O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) divulgou ontem a estimativa da população brasileira atual. De acordo com o instituto, o Brasil tem hoje 202.768.562 habitantes, num incremento de quase 53 milhões de novos brasileiros em relação a duas décadas atrás: em 1994 éramos pouco mais de 150 milhões. Só para constar: o levantamento aponta que somos quase 340 mil francanos, 85 mil moradores a mais em relação a 1994.
Diante destes números, é forçoso lembrar que, embora tenha uma população que cresce cerca de 2,5 milhões de pessoas ao ano, o Brasil vem sendo administrado, em termos políticos, como uma nação pequena, onde grande parte da legislação remonta a pelo menos sete décadas. Além disso, não existe planejamento ou interesse em mudar uma série de leis e normas que não estão funcionando. O nosso sistema político ainda é calcado em partidos que se transformam em legendas de aluguel, por causa do espaço da propaganda eleitoral gratuita.
Quando se comparam as populações dos maiores com os menores Estados, vê-se que a representação política também precisa mudar. A proporcionalidade seria salutar à democracia e à vida republicana. Uma ampla reforma também deveria passar pelo financiamento de campanhas, pelo voto distrital e pelas condenações por improbidade administrativa. O fim do foro privilegiado a ocupantes de cargos eletivos é essencial para que o País volte a andar sem grandes entraves ou gargalos.
As mudanças ainda passam pelo Código Penal, que considera um assassino frio e sem remorsos como criança só porque ele tem menos de 18 anos. Além disso, sentenciados se valem das brechas legais para se livrar de cumprir integralmente suas penas. Aqui no Brasil ninguém fica mais de 30 anos na cadeia, mesmo diante de crimes hediondos ou em série. Somente se for considerado insano ou mentalmente incapaz é confinado num manicômio judiciário. Aí, marginais perigosos entram e saem de delegacias e continuam por aí, ameaçando, roubando e matando.
Para que este quadro seja modificado, além de uma completa reformulação no Código Penal, será necessário dotar o Poder Judiciário de ferramentas capazes de dar celeridade aos processos, penais ou cíveis. Tudo passa ainda por uma completa desburocratização, que elimine as toneladas de papéis que atravancam os Fóruns de todo o País. Em plena era tecnológica, onde os computadores assumiram o protagonismo em todos os setores, não se sabe ainda porque processos precisam de tanto papel. Isso também se aplica aos demais setores da vida brasileira, com um excesso de cópias, carimbos e assinaturas. É preciso simplificar.
E há outros problemas, como os de logística e de aplicação das verbas públicas. Deve-se ainda destacar a necessidade de uma ampla reforma tributária que deixe de pesar tanto sobre os trabalhadores. Só assim o Brasil será mesmo grande, com capacidade de se tornar protagonista diante de um cenário mundial conturbado. O País tem condições de crescer muito mais. O que falta é vontade.
email opiniao@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.