O astrônomo americano Carl Sagan, falecido em 1996, autor do famoso documentário Cosmos, exibido na tevê aberta no Brasil em 1982 e depois repetido à exaustão em canais fechados, afirmou que somos, todos, poeira de estrelas. Que cada um de nossos átomos veio de alguma estrela distante, e que o nosso corpo possivelmente seja composto de restos de várias estrelas. Eu levantava bem cedo aos domingos só pra ver o documentário extraordinário e absolutamente ousado para a época. Desde a adolescência apaixonado por Astronomia, fiquei espantado com os ensinamentos ilustrados, com animação computadorizada, com os efeitos especiais e com a trilha sonora. A afirmação de que somos partes de estrelas teve o efeito de abrir o horizonte dos poucos jovens que como eu acompanhavam as aulas. Sagan nos esclareceu que toda a matéria do Universo teve origem na grande explosão, o Big-Bang, e que por isso, tudo o que existe é feito da mesma matéria. Depois eu soube de outros astrônomos que a teoria do Big-Bang é algo que os cientistas criaram, mais para fugirem de insistentes perguntas, tais como, como foi criado o Universo? O que havia antes da sua criação? Ou o que há fora dele? Eu não entendi bem essa evasiva, porque ainda podemos perguntar o que havia antes da explosão, ou ainda, o que e onde estava o que explodiu?! Mas o fato é que eu gostei da ideia de sermos poeira de estrelas. Lembrar isso até hoje acalma um pouco, depois de um estafante dia de trabalho, ou depois de uma ciranda pela cidade de automóvel, dirigindo! E até das aflições que nos acodem quando assistimos aos programas do horário político! Encanta saber que nós, humanos e as demais espécies animais, os vegetais e outras formas de vida, os minerais nos compõem, temos a mesma origem. Ainda que uma inexplicável vaidade nos açule, somos todos irmãos! É fato que ocupamos o mesmo espaço. Que temos a mesma sina. Por isso, não parece razoável que descuidemos daqueles que são mais frágeis, daqueles que não podem conosco. Acho que passa da hora de pensarmos a sério em todas essas coisas e, quem sabe, pensarmos grande. Em vez de acumular coisas, de levar vantagem em tudo, quem sabe agirmos como quem cuida carinhosamente da casa e dos irmãos, enquanto lutamos pela vida. Certamente isso não nos fará mal algum!
José Borges da Silva , procurador do Estado e membro da Academia Francana de Letras
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