Saúde em foco


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A campanha eleitoral, que está em pleno desenvolvimento e toma conta do País, com a propaganda gratuita no rádio e na TV, está sendo responsável por colocar em primeiro plano as discussões para a Saúde. A maioria dos candidatos, em todos os níveis, faz promessas sem apresentar qualquer caminho que possa viabilizar ideias mirabolantes. Não será nada fácil tentar modificar a questão sem que se tenha uma boa base no Congresso e apoio do Poder Executivo. Por isso, prometer melhorar a saúde torna-se uma daquelas tarefas inglórias e difíceis de levar a cabo. Nos últimos quatro anos, quase nada foi feito para reverter a situação calamitosa registrada pelo setor.
 
Enquanto os partidos da base do governo tentam amenizar a situação, o momento é propício para que as verdades sejam ditas e a questão debatida com seriedade e clareza. O principal ponto passa pelo financiamento da Saúde Pública, via SUS (Sistema Único de Saúde), cujos procedimentos continuam remunerados com os mesmos valores há mais de uma década. E isso tem levado uma série de hospitais, principalmente os filantrópicos, à insolvência. As Santas Casas, que em certos municípios são a única opção de atendimento para milhares de pessoas que dependem de tratamentos mais complexos, como as cirurgias eletivas, estão aí, dependendo de emendas parlamentares e investimentos de Estados e Municípios para continuar de portas abertas.
 
Não é hora de se falar em um tributo para aumentar o volume de dinheiro destinado ao setor, inclusive para reajustar as tabelas do SUS. A hora é de se buscarem alternativas que permitam a manutenção do atendimento, tratando-se pacientes de forma digna. O brasileiro já é responsável por uma das maiores cargas tributárias do mundo, que incide sobre ganhos e consumo e não merece mais ser penalizado. Trabalha-se por aqui quase metade do ano para pagar tributos, taxas e impostos. É preciso que se mude a situação.
 
O candidato ao governo do Estado pelo PT, Alexandre Padilha, apresentou em sua propaganda eleitoral uma série de medidas que ancoram o seu plano de governo para o setor de Saúde. Ex-ministro da área, incorre no erro de que, prometendo abundância de médicos e contratação de procedimentos com a rede privada, conseguirá alavancar a sua campanha. Porém, seu xará Alexandre Ferreira (PSDB), prefeito de Franca, também anunciou praticamente as mesmas providências, mas na prática não saiu do lugar: o valor a ser pago não interessa aos profissionais da saúde.
 
Ou seja, não adianta prometer sem o escudo de verbas suficientes que remunerem devidamente hospitais e médicos, além de reverter o sucateamento de espaços físicos que nos últimos anos se transformaram em depósitos de doentes, tratados até no chão em hospitais públicos. Os problemas estão aí e merecem ser discutidos, não só agora mas também após o pleito de outubro. Se a situação atual perdurar, continuará causando prejuízos e mortes, atingindo quem mais precisa de atendimento: a maioria da população brasileira que não tem acesso aos serviços particulares oferecidos em consultórios ou hospitais. 
 
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