Você é de meia-idade?


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Psicólogos e sociólogos insistem em divulgar que a meia-idade é muito mais um estado de espírito que certo período de anos. Mesmo porque, acho eu, ficaria difícil dizer que a meia-idade começa aos cinquenta, ou cinquenta e cinco anos de idade. Por mim, acho mesmo que a meia-idade começa aos oitenta... Mas receio estar sozinho nesta teoria. Meus críticos dizem que quando eu tinha vinte anos, talvez a meia-idade para mim tivesse início aos quarenta.
 
De maneira  que estou propenso a crer em que meia-idade é um estado de espírito, de modo de pensar e agir.
 
Aqui estão, por exemplo, duas perguntas usadas para determinar se uma pessoa pensa à maneira da meia-idade: a) você tem a impressão de que já passou por tudo isso? b) Considera o seu próprio julgamento como critério final do que é certo ou errado?
 
Às vezes, fica mais claro se as perguntas são dirigidas a um homem ou a uma mulher. Veja - 
 
Para os homens:
 
1. Você é tratado com respeito no trabalho, sendo chamado de senhor em vez de você?
2. Quando olha para as mulheres mais jovens na rua, ocorre-lhe de repente pensar na aparência que você tem para elas?
3. Já começou a prestar atenção nas sugestões que sua mulher faz quando você dirige?
 
Para as mulheres:
 
1. Está ficando cada vez mais preocupada com sua atração sexual?
2. Sua filha se riria se a visse com uma saia acima dos joelhos?
3. Preocupa-se mais que de costume com a saúde de seu marido?
4. Já começou a prestar atenção nas sugestões que seu marido faz quando você dirige?
 
Pois bem: se respondeu SIM a todas estas perguntas, então você, meu caro senhor ou prezada senhora, já entrou no estado da meia-idade.
 
Console-se. Endireite estas costas, ande um pouco mais rápido, respire lentamente e tenha fé. Mas principalmente, nunca, preste bem atenção, nunca diga “Hein?” quando alguém lhe dirigir a palavra. Procure entender o  que lhe dizem logo na primeira vez. Faça um exame de audiometria, cuide-se da aparência, não se dê por vencido. Afinal, ainda lhe resta a outra metade da vida. Só que agora na descendente.
 
 
Everton de Paula, acadêmico e editor.  Escreve para o Comércio há 43 anos
 

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