Lula pode voltar


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Antes que petistas convictos digam que estou falando do que não me diz respeito, deixo claro: não estou pregando nada. Estou, hoje, apenas matutando, somando resultados de pesquisas, fatos, lembranças históricas e o livre-pensar que move as pessoas, estando elas certas ou erradas. Compromisso? Apenas o de utilizar este espaço importante que este Comércio me proporciona, para falar, de novo, de cidadania. As pessoas precisam, sim, pensar politicamente, quando nada, para não serem pegas de calças curtas quando forem exercitar o único direito de fato que ainda têm, e que pode fazer toda a diferença: o voto.
 
Vou à essência: Lula pode voltar, e ainda nesta eleição! O cenário político mudou drasticamente depois da morte precoce de Eduardo Campos. Por comoção nacional, Marina Silva, hospedada pelo PSB de Eduardo, herdou a vaga de candidata a presidente, e agora detém intenções de voto capazes de levá-la ao segundo turno. Mais que isso. Números dizem que ela baterá Dilma Rousseff e o PT, e será eleita. 
 
Luzes de todas as cores estão piscando intermitentes nos comandos nacionais dos partidos políticos. Marqueteiros estudam o fenômeno que alçou a ex-ministra do Meio Ambiente do governo Lula ao centro das discussões, mas é preciso entender que comoções passam, e a realidade nua e crua sempre prospera. Há componentes mais visíveis do que a emoção derivada da tragédia que vitimou Campos, e isso foi divulgado anteontem pelo jornal eletrônico A Tarde: católicos votam em católicos, evangélicos, espíritas e ateus, mas, evangélicos votam, especialmente, em evangélicos. Então, além dos votos transferidos pela comoção da perda de Eduardo — a terceira via dos que se cansaram do protagonismo PT/PSDB — Marina, evangélica, também se tornou a depositária das expectativas de seus irmãos de fé, e isso catapultou fortemente os números de suas intenções de voto. Pessoalmente, entendo que esses números devem decrescer nas próximas semanas — o recrudescimento das milionárias campanhas do PT e do PSDB; a perda (normal) de parte da memória da morte de Campos e outros fatores vão impactar no processo —, mas ainda serão significativos e podem não mudar a indiscutível realidade de um segundo turno.
 
Aí vem o restante do quadro, e as cores são conhecidas: com Dilma ou Aécio, não restam dúvidas sobre o vermelho e o amarelo. Com Marina, tom diferente, mas riscado pelo cinza de preocupação com candidatura sem experiência estadista e gestão executiva. Os candidatos a deputado estadual e federal com base em Franca, e alguns dos candidatos a governador que este GCN tem sabatinado, têm respondem a perguntas sobre ‘falta de experiência’, dizendo que Lula, Dilma, Alexandre Ferreira — prefeito de Franca — e muitos outros, também não tinham experiência, mas, eleitos, aprenderam. Pode até ser, mas, na iniciativa privada, quando um executivo não dá certo, pode-se mandá-lo embora e substituir por outro. Na política, trocar exige força e determinação de Hércules, e o povo, que nem se lembra de quem vota na última eleição, ainda não possui essa força toda. Não haverá, portanto, experiências. 
 
O PT, ao que parece, não quer ‘deixar como está para ver como é que fica’. Quer tirar do cenário, qualquer chance de risco. Começa a crescer, aqui e ali, a sensação de que o partido poderá usar o que lhe faculta a lei eleitoral até 20 dias antes do voto ser depositado na urna: Dilma renuncia e Lula assume.  Seria fato novo, igualmente capaz de balançar o cenário político, mas sem a carga de emoção que catapultou o nome de Marina. Pés no chão, é impossível prever a reação do eleitor médio, hoje mais escolado, mentalizado e decidido que ontem, quando agia sem pensar em soluções urgentes para a insegurança pública, saúde e educação deixadas para lá. O Brasil, olhar preocupado mas esperançoso, aguarda...
 
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br

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