Vereadores são acusados de ameaça


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João Miguel Siqueira Garcia é visto ao lado de cerca que delimita sua propriedade em estrada do Paiolzinho. Ela teve lugar alterado por funcionários da Prefeitura
João Miguel Siqueira Garcia é visto ao lado de cerca que delimita sua propriedade em estrada do Paiolzinho. Ela teve lugar alterado por funcionários da Prefeitura
Os vereadores Miguel Laercio Matias (PP), o Laercinho, e Josivaldo Bahia (PTB) foram denunciados por ameaça em inquérito da Polícia Civil que apura supostas irregularidades cometidas por equipes da Prefeitura de Franca no alargamento de uma estrada rural no bairro Paiolzinho, em 13 de junho desse ano. O primeiro parlamentar também é candidato a deputado estadual nas eleições de outubro.
 
Em depoimentos isolados ao delegado assistente da Seccional de Franca, Wanir da Silveira Júnior, João Miguel Siqueira Garcia e Aparecido Justino, ouvidos ontem a pedido do Ministério Público, acusaram separadamente os vereadores.
 
Garcia é o proprietário do sítio que teve suas cercas arrancadas e parte de uma área de pasto destruída por máquinas e funcionários da Prefeitura de Franca sob o pretexto de realizar melhoria na estrada que passa por sua propriedade. Toda a ação foi intermediada pelo vereador Laercinho. Ontem, após seu depoimento, João Garcia disse ao Comércio que decidiu representar contra o vereador, pois anda temeroso em relação a própria segurança, conforme consta do termo de declarações feito na Delegacia Seccional. “Depois do ocorrido, mal consigo dormir”, disse o agricultor. “Qualquer barulho, por menor que seja, e a gente já fica com medo”, acrescentou. Ele não especificou que tipos de ameaças propriamente estaria sofrendo, mas elas teriam relação com o caso.
 
Em seu sítio, apesar da recolocação da cerca, ele diz ser possível ver mudanças ocorridas após a intervenção municipal. O pasto que servia de alimentação para vacas leiteiras praticamente não existe mais. Garcia disse ter sido obrigado a vender os animais por não conseguir alimentá-los. 
 
O outro depoente, Aparecido Justino, cunhado de João Garcia, foi quem denunciou o caso ao Ministério Público. Em depoimento de quase uma hora, ele confirmou a participação de Laercinho na intermediação da obra.
 
Da mesma forma que o primeiro, Justino aproveitou as declarações à Polícia Civil para relatar o que chamou de ameaças do vereador Josivaldo Bahia, que teriam acontecido após o fim da comissão de ética montada na Câmara para investigar Laercinho e que concluiu pela sua inocência. 
 
De acordo com seu depoimento, Aparecido Justino estava conversando o vereador Daniel Radaeli (PMDB) quando teria questionado Bahia sobre sua participação na comissão de ética e o resultado da apuração. “Quando perguntei para ele se achava ético o que tinha acabado de ser anunciado pela Comissão de Ética da Câmara, ele colocou o dedo em riste e disse que eu não tinha ideia do que ia me acontecer por causa dessa denúncia”, afirmou Justino. “Entendi isso como uma ameaça muito grave”, completou.
 
Para entender o caso 
No dia 13 de junho, João Garcia foi surpreendido por pelo menos 10 máquinas e quatro caminhões da Prefeitura de Franca e da Emdef, com aproximadamente 30 trabalhadores, retirando a cerca que delimita a frente de seu sítio. A justificativa era aplainar o terreno, que apresentava ligeira elevação em relação à estrada.
 
No dia oito de julho, empregados da Prefeitura começaram a recolocar a cerca arrancada dias antes, mas entre quatro e cinco metros para dentro da propriedade. Ao ligar para Laercinho para saber o que estava acontecendo, o vereador teria sugerido que o sitiante “deixasse a situação como estava”.
 
Ao ver que o proprietário não cederia, o parlamentar teria, então, oferecido dinheiro, mudas de eucalipto, uma vaca e sementes de braquiária para que a discussão fosse encerrada, sem que a Prefeitura fosse acionada e o caso levado à frente. Parte da conversa foi registrada em áudio e vídeo, material que faz parte do inquérito aberto pelo Ministério Público. Levado à Comissão de Ética da Câmara de Vereadores, o caso resultou na inocência de Laercinho. 
 
Outro lado 
A reportagem tentou conversar com o delegado Wanir da Silveira Júnior para saber quais serão os próximos passos do inquérito. Às 11h30, a informação é que ele havia saído para o almoço. Às 14 horas, na Delegacia Seccional, informaram que ele havia ido para Buritizal, onde responde pela delegacia local. O Comércio ligou então diversas vezes para o seu celular e na delegacia daquele município, mas não conseguiu falar com Silveira.
 
Da mesma forma, a reportagem buscou entrar em contato ontem, às 18h30, com os dois vereadores. Josivaldo Bahia não atendeu seus dois celulares. Laercinho, por sua vez, mesmo tendo cinco telefones, não atendeu a nenhum deles.

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