Campanha eleitoral


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Entramos hoje no terceiro dia da propaganda eleitoral no rádio e na TV, embora a campanha já tenha começado há cerca de um mês (para alguns) e no ano passado (para outros). A propaganda, que deveria nortear o eleitor para propostas concretas que contemplem os anseios da população brasileira, acaba confundindo. As promessas se sucedem, em todos os níveis, sem que seja apontado de onde é que sairá o dinheiro para que sejam implementadas. Surgem proposituras mirabolantes e ideias esdrúxulas, defendidas por candidatos idem. A propaganda de TV, desta forma, torna-se uma sucessão de nomes, números e promessas de luta ‘pela saúde, pela educação e pela segurança’.
 
Já no primeiro dia, os programas dos partidos trataram de apresentar os seus candidatos e a maioria cai na armadilha que se repete há muitas eleições: só por ser bom pai ou bom filho, ter tido pais batalhadores e outras apresentações como esta não há garantia nenhuma de que serão bons administradores ou legisladores. Usar profissões também não: um médico pode fazer uma administração constrangedora (vejam o exemplo de nosso prefeito, de profissão médico veterinário e servidor de carreira), um engenheiro pode não ser capaz de fazer uma legislatura brilhante; muito menos ser zelador ou operário possibilita efetivamente a qualquer um fazer trabalho satisfatório nas Câmaras Legislativas estaduais ou federal.
 
O eleitor precisa atentar para estes detalhes. E buscar saber, de seus representantes, em todos os níveis, as suas propostas e como poderão viabilizá-las. Chega de promessas vazias ou mentiras deslavadas. O fenômeno Enéas repetido no último pleito com o palhaço Tiririca também é um dos motes utilizados nesta campanha, com candidatos como o hoje deputado federal pelo PR e muitos outros, que esperam surpreender pelo humor e arrebanhar um caminhão de votos. Opta-se por um humor rasteiro, com candidatos como Bin Laden, Clark Krente (este do Rio de Janeiro) e outros mais, que usam a bizarrice para conseguir quatro anos na Câmara dos Deputados ou na Assembleia Legislativa. Mas, cadê propostas, planos e alternativas? Nada.
 
O horário eleitoral ainda é usado para escamotear a verdade, apresentando resultados inexistentes. Dilma Rousseff (PT), por exemplo, é mostrada pelo partido como dona de casa, leitora contumaz e conhecedora profunda dos problemas do País. Diz que a economia brasileira cresce alucinadamente, está em uma fase de pleno emprego, ao contrário do resto do mundo. Vivemos hoje uma situação de pré-recessão, com a economia batendo recordes negativos, o setor produtivo vendo suas receitas caírem e o desemprego se tornando a grande dor de cabeça para os brasileiros. Aécio Neves (PSDB) também aparece na propaganda como tendo sido causador de uma revolução quando governador de Minas Gerais, quando se sabe que não foi nada disso. Em relação ao pleito para a Presidência, só há uma propaganda publicitária com cada um querendo vender seu peixe da melhor maneira. Ainda não temos candidatos. Temos produtos. E o eleitor precisa ficar bem atento a isso e cobrar.
 
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