Quase 340 mil órfãos


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A cidade de Franca, hoje com quase 340 mil habitantes, continua órfã quando se fala em representatividade. Importante centro para uma região formada por mais de 20 municípios — além dos da Região Administrativa, há ainda outros próximos situados em Minas Gerais —, ainda não conseguiu traduzir, em termos estaduais e nacionais, a voz e as demandas de seu povo. Há décadas Franca vive à sombra de Ribeirão Preto e isso se traduz nas conquistas perdidas para a vizinha cidade, a mais recente delas foi a transferência da central telefônica da Polícia Militar.
 
Ao longo da história, Franca marcou sua presença na vida nacional, primeiro como centro de distribuição de pedras preciosas, depois como polo de fabricação de calçados (e, ainda, é o mais importante quando se trata de sapato masculino) e, depois com o basquete e o futebol. O declínio do ciclo de extração de diamantes na região fortaleceu a indústria, que hoje vive dias de incerteza e apreensão, com desemprego crescente que atinge todos os outros setores produtivos locais, como comércio e serviços. Ninguém está tranquilo: quando a indústria oscila para baixo, o efeito dominó prejudica todos os que aqui vivem.
 
A capital do basquete, hoje, vive um eclipse de qualidade. Sem bons patrocínios, não consegue formar um time à altura de sua tradição. Além disso, atletas diferenciados formados aqui seguem logo cedo para outros centros, onde há possibilidades de crescimento profissional, com remuneração mais atraente. De protagonista, passou a coadjuvante e está difícil encontrar o caminho de volta. Do futebol, todo mundo já sabe: a A. A. Francana disputa a terceira divisão do futebol paulista aos trancos e barrancos, formando elencos medianos com o pouco dinheiro que entra, além de ter acumulado uma dívida difícil de pagar.
 
E o que isso tem a ver com representatividade? Tudo. Sem uma liderança forte, todos são prejudicados. O município sofre com a falta de uma administração mais focada nas necessidades de sua população. Assumimos uma posição irrelevante junto ao governo do Estado, mesmo que o prefeito Alexandre Ferreira seja do mesmo partido do governador Geraldo Alckmin, o PSDB. Com isso, Franca perde a força na hora de reivindicar e buscar melhorias para os quase 340 mil francanos e a grande população da região. Todos acabam jogados para segundo ou terceiro planos. E toda a região sofre.
 
Falta quem se interesse verdadeiramente pelos destinos desta grande população. Ainda temos enormes problemas nos setores de Saúde e Educação que dependem de um trabalho sério e intenso junto às esferas estaduais e federal no sentido de aumentar os repasses para estes dois setores considerados fundamentais não só aos francanos como também a todos os brasileiros. Nos últimos anos, dependemos da ajuda de parlamentares de outros centros para que São Paulo e Brasília invistam em Franca, principalmente em serviços públicos. A situação precisa mudar para que deixemos de ser quase 340 mil órfãos e voltemos a tomar as rédeas de nosso próprio destino.
 
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