Em mais uma tentativa para estimular a combalida economia brasileirao governo lançou, via Ministério da Fazenda e Banco Central, outro pacote de medidas, contemplando incentivos ao financiamento da compra de veículos e imóveis, e facilidades para a concessão de crédito com desconto em folha de pagamento.
Esse novo conjunto reveste-se de singularidade: é visceralmente contrário a medidas tomadas por volta de 2010 para esfriar a economia, cuja liquidez excessiva preocupava o governo. Passamos, como se vê, de um extremo a outro. As perspectivas de crescimento do PIB não são alvissareiras. Para o segundo trimestre, as projeções dão conta de número negativo.
O Banco Central deve liberar R$ 25 bilhões para serem utilizados em financiamentos. É liquidez para ninguém botar defeito uma vez que há pouco mais de um mês, a autoridade monetária havia liberado R$ 45 bilhões, mas o mercado de crédito não revelou entusiasmo.
Nossa economia, ainda que o governo finja não acreditar, está em marcha lenta. Deve crescer muito pouco este ano. De acordo com pesquisas de endividamento e inadimplência, famílias não estão em condições de tomar mais empréstimos para a aquisição de veículos ou imóveis. O problema, segundo alguns analistas, é que a demanda de crédito está prejudicada pelo elevado patamar do endividamento, o grande causador da inadimplência.
O problema não se resolve com pacotes. Malgrado a época do lançamento, que coincide com a proximidade das eleições, os pacotes e a gestão da economia têm deixado dolorosas sequelas, seja pela propalada desindustrialização, baixo nível de emprego, inflação e resultados pouco auspiciosos na balança comercial. Daí advém a perda de confiança do empresariado e do consumidor, que precisa ser restabelecida. Não é só facilitando crédito que vamos superar problemas de crescimento da economia. É preciso ir além!
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA-USP
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