O Sindicato dos Sapateiros de Franca entrou com uma ação na Justiça Federal denunciando supostos crimes da empresa de calçado Tenny Wee. No documento, é solicitada a decretação da prisão preventiva dos sócios proprietários da empresa. O advogado Márcio de Freitas Cunha pediu a apuração de crimes de desrespeito aos deveres trabalhistas e previdenciários. A ação se relaciona à demissão de cerca de 400 funcionários na última sexta. “Foi declarado pelo Sindicato que os funcionários têm como provar que foi descontado o INSS da folha de pagamento, mas que não foi recolhido aos cofres públicos. Agora tivemos a notícia mais grave, ou seja, que alguns funcionários tinham empréstimos consignados junto a instituições financeiras e a Tenny Wee descontava, mas não pagava o banco, assim os funcionários ficaram com o nome negativado”, explicou.
Márcio Cunha foi responsável pelo procedimento que explicita os delitos de apropriação indébita previdenciária e sonegação de contribuição previdenciária, envolvendo Fundo de Garantia não depositado e férias vencidas. O requerimento foi distribuído para a 2ª vara da Justiça Federal e aguarda apreciação do juiz. “Pelo volume de funcionários envolvidos e em razão do fato dos proprietários sumirem e não darem informações, a chance de decretação da prisão preventiva é grande”, afirma Márcio. Entre os sócios apontados no documento não consta o diretor Alexandre Henrique Ferreira, que administrava a Tenny Wee. A empresa está cadastrada no nome de Breno Arley Ferreira e Joselino de Souza Ferreira Martins.
De acordo com o presidente do Sindicato Fábio Cândido, além da ação criminal,a organização entrou com uma ação trabalhista para agilizar a liberação do seguro-desemprego e a liberação do fundo de garantia. O requerimento envolve cerca de 700 funcionários, pois considera os demitidos em 2013. Ex-funcionários da Tenny Wee procuraram ontem o sindicato para resolver a situação do seguro-desemprego e tentar garantir direitos.
Um braço da Tenny Wee, a empresa Schio, também demitiu ontem seus funcionários. De acordo com ex-funcionários, a produção parou na quinta-feira passada, pois todas as máquinas da empresa teriam sido retiradas devido ao não pagamento do aluguel. Na manhã de ontem, funcionários foram à empresa. “A gente está esperando a papelada para conseguir receber o seguro-desemprego e o fundo de garantia. Aqui tem 45 funcionários e todos foram dispensados”, afirmou a pespontadeira Isabel Cristina Pereira, 28. A situação da Schio foi comunicada aos funcionários pelo diretor Breno Arley Ferreira.
Falência
A advogada da Tenny Wee, Luciana Figueiredo, não foi encontrada ontem para falar sobre o assunto. Apesar de várias ligações, nenhuma foi atendida ou retornada até o fechamento da edição.
Ao site “G1”, ela teria dito que a empresa deve anunciar falência esta semana.
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