Demissão de 400 pessoas encerra longas histórias na Tenny Wee


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Funcionários da empresa de calçados assinam aviso prévio na última sexta-feira à tarde
Funcionários da empresa de calçados assinam aviso prévio na última sexta-feira à tarde
O fim de anos de trabalho marcou a vida de cerca de 400 funcionários demitidos da empresa de calçados Tenny Wee. No dia 21 de agosto o não pagamento da quinzena foi o limite para os funcionários que não tinham o fundo de garantia depositado regularmente, enfrentavam atrasos frequentes nos salários ou aguardavam acertos financeiros. 
 
Um protesto foi organizado na área externa da fábrica e algumas pessoas chegaram a dormir no barracão aguardando um posicionamento do diretor Alexandre Henrique Ferreira. Na sexta-feira, por volta das 14h40, os funcionários receberam o aviso de demissão e deram baixa na carteira de trabalho. 
 
Em uma grande fila no refeitório da Tenny Wee, histórias de muitos anos de dedicação ao trabalho tiveram um fim. O pespontador Jovaneo Pereira de Souza, 49, trabalhou por 14 anos na empresa. “Era uma fábrica muito boa. A gente não pensava que ia acontecer isso, para mim a gente foi jogado fora como um lixo”, desabafou. Ele reclama do abandono dos responsáveis pela empresa, que deixaram os funcionários sem informação. Ele contou que já viu colegas serem demitidos, mas não dessa forma, sem fundo de garantia e com irregularidades no pagamento. 
 
“Vocês podem ir embora que acabou”, foi com essas palavras que o supervisor de produção anunciou o início do processo que culminou na demissão, conta Antônia Rodrigues de Almeida, 37, pespontadeira. Ela trabalhou na Tenny Wee durante 10 anos e disse que ficou em choque sem acreditar no que estava acontecendo. Um dos problemas enfrentados por Antônia é que sua carteira nunca foi atualizada, ainda permanece com seu primeiro cargo ou auxiliar de pesponto, registrado com um salário menor que o atual. “Teve gente que chegou a passar mal por causa disso, tem muitas pessoas nessa situação, não sei se terá recurso para isso”, contou. Antônia Almeida ainda não sabe o que vai fazer e diz que sentirá falta dos colegas de trabalho que eram como uma família para ela. 
 
A pespontadeira Tânia Regina Jonas Vieira, 50, também perdeu o emprego. “Eu trabalhei de 2004 a 2010, eu gostava muito de trabalhar na empresa. Eu precisei sair e voltei em 2012, pediram para eu mandar currículo que estavam precisando de gente, estava um movimento grande na fábrica. Aí começou a ter boatos de que a empresa podia fechar a qualquer hora e começou a ficar difícil trabalhar com essas dúvidas”, disse. Ao verificar seu fundo de garantia, Tânia constatou depositado o valor de R$289,00, quando o correto seria mais de R$1.000,00. 
 
Dentre as contas que aguardavam para serem pagas com a quinzena não recebida, estão parcelas de uma máquina de lavar roupas e o tratamento dentário da ex-funcionária. “Na última reunião, o Alexandre deixou claro que a situação estava difícil, ele chegou até a chorar. Eu fiquei com pena dele, mas a gente não acreditava que ele podia abandonar a gente assim”. Ela pretende continuar trabalhando no setor calçadista.

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