Imagens


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Cada um de nós, quando se expressa verbalmente, por escrito ou gestualmente, também comunica marcas de sua personalidade, credibilidade, confiabilidade. Por isso mesmo, nossa comunicação pode ser positiva ou negativa, e é inevitável. Não há fala ou gesto sem intencionalidade. Quando conversamos, deixamos um pouco de nós e carregamos um pouco do outro. Essa construção de imagem, Aristóteles definiu como ethos, ‘o caráter moral que o discurso precisa ter para ser persuasivo’. Roland Barthes estendeu o conceito: ‘os traços de caráter que o orador deve mostrar ao auditório (pouco importando sua sinceridade) para causar boa impressão, é o seu jeito. O orador enuncia informação e, ao mesmo tempo diz: sou isso e não aquilo’. Maingueneau considera que ‘ethos está ligado ao orador e à sua legitimação”. 
 
Ruth Amossy resgata esses e outros conceitos, e entende que o pensamento de Quintiliano —‘o argumento exposto pela vida de um homem tem mais peso que suas palavras’ —, permite afirmar sobre a  ‘imagem de si no discurso’. As eleições estão aí. Pode-se analisar candidatos e escolher com razoável dose de certeza, mesmo que Le Guern diga que ‘um homem parece isso ou aquilo pelo discurso, quer ele seja tal como parece ser, quer pareça mesmo sem o ser, pois pode-se mostrar algo sem sê-lo; e pode-se não parecer tal, e ainda assim o ser; pois isso depende da maneira como fala’. Não podemos continuar sendo enganados por promessas que não podem ser cumpridas ou por falas absurdas e vazias de fundamentos humanos, éticos, morais e, até, jurídicos. Basta! Precisamos de políticos reais e não os das imagens criadas por marqueteiros. Temos que eleger o político que espelhe nossa imagem tal como vemos nossa própria imagem. As imagens de alguns deles não é a nossa! Se, ainda assim os escolhemos, somos, verdadeiramente, o que achamos que somos?
 
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário

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