Depois de dois assaltos com reféns no Jardim Flórida, ocorridos nas últimas semanas, carros ou pessoas diferentes pelo bairro são vistos como suspeitos por muitos moradores. A tranquilidade de outrora foi substituída pela preocupação. Pânico é uma das palavras usadas para definir a situação atual. Terrenos e praças são considerados locais de risco por oferecerem chance para que bandidos se escondam.
O mais recente caso de violência foi um roubo à residência no qual dois bandidos armados renderam uma moradora e levaram objetos e dinheiro. O incidente aconteceu no sábado, 16 de agosto, ainda pela manhã. Quinze dias antes, seis assaltantes fizeram outra família refém, levando objetos, dinheiro e um veículo.
Na rua do assalto mais recente, alguns vizinhos se dizem receosos até ao atender a campainha da porta. Uma vizinha próxima à casa roubada, abriu apenas uma fresta do portão à reportagem e explicou rapidamente o ocorrido do dia 16. Ela contou que foi procurada pela moradora assaltada para acionar a polícia. A vítima do assalto, uma mulher de 43 anos, relatou ao Comércio no dia do crime. “Eu estava sozinha em casa, tinha acabado de acordar. Aí o alarme da garagem disparou. Eu desci e já encontrei dois homens na escada. Eles anunciaram o assalto e já falaram o que queriam. Eu consegui manter a calma e eles não me ameaçaram com armas enquanto negociavam”.
A mulher foi amarrada em um quarto e vendada, enquanto os criminosos pegaram objetos, dinheiro e fugiram. “A gente busca colocar segurança, mas se ficarmos com muito medo, nem saímos de casa”, desabafou a vítima.
No caso do roubo anterior, envolvendo seis bandidos, uma vizinha da casa assaltada contou que a vítima saiu para a rua e contou o ocorrido: “Foi aquele alvoroço. O vizinho contou que foi abordado no portão, rendido e teve o carro levado, mas que graças Deus não tinham machucado ninguém”.
Diante de situações como estas, moradores têm recorrido a câmeras de segurança, cercas elétricas e fechaduras reforç adas para tentar aumentar a segurança residencial. “Eu coloquei quatro fechaduras no portão, mas agora estão invadindo quando as pessoas colocam o carro na garagem. Então eu sempre observo a rua antes de entrar para ver se não tem nada suspeito. A saída é pagar o guarda particular que faz ronda no bairro”, disse uma moradora do Flórida.
Os comerciantes também têm tomados precauções. A estratégia adotada por um proprietário de uma padaria é fechar mais cedo.
Polícia explica
Sobre as recentes ações criminosas no bairro, o delegado Dalmo Mateus Pólo, titular do 4º Distrito, se disse atento. “Estamos realmente nos deparando com esse tipo de situação, ou seja, a do criminoso ingressar na residência levando pânico à família. O Flórida, no entanto, é um dos bairros mais tranquilos da cidade, tem policiamento e ali é local de trajeto de viaturas”.
O delegado orienta os moradores a darem uma volta no quarteirão antes de entrarem em garagens. Isso permite que se veja se não tem nada suspeito e dá tempo para manter contato com alguém que está em casa a fim de avisar que está chegando. Polo também aconselha que se preste atenção a motoqueiros, que podem seguir a pessoa até o imóvel.
A Polícia Militar informou que trabalha na região seguindo a estratégia padrão de policiamento da cidade. O trabalho envolve um “estudo minucioso baseado nos crimes registrados” para que locais que necessitem de um maior policiamento preventivo sejam atendidos rapidamente.
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