Eles não nos representam


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Há várias legislaturas a Câmara Municipal de Franca tem deixado clara a sua inércia e o seu distanciamento da população. Os vereadores, mesmo diante do clamor popular, preferem agir como avestruzes: enfiam a cabeça num buraco, sem ao menos buscar atender aos que lhes delegaram o mandato. Diante dos descalabros e descompassos da administração municipal, preferem defender os aliados com unhas e dentes, livrando-os de processos e tirando-lhes todas as responsabilidades por irregularidades que poderiam até lhes cassar o mandato.
 
Há algumas semanas a Comissão de Ética do Legislativo considerou que o vereador Laercinho (PP) não havia cometido qualquer irregularidade ao oferecer dinheiro, boi e até mudas de eucalipto para que um proprietário rural deixasse a Prefeitura invadir suas terras a fim de alargar uma estrada rural. Agora, a maioria dos vereadores rejeita a proposta de abertura de uma comissão que poderia cassar o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), por causa das irregularidades registradas no sistema de saúde no município (como havia recomendado a Comissão Especial de Inquérito). Uma decisão politicamente negativa, pelo que denota de desinteresse na causa dos familiares enlutados.
 
Donizete da Farmácia (PSDB), Fátima das Fraldas (PSB), Marco Garcia (PPS), Pastor Otávio (PTB), Bahia (PTB), Claudinei da Rocha (PP), Laercinho (PP), Luís Cordeiro (PSB) e Zezinho Cabeleireiro (PPS), que votaram contra a proposta, não se sensibilizaram com o pedido dos parentes de três pessoas que morreram após serem atendidas em unidades de saúde sob a responsabilidade do município. Estes vereadores foram contra, sem qualquer argumentação que abalizasse as suas posições, sem mínima manifestação sensível à dor dos que perderam entes queridos em situação condenável pelo que refletiu de desinteresse e incompetência dos profissionais ligados à secretaria da Saúde. Atitudes como esta traduzem a tibieza do corpo legislativo que ao dar carta branca ao chefe do Executivo permite-lhe continuar agindo como autocrata à frente da administração municipal. A maioria dos vereadores não tem a noção de que seu papel poderia ser relevante na construção de um contexto mais digno e justo para os que necessitam de atendimento na rede pública de saúde.
 
Por outro lado, louvem-se os que agiram com coragem e atendendo aos apelos de suas consciências e dos que continuam sofrendo diante da indiferença de um prefeito que até hoje não se dignou pedir desculpas pelo desastre de sua administração. Valéria Marson (PSDB), Márcio do Flórida (PT), Daniel Radaeli (PMDB) e Nirley de Souza (DEM), que votaram a favor do pedido da formação de uma comissão para cassar o prefeito, merecem respeito. Aliás, dois destes integram partidos do prefeito e de seu vice (PSDB e PMDB), mas não se curvaram. Seguiram as evidências que revelam os erros que levaram à morte as vítimas de mau atendimento. Os quatro mantiveram uma postura firme. 
 
Já Adérmis Marini (PSDB), ex-líder do prefeito, saiu durante a votação e perdeu uma grande oportunidade de mostrar a sua independência e capitalizar dividendos para sua campanha política. Preferiu se ausentar, lavando as mãos como Pilatos. Depois da CEI da Empresa São José, confusa e com relatórios conflitantes, que não deu em nada, a maioria dos vereadores (dois candidatos nas eleições de outubro) volta a expor a sua inexplicável dependência de uma administração que leva Franca a passos largos rumo ao buraco. E isso não será relevado, até porque já está escrito na história de todos.
 
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