Lucas, o gigante


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Ele era um gigante muito grande mesmo, por isso, fora os que o conheciam como Lucas, os demais o chamavam de Gigante muito, muito grande mesmo.
 
Ele não era grosseiro e nem contava dinheiro como os gigantes de outras estórias por aí. Nessa que eu ouvi e lhes conto, o gigante era muito cheiroso, usava creme para mãos, gel e estava sempre bem arrumadinho. Ele era um gigante meigo e delicado, nada de ficar gritando ou comer gente pequena.
 
Acontece que um dia um baixinho chamado João encasquetou com o Lucas e resolveu roubar um de seus muitos livros. Esperou o grandalhão adormecer em sua enorme cama e entrou esgueiro pela fechadura.
 
Após entrar foi direto para o criado mudo; o criado, embora mudo, era por demais culto e amparava uma pilha imensa de livros. O menino baixinho escalou um a um os livros do gigante e foi parar somente no último o qual abriu sem desvelo algum. Ficou encantado, pois o livro era desses publicados para crianças pequenas e saltaram das páginas figuras fantásticas feitas em três dimensões. Arrumou-se por ali mesmo, sentou em um cantinho acomodado e embora tivesse certa dificuldade para trocar de livro, foi lendo todos. Com o passar das páginas suas mãos foram ficando cada vez maiores e os livros pareciam mais leves e fáceis de manusear. Para ler o último dos livros ajeitou-se na poltrona de Lucas, que já lhe cabia ao tamanho perfeitamente, e notou que já estava tão grande quanto ao gigante a quem foi bisbilhotar.
 
Lucas acordou com uma gargalhada mais alta de João, e ficou abismado por ver alguém ali com tamanha ousadia sentado em sua poltrona. Ele ficou indignado, mas depois achou hilária aquela situação. Cá entre nós, João, onde já se viu invadir a casa de alguém assim?
 
Como o Lucas era o gigante muito, muito grande mesmo, e também era imenso seu coração, ele deixou a irritação para lá e chamou o novo amigo para assistir uma partida de futebol na sua televisão. E até hoje eles são grandes, grandes amigos mesmo.
 
Milla Souza

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