Chamava-se Maria Cecilia e era uma gata muito bonita, de pelos bem escovados, lacinho na cabeça e coleira delicada no pescoço. Era fofinha e miava toda dengosa. Nunca brincava no quintal, pois era muito alérgica a abelhas e à poeira. Usava sapatinhos e somente dormia quentinha dentro de casa.
Na casa onde morava tinha um jardim muito lindo e florido. A gatinha olhava maravilhada pelo vidro as roseiras e as margaridas. Mas, um dia, quando os donos saíram de casa, esqueceram a janela aberta. Por ela, sem nenhuma cerimônia, entrou uma abelha danadinha. A abelha era mesmo uma graça, muito cheia de estilo, e zunia pelos cotovelos. Para quem não sabe a língua falada pelas abelhas, ela é o zunido. O nome da abelha era Maria Eduarda.
Zumzumzumzumzumzum e a gatinha escondeu-se debaixo de uma almofada. A abelha, muito simpática, foi até lá com suas calças listradas e seus óculos escuros. Era um dia de muito sol.
Acontece que, de um lado do vidro, uma Maria gostava de olhar o jardim; e do outro lado do mesmo vidro a outra Maria gostava de olhar a casa.
A Maria Eduarda espirrou, era alérgica ao perfume da Maria Cecilia. E foi com um “atchim” que o papo das duas começou. Descobriu-se que eram alérgicas uma a outra. A abelha jurou não picar a gatinha e a gatinha prometeu não usar mais aquele perfume. Problemas resolvidos, as duas viraram grandes amigas, e daquele dia em diante foi um zum zum zum para lá e um miau miau miau para cá.
Nunca mais elas ficaram sozinhas, pois amigos são para isso, para mandar a solidão e a tristeza embora e para a gente ser mais feliz. A gata contava do mundo da casa e a abelha contava do mundo do jardim e as duas juntas conheciam o mundo inteiro. E é assim que se sentiam - donas do mundo.
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