O bairro Villagio Mundo Novo, localizado na zona oeste de Franca, foi loteado há poucos mais de dois anos e recentemente começou a ser habitado. Para a maioria dos moradores, a mudança para o local significa a realização do sonho da casa própria e de uma vida mais tranquila. No entanto, quem chega enfrenta problemas como insegurança, ausência de recolhimento de lixo e até ruas sem nome e CEP.
O bairro está localizado na sequência da rua Francisco Marques, ao lado do Residencial Palermo City. De acordo com dados do cadastro físico da Prefeitura de Franca, o Villagio Mundo Novo possui 574 imóveis cadastrados, que se dividem em residências, moradias do Programa Minha Casa Minha Vida e prédios comerciais. Muitos estão em fase de construção e acabamento. Outros já estão prontos e habitados ou à espera dos futuros moradores.
O analista de suporte Guilherme Silva, 23, se mudou para o imóvel que comprou no bairro há pouco mais de 15 dias. Desde então, o lixo que acumulou está na garagem de sua casa. Como não há recolhimento, a única maneira de se desfazer é levar os resíduos até uma caçamba que, segundo o analista, fica afastada do bairro. Além disso, um terreno em frente a sua casa também está tomado por lixo e entulhos. Ele alega que reclamou diversas vezes na Prefeitura, mas nenhuma providência foi tomada. “A sensação que eu tenho é de nudez. Nós estamos pelados aqui. Se fosse um bairro que começou a ter infraestrutura este ano seria perdoável, compreensível, mas não é. Daqui pouco tempo várias famílias se mudarão para cá também. Quer dizer que todas estas famílias terão que fazer suas casas de depósito de lixo?”, disse Silva.
A empresa responsável pelo loteamento entregou os lotes aos compradores com a estrutura básica que é exigida: rede de água, esgoto, rede elétrica e pavimentação. Após a mudança, os moradores alegam estarem sem acesso a televisão, internet e telefone fixo, além do próprio endereço.
Após muito insistir e procurar, Silva descobriu que sua rua tem nome, aprovado pela Câmara Municipal de Franca em julho de 2012. Mesmo assim, a rua ainda é identificada nas poucas correspondências que chegam através de um número e com o CEP da área central de Franca. “Eu liguei na Prefeitura para me informar sobre isto e eles não souberam me dizer. Quando descobri liguei novamente e informei. Mesmo assim se ligar lá eles falam que não sabem. O pior é que não tem placas com os nomes. Quase ninguém consegue chegar aqui.”
Insegurança
Em pouco tempo, alguns moradores já foram vítimas da ação de bandidos. É o caso do cortador Deivid Talmele Fernandes, 24, que também mora no bairro há pouco mais de 15 dias. Foram duas tentativas de furto em sua casa. A primeira foi bem sucedida e vários objetos foram levados. Na segunda, o alarme que ele instalou disparou e conseguiu impedir a ação.
“Isto daqui era um sonho para nós, mas agora virou um pesadelo. Faz duas semanas que eu não durmo. Qualquer barulho que escuto eu penso que estão entrando na minha casa de novo”, disse o cortador.
Ao ser roubado pela primeira vez, Fernandes acionou a polícia que, segundo ele, teve dificuldades de chegar até sua casa. Durante o atendimento, os PMs afirmaram que, de acordo com os moradores, o bairro não faz parte da rota deles. Por isso, não há rondas pelo local.
Sem respostas
O Comércio entrou em contato via email com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Franca questionando a ausência de placas nas ruas e se há uma previsão para o início do recolhimento de lixo no bairro. Nenhuma resposta foi encaminhada à redação até o fechamento desta edição.
A reportagem também encaminhou email para a assessoria da polícia militar que informou apenas que o policiamento preventivo é realizado nos locais de maior necessidade após um “estudo minucioso baseado nos crimes registrados”.
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