Nenhum especialista em segurança recomenda que vítimas de criminosos reajam à sua ação. Porém, como o Comércio publica em sua edição de hoje, começa a ficar clara a resistência de cidadãos que não conseguem mais manter a passividade diante de um marginal que pretende levar seus bens, conseguidos a custa de muito trabalho. Esta ação, considerada temerária, já que na maioria das vezes quem leva a pior é a vítima, começa a encontrar eco nos que já se mostram indignados com a violência que fecha o cerco até dentro de nossas casas. A insegurança é geral e muitos não se conformam em ver bandido entrando e saindo de delegacias, ou sendo condenado a penas ridículas diante do mal que causaram a cidadãos brasileiros.
Como o portal GCN divulgou ontem e o Comércio publica na presente edição, uma tentativa de assalto terminou em morte em Franca. O fato aconteceu no Motel Oásis, às margens da rodovia Cândido Portinari, na saída para Cristais Paulista. O gerente do estabelecimento reagiu aos dois bandidos que invadiram o estabelecimento e, mesmo ferido na perna, sacou de uma barra de ferro com concreto na ponta, agrediu e matou um dos marginais, Josuel Rodrigo Morrone de Paiva, 28. O outro, ao sentir resistência, fugiu. Na edição de ontem também registramos, no Caderno Brasil, a morte de outro assaltante, desta vez baleado por um delegado de polícia que reagiu ao assalto, no Rio de Janeiro. Os outros foram capturados, inclusive um garoto de 12 anos que já tem algumas passagens pela polícia.
Assim como autoridades e especialistas em segurança, ninguém de bom senso recomendaria que ladrões fossem confrontados. Inúmeros exemplos mostram isso: um assalto acaba se transformando em latrocínio, sempre com a vítima perdendo a vida. O assaltante não tem nada a perder; o assaltado sim. E quase sempre perde o seu bem mais precioso, a vida. Porém, num momento de desespero, mesmo diante de uma violência que deixa marcas no corpo e na alma, é difícil aceitar que qualquer bem adquirido com luta e trabalho seja levado, na maioria das vezes para ser usado como moeda de troca com o tráfico de drogas.
Esta situação ocorre em razão de uma indignação geral, provocada pela disseminação da violência no País, grassando entre ricos e pobres, nas grandes e pequenas cidades. Hoje, ninguém está a salvo. E diante de uma legislação penal branda, quando vemos bandido entrar e sair da cadeia, bate o desespero, mesmo sabendo que a vítima na maioria das vezes sai perdendo. Urge uma reestruturação total no Código Penal, eliminando brechas e benefícios que permitem aos criminosos cumprirem penas (quando cumprem!) mínimas, mesmo ao cometerem atos hediondos. Isto precisa mudar antes que a situação saia completamente do controle, aumentando o número de baixas de ambas as partes. Basta que haja vontade política e coragem para enfrentar o crime organizado, criando uma legislação que prenda e mantenha segregados aqueles que não merecem conviver em sociedade.
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