O serviços gerais Neuclair Gomes Silveira, 38 anos, viu, na manhã da última segunda-feira, seu sonho e o de sua família desabar junto com a casa de seus vizinhos. Ele mora com a mulher e quatro filhos no bairro Nova Restinga. Atualmente, restou apenas sua casa no local que é considerado uma área de risco. As demais foram demolidas após as chaves dos 105 imóveis populares construídos pela Prefeitura de Restinga em parceria com a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) terem sido entregues na última sexta-feira.
Ao todo, 14 famílias moravam no bairro antes da demolição. Destas, 12 foram contempladas com as casas do novo Conjunto Habitacional. Apenas Neuclair e sua vizinha Teresinha de Jesus Lúcio não receberam as chaves. A Prefeitura de Restinga alega que ambos não moravam no município quando o levantamento foi realizado, mas Neuclair garante que eles assinaram a documentação para conseguir uma unidade no novo bairro e nega ter se mudado do município.
De acordo com o serviços gerais, ele mora há cerca de 25 anos em Restinga e sempre no mesmo local. Recentemente, conseguiu um trabalho como cortador de cana-de-açúcar em Patrocínio Paulista (SP) e por necessidade ficava lá durante a semana, mas retornava aos sábados, domingos. Atualmente, Neuclair está desempregado. “Nunca mudei daqui. O que aconteceu foi que arrumei trabalho em Patrocínio Paulista e revezava entre lá e aqui. Não levei nada da minha casa de Restinga para Patrocínio Paulista. Durante o tempo em que trabalhei lá, eu e minha família ficamos de favor na casa da mãe e das irmãs da minha mulher. A nossa casa continuou aqui”, disse Neuclair.
Segundo a mulher do serviço gerais, Geise Reis Gonçalves Dias, 28 anos, máquinas e caminhões chegaram de surpresa para a demolição. Ao verem os vizinhos colocando os móveis nos caminhões e, logo em seguida, as máquinas demolindo as casas, eles questionaram o que seria feito com o imóvel onde eles moram.
A resposta foi que nada seria feito até que a Prefeitura alugasse uma casa para eles morarem. De acordo com Neuclair, o imóvel que deve ser alugado possui apenas dois cômodos e não comporta sua família. Além disso, a atual instabilidade política do município também preocupa o serviços gerais. “Aqui em Restinga, cada dia é um prefeito. Pode acontecer de eles fazerem um contrato de seis meses e se entrar outro prefeito resolver não pagar o aluguel e eu e minha família estaremos na rua de novo”, explicou.
Revoltado, Neuclair procurou a Defensoria Pública ontem que solicitou deu dez dias para a CDHU fornecer informações sobre a sua situação.
Outro lado
Assim como a Prefeitura de Restinga, a CDHU respondeu ao Comércio da Franca que dois moradores não foram contemplados porque não residiam no local em 2012, “ocasião em que foi feito o congelamento da área e a indicação dos moradores para o atendimento habitacional.”
Ainda de acordo com a companhia, 14 imóveis foram reservados às famílias moradoras da área de risco indicadas pela prefeitura do município. Um dos contemplados desistiu do imóvel por motivos particulares e o outro, segundo a CDHU, ainda não se mudou para o novo conjunto habitacional porque demorou a entregar os documentos, mas a assinatura do contrato de financiamento deverá acontecer até o final desta semana, quando então o imóvel será entregue.
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