O poeta é ingenuidade só.
Ele vê a guerra, a opressão, a criança abandonada, acompanha os passos do andarilho. Então, uma borrasca avança desde suas entranhas e explode em forma de lágrimas ou de versos. Os raios, os trovões e a ventania permanecem, quase sempre, distantes de alheios olhos. A chuva torrencial e bendita, porém, cai e lava todo o mundo interior do poeta.
Deus é bondade só.
Em sua espera tranqüila vê a dor do oprimido, vê mais um andarilho desorientado, mais uma guerra louca, vê mais uma criança escorregando na orfandade e no abandono.
E Deus chora.
E suas lágrimas benditas chovem para que tudo floresça. O trigo e a flor colorem os montes e os brejos e as campinas todas. Então, em todos os cantos brota a esperança.
O poeta sabe. Espera que o mundo fique verde e que seu riso retorne.
Luiz Cruz de Oliveira, professor, escritor, membro da Academia Francana de Letras
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