Falta de pagamento faz funcionários da Tenny Wee paralisarem trabalho


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Funcionários gritam palavras de ordem e queimam camisa da empresa de calçados, na manhã de ontem, no Distrito Industrial
Funcionários gritam palavras de ordem e queimam camisa da empresa de calçados, na manhã de ontem, no Distrito Industrial
Cerca de 300 funcionários da empresa de calçados Tenny Wee paralisaram as atividades ontem e protestaram na área externa da fábrica, localizada no Distrito Industrial. Segundo eles, a mobilização foi motivada pelo não pagamento da quinzena salarial. o que deveria ter sido feito na última quarta, 20. Os funcionários reclamavam também do não pagamento do Fundo de Garantia por tempo de Serviço. De acordo com eles, de 2011 a 2013 o fundo não foi depositado. Além disso, o pagamento do mês sempre atrasa. 
 
Desde de quarta-feira à tarde, o setor de pesponto teve as atividades interrompidas e ontem outros três setores, frequência, corte e silk, deixaram de funcionar a partir das 9 horas. Revoltados, eles protestaram afirmando que só iriam embora quando recebessem a quinzena. Alguns choraram temendo uma demissão em massa. Outros queriam ter a demissão assinada para garantir direitos como o seguro-desemprego. Uma das funcionárias colocou fogo em camisa de uniforme da Tenny Wee durante a paralisação. “O dono da empresa não pagou a quinzena, tem gente que está aqui há 10 anos e pode sair sem nada”, disse uma funcionária de 20 anos. Muito nervosa, outra operária falou entre lágrimas: “Todo mundo precisa do dinheiro, faz tempo que eles não pagam fundo de garantia”. 
 
Os proprietários de máquinas utilizadas pela empresa aguardavam na entrada para fazer a retirada, já que alegam não terem recebido o pagamento pelo aluguel das mesmas. “Faz um mês que não recebemos. A gente só quer retirar o que é nosso”, afirmou um dos proprietários, que não se identificou. Responsáveis pelo restaurante da fábrica também foram ao local retirar materiais. 
 
O diretor do Sindicato dos Sapateiros de Franca, Agnaldo Cunha, esteve no local. “Nós queremos negociar, mas não encontramos ninguém responsável pela empresa para falar com a gente. Sempre existe um risco de demissão, a Tenny Wee está sempre demitindo”. De acordo com o sindicato, na Schio, empresa comprada pela Tenny Wee, cerca de 40 máquinas teriam sido retiradas. O advogado do Sindicato, Leonardo Marques Côrrea propôs aos funcionários que procurassem o sindicato para entrar com ação de rescisão indireta e assim garantir que fosse liberado o fundo de garantia para quem tenha direito e habilitado o seguro-desemprego. “Isso demora quanto tempo? Porque estamos sem dinheiro!”, questionou uma funcionária. 
 
O advogado explicou que o tempo depende do julgamento do caso por parte da Justiça e, como a Tenny Wee não teve falência decretada, o processo poderá demorar. De acordo com o artigo 483 da Consolidação das Leis do Trabalho, um dos motivos que pode justificar o pedido de demissão indireta é o fato do empregador não cumprir as obrigações previstas no contrato trabalhista. “A minha orientação é que se dê entrada no pedido de rescisão indireta porque a empresa não está cumprindo com suas obrigações, entre outras depositando fundo de garantia”, disse Marques Côrrea para os operários. 
 
De acordo com o gerente de produção, Willian Garcia, são produzidos em torno de 2.100 pares de calçados diariamente. “A informação que eu tenho é que o pagamento atrasou e como o pessoal parou. Por isso, todos foram liberados para ir embora. Não existe demissão ainda“, disse o gerente. A reportagem do Comércio tentou entrar em contato com o presidente Alexandre Henrique Ferreira, mas ele não atendeu as ligações feitas ao seu celular. A reportagem conversou com uma das advogadas da empresa, Luciana Figueiredo, que também não tinha informações oficiais, pois também não conseguiu entrar em contato com Alexandre Ferreira. 
 
Até o final da tarde de ontem nada foi resolvido. Os funcionários estavam indo para casa, quando 20 revelaram que pretendiam pernoitar no local para evitar uma eventual retirada de máquinas.

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