A lenda das Amazonas é muito antiga. Vem dos tempos místicos e míticos da Grécia. As Amazonas eram uma comunidade de mulheres guerreiras, exímias cavaleiras, especialistas no manejo do arco e da flecha. Invencíveis em suas batalhas, elas secavam um dos seios para facilitar o uso das armas.
No Brasil, a lenda ressurge por ocasião da chegada do espanhol Francisco Orellana em suas explorações pelo norte do país e pelas margens do grande rio conhecido então por “mar dulce”. Icamiaba era o nome que os indígenas davam às tribos de mulheres guerreiras que só se relacionavam com os homens à época da procriação. Se nascessem meninas, ficavam na tribo; se meninos, eram entregues ao pai. As tribos guerreiras de mulheres localizadas às margens do rio batizado de Amazonas em sua homenagem, rechaçaram Francisco Orellana e todos aqueles que pretenderam dominá-las.
Pois bem, prezado leitor! Temos hoje duas Amazonas: a Dilma dos Bálcãs e a Marina dos Trópicos. O tempo afastou uma da outra. Não pertencem mais à mesma tribo. São rivais e vão se enfrentar numa grande batalha em busca do poder. Não têm em suas mãos os arcos e as flechas. Têm em sua boca a língua afiada. Trazem em sua cabeça muitas idéias, muitos programas, muitos projetos. A guerra é política e nada mais feminino do que a política. A política é feita de sutilezas, articulações, avanços, recuos, estratégias, lágrimas, sorrisos, armações , artes cênicas. A política é essencialmente feminina e, portanto, bela, fascinante, vaidosa, volúvel, fluida, mutável, traiçoeira, enganadora. A política é uma arte que arrebata, contamina, enlouquece. A política é um vício que, uma vez adquirido, não abandona mais a sua vítima. Se as mulheres tomarem gosto pela política, os homens, sem dúvida, perderão o seu protagonismo.
Em outubro dar-se-á o grande confronto entre as duas Amazonas. E o Aécio? O Aécio, caro leitor, que na História de Roma foi o general que resistiu às hordas de Átila , na História do Brasil acabará sendo um mero espectador se não reforçar logo as suas legiões.
Chiachiri Filho, historiador, criador, diretor por oito anos do Arquivo Municipal e membro da Academia Francana de Letras
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