Políticos, candidatos e o ex-presidente Lula têm se ocupado em criticar a imprensa. Utilizam o horário eleitoral gratuito para insurgir contra veículos de comunicação, classificando-os ‘partidos de oposição’.
Nada mais injusto quando dito como o ex-presidente que, desde o emergir do sindicalismo e em toda a sua trajetória, foi agraciado com largos espaços na mídia. O que teria mudado?
Não é a primeira vez que Lula bate na imprensa. No final de seu segundo mandato presidencial, tentou impor à nação uma legislação de controle e amordaçamento a meios de comunicação.
Só não o fez por causa da reação da sociedade. Deixou semente que pode germinar ainda, em Brasília.
Imprensa livre é pressuposto da democracia. Sempre que há retrocesso, independente da ideologia, o primeiro ato é censurar a imprensa.
No Brasil contemporâneo, todas as mazelas que têm sido levadas ao conhecimento da população e, na medida do possível, submetidas à apuração do Judiciário, se deve ao trabalho da imprensa livre e destemida, mesmo com todas as pressões que sofrem jornais, emissoras de rádio e televisão, e jornalistas.
Sem essa atividade, malfeitos continuariam e malfeitores seguiriam impunes.
A imprensa brasileira tem tradição de serviço e luta. Sofreu revezes e incompreensões mas, na somatória dos acontecimentos, é vitoriosa, na medida em que o país avançou.
Denunciar mazelas é sua mais importante obrigação, assim como governantes têm o dever de governar, e o judiciário, de julgar.
Não deve ser encarada como pessoal e nem classificada como militância, pois se trata apenas da natureza de sua atividade.
Lula, por certo, não acha ter sido opositora ou até golpista a imprensa que, cumprindo sua finalidade, deu guarida à sua pregação contra os governos militares e civis que antecederam sua posse na presidência da República.
Dirceu Cardoso Gonçalves
Articulista
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