‘Aonde o PSDB só levou presídio, nós vamos levar escolas’, disse Padilha


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No auditório da sede do GCN, Padilha foi entrevistado por uma hora e meia pela equipe de jornalistas do grupo. Respondeu a todas as perguntas e expôs várias ideias e propostas de governo
No auditório da sede do GCN, Padilha foi entrevistado por uma hora e meia pela equipe de jornalistas do grupo. Respondeu a todas as perguntas e expôs várias ideias e propostas de governo
O segundo candidato ao governo do Estado a ser entrevistado na série de sabatinas promovidas pelo GCN foi Alexandre Padilha (PT). O ex-ministro da Saúde falou sobre suas propostas para São Paulo e não deixou de cutucar o adversário Geraldo Alckmin (PSDB). 
 
Esbanjando simpatia, o petista ainda defendeu o fim da progressão continuada, a integração das polícias civil e militar, a criação de corredores econômicos e o combate à corrupção com a criação da Controladoria Geral do Estado
 
Por que o senhor quer ser governador do Estado de São Paulo?
Sou uma pessoa que tive a minha infância e parte da juventude vivida na periferia da Zona Sul de São Paulo, bairro do Campo Limpo. Me tornei médico pela Unicamp e pela USP. Sei que esse estado tem oportunidades que as pessoas podem abraçar para crescer cada vez mais, crescer com suas famílias, para desenvolver conhecimento, mas sei que essas oportunidades não estão para todos. Quero ser governador para que todo o povo paulista, de toda classe social, possa ter as mesmas oportunidades de desenvolver sua família, para fazer seu investimento, para gerar emprego, ter seu negócio, poder cursar uma universidade. Quero ser governador do Estado de São Paulo para que a gente retome a liderança em todos os setores. Quando estudei na USP, era a primeira universidade da América Latina, nos anos 1990. Hoje, infelizmente, no último período do governo do PSDB no Estado de São Paulo, colocou a USP em uma crise financeira, em uma crise financeira que também afeta a Unesp, a Unicamp e fez com que essas universidade perdessem a liderança que tinham na América Latina. Que o setor calçadista, como no exemplo de Franca, que já teve participação de 6% na indústria calçadista do Brasil, nos últimos 10 anos caiu para 3%, retome o papel de liderança. Quero ser governador de São Paulo, para transformar esse Estado no melhor lugar para se investir, para estudar e também no melhor lugar para se viver, com segurança.
  
Uma de suas propostas é a ampliação do ensino integral com a criação de mil CEUs, que são o Centros Educacionais  Unificados voltados para o ensino médio. Como devem funcionar esses centros?
Temos três eixos de propostas na área da educação. Primeiro, os alunos e os pais terão boletins para acompanhar, sala de reforço para os que não aprenderam naquele momento. É o programa “aprendizagem é direito”. Para nós o que importa é aprendizagem continuada e não aprovação continuada como é hoje. Teremos também as escolas técnicas, as Etecs e o Pronatec Paulista. Aonde o PSDB só levou presídio, nós valor levar escolas técnicas estaduais para apoiar a nossa juventude. E o terceiro eixo são os Ceus. Quero levar essa experiência para o ensino integral, em dois turnos, com professores recebendo mais para ter dedicação exclusiva naquela escola, estrutura de esporte e cultura, com parcerias com a comunidade para que a gente aposte na nossa juventude. Eu quero cuidar dos nossos jovens; de 18, de 16, de 14 ou de 12 anos, porque eles são o futuro do nosso Estado.
 
 O governo mantém um sistema de premiação dos professores com base no cumprimento de metas de avaliação. O que o senhor pensa a respeito? Se eleito deve manter esse mesmo sistema já vigente? E qual seria o piso ideal para os professores?
Defendo que você tenha formas de remunerar os funcionários do estado, não só os professores, mas toda a equipe da escola pelo desempenho do seus alunos. Em três anos como Ministro da Saúde do governo Dilma criei isso, por exemplo, a Santa Casa que tem um atendimento adequado, recebe o dobro do que recebe um outro hospital do SUS, por exemplo. Defendo que você tenha política, inclusive de dar incentivos pro conjunto da escola, para os professores e para a comunidade, pelo bom desempenho dos alunos. Não é isso que acontece hoje, infelizmente esse que é o bônus, hoje, 85% dos professores recebem o bônus, do jeito que é o bônus hoje, não se têm os indicadores corretos de acompanhamento disso. Quero melhorar esses indicadores. Segundo, em relação ao salário, acabamos de aprovar o Plano Nacional de Educação que estabelece que em dez anos o salário dos professores chegue ao salário das outras atividades de ensino superior da rede pública. O professor é fundamental, eu não seria médico se não tivesse tido um professor que me ensinou a ler, a escrever, a fazer matemática, e ciências. Então, pra gente cumprir o Plano Nacional de Educação, aqui no estado de São Paulo, significa na média dobrar os salários dos professores. Eu quero ser Governador de São Paulo pra ser o primeiro Estado do país a cumprir a meta do Plano. O que o Plano estabelece em dez anos eu quero cumprir antes disso e os professores que forem para as áreas mais vulneráveis, mais pobres, na periferia, com dedicação exclusiva ao CEU da Juventude, já dobrar o salário de imediato nesses primeiros dois anos.
  
Uma pesquisa divulgada pelo Datafolha, mostra que a saúde é a principal preocupação dos eleitores paulistas. Segundo dados do Conselho Federal de Medicina, o Brasil gasta por dia por habitante o equivalente a R$ 3,05. Com a experiência de quem foi Ministro da Saúde por três anos, que avaliação faz deste valor?
Esse é um grande desafio que temos que é melhorar cada vez mais e investir mais na saúde. Quando o presidente Lula assumiu o Governo Federal, o orçamento do Ministério da Saúde era R$ 27 bi. Quando virei ministro, em 2011, o orçamento era cerca de R$ 70 bi. Eu saí do Ministério com o orçamento de R$ 106 bi, ou seja, nós ampliamos o orçamento e os recursos nesse período e precisamos ampliar cada vez mais. O governo do estado de São Paulo tem que participar do financiamento da saúde. Você sabia que o Samu é sustentado em São Paulo só pelo Governo Federal e pelos municípios? São Paulo é o único estado na região Sudeste do Brasil que não coloca R$1 no Samu. As duas UPA’s 24h que liberei recursos para construção e equipamento, aqui em Franca, quando começarem a funcionar, elas serão sustentadas só pela prefeitura e pelo Governo Federal. O estado de São Paulo não põe R$ 1 nas UPA’s. Quero ser governador, até para o prefeito de Franca saber, para a população saber, para colocar recursos para o financiamento e para a manutenção das UPAs 24h. Quero ser governador de São Paulo para que o Estado participe do financiamento da saúde do nosso país.
 
Com a ampliação no orçamento do Ministério, que o senhor diz ter feito em sua época fez, por que vemos tantas crises nos hospitais filantrópicos?
Entre outras coisas, aconteceu isso na capital. O governo do Estado de São Paulo não repassou para as Santas Casas o que o Ministério passou pra ele. Acabou de acontecer isso com o provedor da Santa Casa, não tem nenhuma relação com o PT. Durante meu Ministério da Saúde, em 2011, você tinha uma forma de pagamentos dos hospitais. Você acha que é correto um hospital que se esforça para realizar uma cirurgia naquela semana que o paciente internou receber a mesma coisa que um hospital que demora trinta dias para faze ruma cirurgia? Eu coloco em primeiro lugar o interesse do paciente, tanto que criamos um incentivo que era o dobro do que se pagava à Santa Casa pelo SUS para que o hospital faça a cirurgia em uma semana, ou seja, as Santas Casas, hospitais que reduzirem o tempo de espera, melhorar o atendimento ao paciente, recebe o dobro. Aquelas que fizeram isso estão conseguindo reequilibrar suas contas. Quero ser governador para criar um incentivo no estado na mesma linha.
 
Em seu programa de governo, na área de segurança pública, uma das propostas é a criação da Força Paulista Integrada de Segurança. Como funcionaria essa força?
Conheci experiências em outros países, de você integrar a ação das polícia e reduzir a violência. Hoje, por exemplo, no nosso estado de São Paulo, se você pegar um quarto das ocorrências, ligações para o 190, por exemplo, serão pequenos conflitos entre vizinhos. Às vezes é um comerciante pedindo para tirar uma pessoa que está na frente de seu estabelecimento, e aí é encaminhado para a ocorrência um policial militar, com viatura, isso que quando acha o endereço, porque o governo do Estado de São Paulo criou uma coisa para o 190 que é centralizar... a pessoa liga para o 190 aqui em Franca e quem atende de lá (da Central em Ribeirão Preto) não conhece a rua de Franca, não sabe onde fica a Padaria Estrela, não sabe os caminhos, ele nem chega nesse endereço. Bem, quando chega, você destaca um policial militar que deveria estar agindo para combater os crimes mais pesados, para casos que deveriam ser resolvidos pela Guarda Civil do município. A ideia da Força Paulista de Segurança é uma ação integrada, que junta no mesmo lugar Comando Integrado, Polícia Militar, Polícia Civil, as Guardas Civis dentro do município , cooperação com a Polícia Federal. Ou seja, aquilo que deu certo na Copa, agora, foram centros integrados que tinham Polícia Federal junto, PM junto e Guarda Civil dos municípios, eu quero que seja permanente dentro de São Paulo, não só durante a Copa. Por isso nós vamos criar essa Força de Segurança. 
 
O senhor é a favor da unificação das polícias Civil e Militar?
 Hoje nós temos Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Científica no Estado de São Paulo e eu defendo que elas fiquem do jeito que estão, com estruturas próprias, com valorização dos profissionais, dos policiais, valorização dos delegados da Polícia Civil, valorização dos policiais militares, o PT já mostrou com a reestruturação da Polícia Federal, que valoriza, paga bem os seus policiais porque eles precisam ser bem remunerados para defender a população quando precisa. Mas se precisa ter uma operação conjunta, o comando integrado conjunto, a formação na academia já conjunta, o banco de dados. Hoje, o banco de dados das polícias civil e militar deveriam ser integrados, um policial militar que está fazendo uma abordagem na rua deveria ter, na rua, na sua viatura, no seu laptop, no seu celular todas as informações que a polícia civil tenha sobre aquele bandido, sobre a pessoa que ele esteja abordando lá. É isso que presenciamos em Nova York e Chicago. Fui conhecer essa experiência e quero fazer aqui em São Paulo uma Força Paulista de Segurança.
 
 Também em seu plano de governo, o senhor fala sobre a instalação do videogeomonitoramento. Há cerca de 15 dias, começou a operar no Estado de São Paulo o sistema Detecta, uma parceria do governo Alckmin com a Microsoft que traz a mesma tecnologia da cidade de Nova York. O que o senhor pensa a respeito? E se eleito deve dar continuidade ao programa?
O atual governador virou o governador “Ctrl+c, Ctrl+v”, os jovens aí que mexem com computadores vão entender isso. Eu inovei em um debate em uma sabatina e apresentei essa proposta. Depois fevereiro e março, fui a Nova York e Chicago para conhecer exatamente o que é feito hoje. O que eu percebi em Nova York e Chicago? Uma coisa que já tinha visto aqui em São Paulo: você tem no estado de São Paulo 1 milhão de câmeras, nas agências de banco são mais de 40 mil câmeras, estacionamentos de shopping centers e em grandes supermercados mais de 15 mil câmeras. Um bandido, hoje, quando rouba um carro, ele deixa parado no estacionamento de shopping center em seis, sete horas, para ver se aquele carro tinha GPS ou não, sete horas depois ele vai lá buscar o carro; depois de sete horas o carro foi filmado, a placa registrada, o bandido que saiu do carro foi filmado e o governo do Estado de São Paulo não aproveita essa imagens. Então fui ver como Nova York e Chicago fazem hoje, não só com câmeras do estado, mas com as câmeras privadas e quero trazer isso para o Estado de São Paulo. Quando anunciei isso o governador foi rápido e fez um protocolo dizendo que ia instalar o mesmo sistema aqui. A diferença é que a cópia que ele faz nunca é igual a original o “Mais Médicos” foi exemplo disso: Eu criei o programa “Mais médicos” que aqui no Estado de São Paulo atende 10 milhões de paulistas que moram em bairros que não tinham nenhum posto de saúde. Aqui em Franca são 10, podia ser mais, em Matão tem mais de 18 médicos, São Joaquim da Barra é um número muito maior, várias cidades. No Estado de São Paulo são mais de 2 mil. Depois que criei os mais médicos, o atual governador foi fazer o Ctrl+c, Ctrl+v para criar o “Mais Médicos Paulista”, a diferença é que o meu “Mais médicos”, em um ano trouxe mais de 2 mil médicos pra São Paulo e para os bairros mais carentes que não tinham médicos.
 
O partido do governador afirma que o senhor tentou copiar o mesmo programa. Afinal, quem deu “ctrl+c” em quem?
 Eles, ficou explícito. Eles estavam estudando, essa é a diferença do PSDB conosco. O PSDB está há 20 anos estudando, estudando, estudando, há quatro anos eles estão estudando criar o “Bom Prato” em Franca e até agora não criaram. Há décadas, vocês sabem, eles estão estudando duplicar a Rodovia entre Franca até a divisa de Minas Gerais. A cada eleição, de quatro em quatro anos, vemos um outdoor “Agora nós vamos duplicar a Cândido”, até hoje não saiu a duplicação. Essa é a diferença, o PSDB estuda, estuda, estuda, nós do PT estudamos, mas fazemos. Atendemos a população. 
 
Se o Senhor for eleito, o “Bom Prato” sai quando? E a duplicação sai quando?
 O “Bom Prato” sai de imediato, é um absurdo o programa demorar quatro anos, vou trazer o “Bom Prato” não só pra Franca, mas vou criar também em Ribeirão Preto, perto do Hospital, os pacientes do Hospital das Clínicas e seus familiares precisam do “Bom Prato”, já foi prometido também e não saiu. Então, vamos trazer o “Bom Prato” pra Franca e em quatro anos vamos duplicar a rodovia.
 
Em sua campanha, o senhor tem afirmado que as penitenciárias se tornaram escritórios administrativos do PCC. Neste setor específico quais são suas propostas?
 Nós temos que, em primeiro lugar, bloquear os celulares dentro dos presídios. O PCC cresceu e se tornou o que é, a maior facção criminosa do país, ao longo dos 20 anos do governo do PSDB. Hoje a sensação de todos no estado de São Paulo é que reina a impunidade, a impunidade começa porque menos de 5% dos crimes cometidos em São Paulo são esclarecidos, depois os poucos bandidos que são presos vivem nas penitenciárias comandando a facção criminosa. Então em primeiro lugar é bloquear celular, porque território de penitenciária não pode ser território de bandido, deve ser território do estado. E a outra coisa o que é? Fazer parceria com a Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal. Porque você só sufoca uma facção criminosa, quando você bloqueia os recursos financeiros dessa facção. Essa é a experiência mundial do combate ao tráfico de drogas, você seguir o dinheiro, pra isso você tem que ter uma parceria com a policia federal, com a PRF e com a receita. O atual governo do Estado, que coloca o partido na frente da população, se negou a fazer essa parceria. Várias vezes o secretário de segurança pública de São Paulo bateu boca com o Ministro da Justiça, dizendo que não ia fazer parceria com a PF ou com a PRF, para sufocar a situação dos criminosos. Eu farei as parcerias, independentes dos partidos que governam os municípios, ou governo federal. No meu interesse vem em primeiro lugar a população.
 
 Como vai ser possível aumentar o efetivo policial na nossa região?
 Primeiro lugar, distribuir melhor o efetivo policial. Vocês certamente viram o governo do estado de São paulo divulgava que 14 mil policiais que faziam atividades administrativas estavam agindo nas ruas; na verdade, eles estavam atendendo ligações, em outras repartições, dentro dos batalhões. Nós vamos reestruturar toda a PM para que esses policiais que ficam dentro das repartições estejam nas ruas, próximos das pessoas, das comunidades, evitando crimes e com forte ação de inteligência, como eu disse, utilizando imagens, câmeras e materiais de inteligência para poder agir com mais eficiência.
  
Ainda na área de segurança, uma medida que vem sendo tomada pelo atual governo é a centralização do 190 para acionar a polícia. Em entrevista à Folha de São Paulo em maio, o senhor se disse favorável à terceirização do serviço para que um maior número de policiais seja colocado nas ruas. O senhor mantém esse posicionamento? 
 Eu sou a favor da descentralização absoluta, do 190 voltar para os pólos regionais, saiu de Franca para Ribeirão e pode ir até para a Capital, voltar para os pólos regionais. As pessoas não podem achar que vão conhecer a cidade pelo “Google Maps”, olha ali e sabe o endereço de tudo, vamos descentralizar. E também sou a favor de fazer como é feito tanto em Nova York como em Chicago, onde essas ocorrências têm a supervisão de um policial armado, mas a operação é feita com servidores não necessariamente armados. Hoje você tem um conjunto de policiais treinados para andar e atender abordagens nas ruas armados e estão dentro de salas de atendimento do 190. Sou a favor das descentralização e colocar servidores com supervisão de um PM, mas colocar servidores não necessariamente militar para fazer o atendimento. Então você tem o setor dos servidores militares, com treinamento para estarem nas ruas, defendendo as pessoas e as famílias.
  
Sobre as internações, o senhor é a favor da internação compulsória?
 Eu, como médico, sempre digo que toda pessoa que corre um risco de vida - e um profissional de saúde que foi lá e viu aquela pessoa, ele sabe se ela corre risco de vida -, a nossa lei estabelece que ela deve ser internada, isso na avaliação de um profissional da saúde. O que não se pode permitir é que uma pessoa seja internada pela avaliação da polícia, por avaliação de uma pessoa que não é profissional da saúde, que não é qualificado para isso. 
 
 Qual a sua opinião sobre a legalização da maconha?
Sou contra qualquer mudança das leis atuais sobre drogas que nós temos no país. Essa é minha mesma posição de quando eu era Ministro da Coordenação do governo Lula, ou seja, eu era responsável por acompanhar os projetos do Congresso Nacional. Usuário você tem que tratar da saúde, para a reinserção social, projetos que recuperem valores, de esporte e cultura e parceria com instituições religiosas. E temos que ser duros no combate ao tráfico, com autoridade policial, força policial, em parceria com a PF, para não deixar que os traficantes comandem as penitenciárias do estado de São Paulo.
 
Em julho, durante sua visita a Francal 2014, o senhor afirmou que Franca faz parte do centro da ideia do desenvolvimento do nosso estado e que terá toda a sua atenção. Neste sentido, quais são suas propostas para a indústria calçadista, que é o principal setor econômico da cidade?
 Nosso Estado de São Paulo tem muita diversidade, precisamos apoiar o setor de cada região, que chamamos de corredores da inovação. Aqui, em relação à indústria calçadista, primeiro, o governador de São Paulo tem que usar a importância política que só esse estado pode ter para acabar com o que temos hoje, que é a guerra fiscal. Várias indústrias saíram da região e foram para outros estados. Existe uma guerra fiscal no país. São Paulo tem força política, tem capacidade de articulação no Congresso Nacional para que a gente faça uma reforma tributária, acabe com a guerra fiscal. A gente perdeu empregos aqui na região porque as indústrias acabam saindo daqui por outros incentivos nas outras regiões. Segundo, reduzir os custos de produção industrial, nos corredores da inovação, que os empresário têm, hoje, facilitando o transporte de cargas e passageiros, reduzir os preços dos pedágios, retomar os investimentos na linhas ferroviárias para facilitar e baratear os custos, facilitar o acesso à internet, porque hoje é um custo elevado para o empresário com investimentos no interior o acesso à rede. Tem que ter banda larga fácil, rápida e barata para que ele possa se conectar, melhorar a qualidade da educação para que se tenha um trabalhador mais bem informado para esse empresário. E criar para o Pronatec Paulista, que terá dois milhões de vagas, vagas específicas para a qualificação do trabalhador da indústria calçadista. Hoje o empresário tem que pagar a qualificação do trabalhador. Eu quero falar para o empresário que se ele quiser investir aqui em Franca ele vai ter forte investimento na qualificação do trabalhador, ou seja, vai ser atrativo para ele manter os investimentos aqui em Franca.
 
(Pergunta do internauta Luís Carlos) Quando o PT comandou as prefeituras de Franca e Ribeirão Preto suas administrações deixaram dívidas e escândalos. Aqui em Franca o PT quase não conseguiu eleger vereadores, como o senhor pretende reverter isso?
 O nosso ex-prefeito Gilmar Dominici, aqui, teve a infelicidade de ser prefeito durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, quando não existia investimento do governo federal nas prefeituras ou só existia para as prefeituras que eram aliadas do governo. Eu mudei essa situação no país porque fui secretário de assuntos federativos, ou seja, fui o responsável pela interação do presidente Lula com os prefeitos e prefeitas de todo o Brasil, começamos a ter uma postura republicana, o maior símbolo de uma postura republicana é que em Franca, que é governada por um prefeito que não é do nosso partido, um prefeito que às vezes tem posturas inclusive indelicadas, desrespeitosas, mal educadas com as pessoas, recebe um investimento de mais de R$ 160 milhões do governo federal para garantir água para a população de Franca, ou seja, veja se durante o período todo que o PT governou Franca recebeu um décimo desse valor do nosso governo federal na época, que era o governo FHC do PSDB, ou seja, essa é a diferença, essa foi a diferença. Hoje as prefeituras têm mais condições de enfrentar os desafios que têm porque hoje tem um grande parceiro do governo federal e comigo governador, independente do partido que for o prefeito, terá o governador como um aliado para enfrentar seus problemas. 
  
 Em Franca, o Hospital Psiquiátrico Allan Kardek tem 90 anos e 230 leitos, mas a diretoria do hospital diz que ele pode parar de atender os pacientes do SUS por causa de um déficit financeiro e, segundo dados do presidente da instituição, a diária paga pelo SUS pelos pacientes é de R$ 42, mas os gastos do hospital para manutenção destes pacientes é de R$ 100. Qual é a opinião do senhor sobre essa situação do hospital psiquiátrico e quais são suas propostas para esse tipo de hospital específico no estado de São Paulo.?
 Nós temos que mudar, a lei estabelece isso, mudar este modelo de cuidar dos pacientes psiquiátricos. A lei acabou com os manicômios no nosso país, então os hospitais que quiserem fazer essa transição, ou seja, montar hospitais que sejam de curta duração ou longa permanência necessária, que essa longa permanência seja acompanhada, articulada pelos centros psicossociais, acompanhada pela família, esses hospitais que fizeram essa transição receberam mais recursos do Ministério da Saúde e eu como governador do Estado de São Paulo vou acompanhar isso de perto.
 
Qual sua proposta para reduzir o preço do transporte para o trabalhador e o senhor defende a implantação da tarifa zero?
Defendo o bilhete único integrado. O que é isso? Hoje vocês sabem, o governo do Estado de São Paulo tem responsabilidade sobre o transporte de ônibus nas regiões metropolitanas, ou seja, onde a MTU opera, e o transporte de trem da CPTM e o transporte de metrô. Mas hoje, uma pessoa que circula demais em uma cidade metropolitana, se é do ônibus da MTU, às vezes ela tem que pegar mais de um ônibus e pagar mais de uma tarifa, na região metropolitana da capital que tem metrô também, ela pega um ônibus e paga uma tarifa e depois vai pagar uma tarifa na CPTM e no metrô, de forma integrada. O bilhete único metropolitano, o que ele vai fazer, em todas as regiões metropolitanas do nosso estado de São Paulo - região metropolitana da capital, Vale do Paraíba, região metropolitana de Sorocaba, região metropolitana de Campinas, região metropolitana da Baixada Santista, onde a MTU que é o estado que opera, a gente vai ter apenas um bilhete que é de forma única, integrada na região metropolitana e com 25% de desconto do que é pago hoje.

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