A empresa de calçados Tenny Wee demitiu hoje cerca de 400 funcionários, que corresponderia ao total de empregados atualmente. “Estão saindo todos os funcionários, estamos dando o aviso e a baixa na carteira”, afirmou o chefe de produção, Willian Garcia, enquanto distribuía os avisos prévios de demissão.
Num clima de tensão e tristeza, os profissionais aguardavam desde o começo da manhã a chegada do documento do aviso prévio de demissão que estava sendo preenchido na empresa Schio, propriedade da Tenny Wee. Durante as horas de espera, os funcionários avaliavam a situação como um “clima de velório”.
Cansados e ansiosos eles conversavam entre si sobre as eventuais dificuldades que enfrentariam diante da dispensa e, também, sobre os passos que tomariam em busca de novo emprego e elencavam empresas para as quais pensavam em enviar currículos.
O desfecho da situação se deu por volta das 14h40. Numa grande fila no refeitório da fábrica, os funcionários receberam o aviso prévio e deram baixa na carteira de trabalho. Abalados, os funcionários do setor de recursos humanos trabalhavam nas demissões. “Nem contei o número exato de pessoas, não tenho cabeça para isso”, disse uma das funcionários com os olhos cheios de lágrimas.
Desde terça à tarde setores da empresa pararam a produção. O estopim da paralisação, segundo funcionários, foi o não pagamento da quinzena no dia 20 de agosto, mas a situação vinha com problemas já há algum tempo. O sindicato disse que a empresa não fez repasse do Fundo de Garantia e INSS e que frequentes atrasos de pagamento vinham sendo registrados. Cerca de 20 funcionários chegaram a passar a noite na fábrica com medo de que as máquinas fossem levadas pelos proprietários. “Estamos cansadas, porque faz mais de três anos que ele não deposita fundo de garantia. O atraso da quinzena foi a gota d’água. Ele falou em reunião que quando ele atrasasse de novo poderia considerar que fábrica iria fechar”, disse uma funcionária, que pediu para não ser identificada.
Adão Pereira de Sousa, funcionário da empresa há mais de sete anos, foi um dos primeiros a pegar o aviso prévio. “É por ordem alfabética, então fui um dos primeiros da fila. Trabalhei durante sete anos e seis meses aqui, vai ser complicado, mas a vida continua. Agora só a justiça. Vamos correr atrás dos nossos direitos”, disse o pespontador de 61 anos.
Sindicato
Na manhã de ontem, sexta-feira, o presidente do Sindicato dos Sapateiros, Fábio Cândido, havia confirmado que a demissão aconteceria. “A Tenny Wee não está cumprindo a ordem de recuperação judicial, o que é um crime. O próximo passa seria fechar”, disse Cândido. O advogado do Sindicato, Leonardo Marques Corrêa, explicou como fica a situação. “De imediato vai haver uma dispensa em massa e vai liberar o fundo de garantia e o seguro-desemprego para os trabalhadores”, declarou.
De acordo com ele, desde a última demissão, em 2013, a empresa fez um pedido de recuperação judicial, que é uma medida para evitar a falência, e deveria estar negociando com os credores e fazendo os pagamentos. A reportagem do Comércio da Franca tentou contato com o diretor da empresa, Alexandre Henrique Ferreira, e com uma das advogadas da empresa, Luciana Figueiredo, mas eles não foram localizados.
Histórico
Em julho do ano passado, a Tenny Wee demitiu 270 funcionários devido a uma queda na produção. O quadro de funcionários era de 749 trabalhadores. Após a demissão na época, houve protestos em frente à fábrica com a incineração de uniformes.
Após o corte, ex-funcionários reclamaram sobre o não pagamento de seus direitos. O advogado Leonardo Marques Corrêa entrou com um pedido de recuperação judicial para que os ex-funcionários tivessem direito de sacar o FGTS e requerimento do seguro-desemprego. A Tenny Wee foi fundada em 1971 por Antônio Orlandino Ferreira.
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