Encosto


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Dia desses, num estabelecimento comercial, freguesa dizia à sua atendente que ‘seu’ dia estava péssimo. ‘Acho que estou com um encosto’ — dizia —, lembrando que aquela situação contrastava com a da noite anterior, que lhe fora muito alegre, bem regada, junto a comensais felizes. Por seus comentários adicionais, que todos os presentes pudemos ouvir, evidenciou-se que ela se achava sob desconfortável consequência de ação anterior.
 
Como aprendemos no Espiritismo que estamos todos sujeitos à lei de causa e efeito, desejei naquele momento tecer algumas observações quanto à implacável matemática com que operam as leis naturais, bem como a implacabilidade com que se verifica a influenciação espiritual provocada por nossas atitudes e pensamentos. Não pude. Agora, como que num esforço de resgatar um débito, faço públicas estas observações, pelo menos no quanto contenha a minha pobre bagagem de conhecimentos.
 
Conquanto generalizada a crença de que, quando alguma coisa não nos vai bem, devamos debitá-la à conta de espíritos perturbadores, poucos dizem que é de nós mesmos que depende sujeitarmos a influenciação espiritual inconveniente, ou ao mal-estar resultante do abuso de bebidas e alimentos. Ensina-nos o Espiritismo que, se usamos conscientemente o nosso livre-arbítrio, agindo e pensando de maneira infeliz em relação a nós ou aos nossos semelhantes, receberemos, invariavelmente, as respectivas consequências, conquanto indesejadas. Mas, esclarece também que a parceria espiritual é-nos uma realidade de todos os momentos, e sempre na justa correspondência àquilo que vai no nosso mundo íntimo. Boas ações e bons pensamentos, felizes consequências ou bons espíritos a nos assistirem. Maus pensamentos e/ou ações, infelizes resultados e maus espíritos a nos infelicitarem. Seja qual for a situação: causa ou efeito, ‘encosto’ ou influência, somos seres psíquicos, em permanente interação com o mundo espiritual. 
 
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
 

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