas vêm das igrejas católicas, evangélicas e espíritas. O governo tem que ter humildade de reconhecer que o Estado não tem competência para fazer sozinho e que tem que fazer parceria com as igrejas, seja lá qual for a denominação, porque são eles que têm esse dom para fazer esse trabalho. Temos lugares maravilhosos criados pela igreja católica, pelos evangélicos... Nós vamos usar essa experiência deles, pois eles sabem fazer isso, o poder público ainda nem começou a aprender.
O Congresso Nacional discute a questão da legalização da maconha e de todas as drogas. Qual a opinião do senhor a respeito?
Eu, a princípio, sou contra a legalização das drogas, apenas acho que nós temos que olhar com muita atenção o que vai acontecer com o Uruguai, já que lá eles resolveram legalizar. Vamos prestar atenção e ver o que acontece. Eu acho que não vai dar certo, mas já que há um laboratório fora do Brasil testando isso, todo laboratório tem que ser estudado. Agora, em um primeiro momento sou contra porque eu não quero que meu filho possa ir em uma farmácia ou em algum lugar comprar um cigarro de maconha, e o que eu não desejo para meu filho, não desejo para o filho de ninguém.
Como vereador o senhor apresentou um projeto que proíbe a comercialização de produtos fabricados com pele animal, como governador o senhor pretende levar a nível estadual essa proibição?
Esse projeto já sofreu uma emenda de minha autoria mesmo somente para animais exóticos, ou seja, não tenho nada contra o couro, não tenho nada contra qualquer animal que seja “comestível”, a pele dele poderá ser utilizada para a produção de qualquer vestimenta, o que eu quero evitar é a pele da raposa, a pele da chinchila, esses animais que são mortos só por causa da sua pele. Agora esses animais que nós comemos, seria errado eu proibir que sua pele fosse utilizada, pelo contrário, já que nós comemos só a carne, temos que utilizar a pele.
Qual a opinião do senhor sobre a criminalização da homofobia? E por que as políticas que reconhecem os direitos gays ainda enfrentam tanta resistência candidato?
Por causa da demagogia, porque hoje você tem muitas pessoas que têm medo de enfrentar a igreja católica, de enfrentar os evangélicos e assumir serem favoráveis em determinadas situações. Eu, por exemplo, respeito muito a igreja católica, respeito muito os evangélicos, mas tenho minhas posições, acho que em uma relação respeitosa nós temos que respeitar as divergências, sou a favor da união civil de pessoas do mesmo sexo, sou contra qualquer atitude homofóbica. O Estado tem que olhar para o cidadão como ser humano, não importa a sua opção sexual, ele tem que ser respeitado na plenitude dos seus direitos, se um homem deseja ter uma união civil com outro homem é obrigação do Estado permitir que isso aconteça, as questões religiosas não devem ser levadas em conta pelo Estado, o Estado tem que respeitar as religiões, mas não tem que aceitar interferências vindas delas.
As pesquisas indicam que o governador Geraldo Alckmin tem 83% de aprovação. Qual a avaliação geral que o senhor faz sobre a gestão dele? Quais foram os erros e quais os acertos do governador?
Olha, o governador Geraldo Alckmin consegue cultivar uma imagem pessoal muito boa, mas o que quero deixar claro é que, no nosso governo, vamos cuidar da imagem das pessoas do portão para fora de casa, e do portão para fora de casa a situação não está muito boa, e nós vamos ter essas oportunidades como estamos tendo hoje. O governo Geraldo Alckmin está péssimo. Você se sente seguro? Ninguém se sente seguro. Você fica tranquilo se precisar usar um hospital público? Ninguém fica tranquilo. Você acha que a educação pública no Estado de São Paulo está boa? Então nós temos que avaliar o Geraldo Alckmin a partir daí, e é para isso que existem os debates que estão ocorrendo, é para isso que existem essas sabatinas e é essa a mensagem que nós vamos levar à população, que o Geraldo Alckmin tem essa capacidade de escorregar das suas responsabilidades, ele está com um projetinho aí que defende de maioridade penal para esconder o problema da segurança pública, mas isso vamos desmascarar. Vamos mostrar que você cidadão que está aí se sentindo inseguro, que tem educação falha, vamos mostrar que a saúde pública no Estado de São Paulo não funciona, tem um responsável por isso com o nome Geraldo e sobrenome Alckmin.
E a que o senhor atribui essa aprovação de 83% da população?
Ao desconhecimento da população, mas agora estamos vivendo o momento da nova política, e repito mais uma vez a frase que tenho dito; “Não há nada mais forte que uma ideia cujo tempo chegou”. E agora chegou o tempo da renovação e vamos renovar, e o Geraldo pode ser tudo, menos renovação. Geraldo é o passado.
Candidato as previsões dos calçadistas para este ano não são nada animadoras, em uma entrevista concedida no começo de julho, o presidente das indústrias de calçado de Franca afirmou que a indústria deve fechar o ano com 5 mil vagas a menos de trabalho. Quais são as propostas do senhor para o setor coureiro calçadista?
Como governador do Estado vamos desonerar impostos, vamos fazer tudo aquilo que for do nosso alcance para incentivar esse setor tão importante aqui em Franca, que é o setor calçadista, como também é muito importante em Jaú, em Birigui, em várias cidades. O setor calçadista é um dos setores mais importante do Estado de São Paulo, mas eu não entendo até hoje como um presidente eleito pelo partido que se diz Partido dos Trabalhadores, pode reconhecer a China como economia de mercado, então temos uma invasão de produtos chineses que destroem a nossa indústria. Tenho certeza que Marina Silva, que é uma pessoa que tem os ideais humanistas, que não é uma pessoa que tem os valores imorais da mão de obra como existe na China, ela vai acabar com essa declaração de reconhecimento da China, no Brasil, como economia de mercado e aí vamos criar barreiras para esses produtos que infestam o nosso país de uma forma totalmente desleal. Como um empresário de Franca ou região, por exemplo, vai concorrer com um chinês que paga 50 dólares o salário e um prato de arroz pro ‘cara’ trabalhar dezoito horas por dia? Isso não é economia de mercado, então algumas coisas faremos como governador, mas a grande solução é barrar a infestação de produtos chineses aqui pro Brasil, principalmente os calçados.
Uma das grandes reivindicações do setor é a redução do ICMS para o varejo. O senhor, como governador, deve fazer essa redução?
Com certeza farei, assumo aqui o compromisso. O setor calçadista é o setor que eu tomo mais conta, repito, nós vamos fazer isso, mas não é só isso que vai resolver o problema. A culpa do problema do setor calçadista não é do Geraldo Alckmin, eu que tanto critiquei quero fazer sua defesa aqui, a culpa não é só do governo do Estado de São Paulo, posso melhorar um pouco, mas a culpa do problema que o setor calçadista vive hoje é de política econômica externa, é pelo fato do Brasil ter reconhecido a China como economia de mercado é um crime de lesa a pátria, é um crime ideológico, porque aquilo pode ser tudo, menos economia de mercado. Ali o que existe é um capitalismo de Estado, onde, sob um sistema absolutamente antidemocrático, se explora ao máximo a mão-de-obra das pessoas. Se pegou o que há de pior no socialismo e o que há de pior no capitalismo, se juntou e está infestando o mundo inteiro, inclusive aqui no Estado de São Paulo.
E qual a opinião do senhor sobre a guerra fiscal entre os Estados? O senhor está falando em políticas federais e a guerra fiscal também é uma política federal, mas qual o posicionamento do senhor?
A guerra fiscal só existe por conta de uma política tributária nacional equivocada, se nós substituirmos o ICMS pelo IVA, e isso é uma coisa que eu, como governador, não posso fazer, é uma coisa nacional, uma reforma tributária que o Fernando Henrique prometeu e não cumpriu, que o Lula prometeu e não fez, que a Dilma prometeu e não fez e que a Marina, com o Eduardo Campos, se comprometeu a fazer, e com uma reforma tributária nós vamos mudar. Por exemplo, você vai para os Estados Unidos, você tira nota fiscal e o produto custa dez dólares, você paga dez dólares e oitenta centavos e sabe que os oitenta centavos são referentes ao imposto que você está pagando. Quanto mais caro o produto, mais imposto você paga, mais você separa a César o que é de César, ou seja, o governo americano assume o que ele cobra de imposto, aqui não. Aqui fica tudo escondido, e aí repito, a política do governador Geraldo Alckmin pode ser melhorada, mas ele não merece mais que vinte ou trinta por cento dessa culpa, setenta por cento dessa culpa é do governo federal e nós vamos brigar juntos para eleger Marina Silva, que vai resolver esse problema.
Voltando agora à questão da educação, por que nos últimos anos o governo tem direcionado boa parte dos investimentos para os cursos profissionalizantes em detrimento de vários cursos e vagas no ensino superior? Esse é mesmo o caminho? Qual sua opinião a respeito?
Nós vamos na economia criativa, hoje os cursos do Senai, os cursos das Etecs e Fatecs, eles são cursos do século XX ainda. Vou dar um exemplo para você, enquanto nos Estados Unidos nós temos indústrias automobilísticas sendo fechadas, enquanto aqui nós temos, no Estado de São Paulo, indústrias do setor Sul-Coreano sendo fechadas, nós temos o Google faturando bilhões, nós temos uma feira de games que vai acontecer no final do ano em São Paulo que não tem mais ingressos se você quiser comprar, porque essa é a verdadeira economia do século XXI. Hoje você precisa muito mais de um telefone com internet do que de um automóvel, porque um automóvel pode ser substituído por um serviço de transporte público de qualidade, agora, essa tecnologia, não. Por isso nós vamos qualificar nossos jovens para essa economia criativa do século XXI, para que ele use sua inteligência, não seus braços, para que ele use seu cérebro, não suas pernas, é isso que o jovem quer, essa qualificação, e os partidos que estão com o prazo de validade vencido no século XX não conseguem pensar nisso, pois só pensam em se manter no poder.
Uma barreira é que muitas escolas não têm sequer livros, como o senhor vai levar a tecnologia até os alunos?
Investindo no correto, investindo em softwares, não precisa levar livros, não precisa levar livros para os alunos, precisamos levar tablets para os alunos, livro é uma questão do século XX. Precisamos ensinar o aluno, que vai ter muito mais prazer em aprender, se ao invés de darmos um monte de livro para ele, dermos um tablete.
Mas os valores livros e de tabletes são diferentes. De onde vão sair esses recursos?
Respeitosamente discordo de você, hoje em dia os tablets, se comprados em grande escala, você pode conseguir preços muito bons, entre R$400 e R$ 500, por exemplo.
O senhor tem ideia de investimento nesse programa?
Vou te dar um exemplo. Existe um programa chamado Leve Leite que foi criado pelo Maluf (Paulo Maluf). Esse programa distribui leite para as crianças, as crianças hoje, de São Paulo, já estão se alimentando melhor, elas não precisam levar doze quilos de leite para casa. Vamos apresentar um projeto de lei que, se aprovado, vai permitir que esse aluno troque esse leite por um tablet, ou seja, dá exatamente o mesmo dinheiro, ou seja, o que a prefeitura gasta dando leite para essa criança durante um ano, essa criança vai poder trocar por um tablet se ela quiser. E hoje 80% dessas crianças que recebem esse leite vende o mesmo, pois é um leite péssima qualidade. Além disso, graças às políticas de melhor distribuição de renda, hoje as pessoas não precisam tanto desse leite, elas precisam estar no século XXI.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.