Uma pessoa desaparece a cada 31 horas


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Delegado Márcio Murari, da DIG, é responsável pelos casos que, em sua maioria, envolvem adolescentes e seus namorados
Delegado Márcio Murari, da DIG, é responsável pelos casos que, em sua maioria, envolvem adolescentes e seus namorados
Segundo o Código Penal, desaparecimento não é crime. Diante desta premissa, a maioria das ocorrências registradas na Polícia Civil de pessoas desaparecidas não era investigada. Isso ocorreu até maio deste ano. Em junho a realidade mudou. Por determinação da Delegacia Geral de Polícia, as DIGs (Delegacias de Investigações Gerais) assumiram a responsabilidade pela apuração de ocorrências do gênero no Estado.
 
A delegacia de Franca responde pelos procedimentos de investigação de todos os boletins de desaparecimento de 17 cidades que fazem parte da jurisdição da Delegacia Seccional de Franca. “A medida visa dar rapidez às buscas e investigações antes feitas pelas delegacias de cada município e melhorar a resposta às famílias das vítimas”, destacou o delegado Márcio Garcia Murari, que reponde pela especializada local.
 
A apuração centralizada teve início em 1º de junho. Até a última quinta-feira, 21, a DIG instaurou 64 PIDs (Procedimentos de Investigação de Desaparecido), ou seja, um caso a cada 31 horas. Do total de desaparecidos no período, 32 voltaram para o convívio familiar espontaneamente. Outros 17 foram localizados pela polícia, como uma menina de 12 anos, levada para a Bahia por um rapaz de 18 anos que conheceu em Franca (leia nesta página). Outras 15 pessoas continuam sendo procurados. Em alguns casos, há pistas, mas os desaparecidos não foram localizados.
 
Entre os esclarecidos, há o que envolve uma estudante, esta de 13 anos, que desapareceu de Aramina (SP). A polícia descobriu que ela estaria em Franca, morando com um tio de 42 anos, irmão de seu pai. Eles foram localizados no final da noite de sexta-feira (leia mais nesta página). 
 
Entre os PIDs não encerrados estão o de um francano que a polícia tenta localizar em Marília (SP), onde viveria como morador de rua, e uma jovem de 15 anos que está em Ribeirão Preto (SP), mas se recusa a voltar por “não combinar” com a mãe. 
 
Revolta adolescente
Um em cada três registros de pessoas desaparecidas na região da Delegacia Seccional de Franca envolve adolescentes com idade entre 12 anos e 17 anos. “Em grande parte dos casos, o menor se revolta quando os pais exigem responsabilidades ou se negam a aceitar namoros. Então eles decidem fugir de casa”, disse Murari. 
 
Na maioria das vezes, há pessoas que ajudam o menor a se esconder. Os casos mais comuns envolvem adolescentes que fogem com namorados. “Se a pessoa envolvida (na ajuda) é maior de idade, poderá ser enquadrada por crime de exploração de vulnerável e até estupro”, ressalta o delegado.
 

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