Não se podem aceitar as razões pelas quais o prefeito de Franca (PSDB) cancelou dois programas de reconhecida importância para a formação e o conhecimento dos alunos da rede municipal. O Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência) e o Jornal na Sala da Aula colhiam bons frutos e, de uma hora para outra, a Prefeitura Municipal os deletou das escolas. A promessa de que a Secretaria de Educação iria substituí-los foi um engodo pois nada foi feito e as crianças -- pelo menos as que estudam na rede municipal -- ficaram órfãs de iniciativas que já provavam a sua eficácia, em termos de educação, prevenção e cidadania.
O Proerd, implantado pela Polícia Militar há mais de 16 anos em Franca, replica-se por milhares de municípios do País. Os estudantes da 1ª a 4ª séries do ensino fundamental são orientados sobre o perigo das drogas e as implicações que o vício impõe não apenas ao usuário mas também aos seus familiares. Uma frase clássica, muito usada pelas autoridades de segurança, afirma que ‘investir em educação reduz a construção de presídios’. Mas parece que o prefeito não pensa assim. Um ano depois de ter cancelado o Proerd, nada fez para colocar programa semelhante no lugar.
Quanto ao Jornal na Sala de Aula, cuja sobrevivência felizmente independe da vontade do chefe do Executivo francano, os alunos da rede municipal estão privados de uma excelente ferramenta complementar ao currículo escolar, bem aproveitada pelos das redes estadual e particular de ensino. Os professores envolvidos no processo destacam a facilidade que têm em introduzir os estudantes do ensino fundamental ao hábito da leitura. Além disso, os alunos adquirem o gosto pela notícia e o interesse pelo que acontece em Franca, no Brasil e no mundo.
Reconhecido pela qualidade de sua proposta e das ações que promove — além de mostrar aos estudantes todas as etapas de produção do Comércio e do trabalho na rádio Difusora, ainda promove oficinas aos professores com profissionais especializados —, o programa Jornal na Sala de Aula, uma iniciativa do Grupo GCN, que se espelhou em modelos referendados pela ANJ (Associação Nacional de Jornais), desenvolve o seu trabalho sem onerar o Poder Público. Com o Proerd era a mesma coisa: a PM oferecia os monitores e o material de trabalho.
O prefeito de Franca agiu movido por motivos mesquinhos no caso do programa destinado a desenvolver habilidades de leitura e cidadania através do jornal. Não suportou o fato de que críticas ao seu governo, veiculadas nas páginas do Comércio, chegassem aos professores, às crianças e suas famílias. Incapaz de conviver com o contraditório, aboliu o programa, como se ao fechar janelas conseguisse anular a paisagem. Ao cancelar os dois programas, deixou os alunos da rede municipal órfãos de iniciativas que nada custavam ao erário e promoviam o desenvolvimento de atitudes cidadãs. Quanto ao Proerd, até hoje não se conhecem as causas reais que motivaram sua extinção. De certo, o que se tem é que não houve substituto à altura e as iniciativas de enfrentamento ao vício de drogas mostram-se insípidas até agora. Em termos de educação, pelo menos no que tange aos programas citados, o prefeito de Franca arrasa. Como Átila, o rei dos hunos.
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