O número de veículos com quilometragem zero emplacados em Franca neste primeiro semestre foi o pior dos últimos anos. De acordo com dados do Detran (Departamento Estadual de Trânsito) de São Paulo, 3.956 veículos foram emplacados entre janeiro e junho de 2014, mostrando uma retração de 11% em relação ao ano anterior quando 4.448 automóveis foram para as ruas. Se a comparação for com 2012, melhor ano dos últimos quatro, a queda ultrapassa 18%. Junho foi o pior período do ano com 608 registros, ficando à frente somente de janeiro de 2011, quando 607 veículos foram emplacados (veja quadro).
Embora o número de emplacamentos não seja um retrato fiel do mercado de vendas de veículos - já que carros comprados em Franca podem ser emplacados em outras cidades e vice-versa -, ele é consierado um termômetro para o setor. Levantamento da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) mostra queda de 7,56% no número de carros vendidos no primeiro semestre deste ano no país em relação a 2013. Segundo concessionárias locais, essa queda também pôde ser sentida na cidade.
Para o economista Hélio Braga, a retração do setor se relaciona com a estagnação econômica do país. “A queda na venda de veículos ocorreu no Brasil inteiro e as montadoras estão concedendo férias coletivas e programas de demissão voluntária para ajustar sua produção. A economia está praticamente travada e as taxas de juros se elevaram, encarecendo o crédito. Aliado a isso, as famílias estão endividadas. Tivemos uma explosão de consumo que, em algum momento chegaria ao limite. E chegou”. É válido ressaltar que em Franca, de modo particular, as recentes demissões no cenário calçadista também pesam como fator desfavorável ao comprometimento das famílias com parcelamentos a longo prazo.
A fim de tentar driblar o baixo crescimento econômico, evitar o desaquecimento do setor automobilístico e possíveis demissões, o Governo Federal decidiu estender até 31 de dezembro o benefício do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) reduzido para automóveis. Aliando-se ao fato, as concessionárias têm investido em promoções para atrair clientes. “Estamos trabalhando em cima de taxas diferenciadas oferecidas pelos bancos, parcelamento de entradas em até 12 vezes no cartão, cheques com prazo de até 120 dias além de maior divulgação em mídias”, disse o supervisor da Ortovel, Marciel Costa.
Na Cofrana, a aposta também ocorre em estímulos do tipo. “Geralmente, na segunda quinzena de cada mês, fazemos a promoção Nota Fiscal de Fábrica, em que repassamos ao cliente o carro pelo valor em que ele foi retirado na fábrica. Também investimos na divulgação dos produtos e promoções. Aceitamos carros na troca, facilidades na diferença e assim conseguimos nos manter no mercado”, informou o gerente comercial da Cofrana, Paulo Henrique Borges. Praticar taxas abaixo das oferecidas pelo mercado também é uma das estratégias de venda observadas em Franca.
“Oferecemos ao cliente taxa zero em 12 vezes e, agora, para nos adaptar a esse momento (de queda no mercado), fazemos parcelamento total do veículo - o que não fazíamos - com taxa de 0,99%. Conforme a entrada, baixamos para 0,79%. Para se ter uma ideia, hoje a taxa praticada pelo mercado é cerca de 1,7%”, afirmou o gerente de vendas da Peugeot, David Casseres Mercuri. Atualmente, Franca conta com uma frota total de 228.245 veículos.

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