O lugar que resguarda o direito ao “descanso eterno” tem sido alvo de vandalismo. O Cemitério da Saudade de Franca, no Centro, recebe, segundo informações obtidas pelo Comércio, pelo menos dez queixas semanais de furto de placas de bronze dos túmulos. As placas que contêm os nomes dos mortos, datas de nascimento e de falecimento, além de vasos feitos com o mesmo material, são furtadas e, posteriormente, vendidas. A Polícia Civil investiga os furtos.
Nem mesmo as cercas de arame instaladas sobre os muros do cemitério impedem a ação dos ladrões. De acordo com informações de um funcionário do local, que prefere não se identificar, os bandidos costumam usar panos para ultrapassar a cerca sem se machucarem ao pular o muro. As evidências das ações dos bandidos podem ser notadas. Em diferentes pontos do muro que circunda o cemitério, a cerca está “amassada”, deixando claro que alguém pulou o muro. Sobre as lápides também é fácil flagrar as marcas das placas e vasos que foram levados.
Funcionários afirmam que a ação dos vândalos é constante. O técnico de som Antônio Carlos Fernandes, 64, foi surpreendido nos últimos dias com o furto de peças dos túmulos de seus familiares. Ele descobriu que foram furtadas quando esteve com a mulher no Cemitério da Saudade para levar flores a seus pais e duas irmãs. “Fui fazer uma visita de costume e chegando lá dei falta das placas com os nomes das minhas duas irmãs e do meu pai, além da moldura das fotos que tinha deles. Só as da minha mãe ainda estavam lá”, disse Antônio Carlos. Ele registrou boletim de ocorrência no 1º Distrito Policial. “Vi que muitos túmulos do lado também tinham sido violados”, contou.
Ele e a mulher irão repor as peças levadas, mas Antônio Carlos disse que ficou chateado com a atitude e comentou os gastos que terá. “Foi a primeira vez que isso aconteceu. Provavelmente são pessoas que usam drogas e furtam essas peças de bronze para vender e poder comprar drogas. Cada placa custa uns R$ 150. Vou refazer, mas escolher um material inferior, porque podem levar de novo.”
O Cemitério permanece aberto das 7 às 17 horas. Além dos furtos, visitantes afirmam que o uso de drogas e consumo de bebidas alcoólicas e danos ao patrimônio podem ser vistos com frequência no local, muitas vezes durante o dia.
Investigação
A Polícia Civil investiga as ocorrências de furtos no Cemitério da Saudade. Segundo o agente policial Antônio Carlos de Oliveira, há quatro meses o 1º DP iniciou uma investigação para tentar localizar ladrões e receptores das peças de bronze. A ação dos bandidos é rápida. Ainda de acordo com o policial, os objetos são furtados à noite, entregues ao receptador durante a madrugada e ainda de manhã são levados para Ribeirão Preto e cidades da região para serem moídos e vendidos a terceiros. “A maioria que pega o material é usuário de drogas. Tem alguém receptando isso. Estamos verificando”, disse o agente policial.
Ainda de acordo com Antônio Carlos, há pouco menos de um ano um ladrão e um receptador de placas de bronze do Cemitério foram localizados. O ladrão foi preso e o receptador responde a processo na Justiça.
A administração do Cemitério da Saudade disse que não estava autorizada a dar nenhum tipo de informação à imprensa. O secretário municipal de Serviços e Obras, Ismar Tavares, responsável pelo local, foi procurado desde segunda-feira pela reportagem por telefone e email, mas não retornou as ligações nem respondeu as perguntas sobre o assunto. A assessoria de comunicação da Prefeitura também foi acionada, mas até o fechamento desta edição não prestou esclarecimentos.
O delegado do 1º DP de Franca, Pedro Luiz Dallaqua, disse que todas denúncias serão averiguadas. “Quem for pego em flagrante irá responder por furto. Recomendamos que as pessoas lesadas registrem o boletim de ocorrência que nós iremos investigar”, disse Pedro Dallaqua.
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