O aviso acima era colocado pela Cia. Mogiana de Estradas de Ferro nos cruzamentos da via férrea com estradas de rodagem. O objetivo era prevenir acidentes com algum descuidado que poderia não ver o comboio se aproximando e, inadvertidamente, atravessar os trilhos e ser colhido pelo trem. Tomei conhecimento desse aviso nas viagens que fazia com meu pai entre Franca a Ribeirão Preto, onde desfrutaria das delícias de andar de ‘trolley’ e ir ao bosque. O tempo passou, a Mogiana acabou, seus trilhos já não passam por Franca, mas, noutro sentido, o aviso permanece atual para o cidadão de hoje, eleitor que vai escolher mandatários para o Executivo e representantes no Congresso. Também, para o agente econômico que não consegue ver nossa economia fazer a travessia ao desenvolvimento. Os resultados do segundo trimestre são desanimadores para a indústria nacional: o consumo doméstico de bens industrializados mostrou participação de 21,8% de produtos estrangeiros, o mais elevado desde 2007.
O que vemos na realidade econômica brasileira? O nível de atividades andar devagar, quase parando. A indústria de transformação cedendo espaço a importados, com consequente diminuição da inserção do Brasil no comércio mundial e saldos negativos na balança comercial, que nos remete a cambio supervalorizado. O sistema tributário complexo e oneroso, que impõe carga de impostos de quase 40% do PIB. A inflação corroendo a renda das famílias e o baixo nível de emprego que não ajuda no social e atrapalha na produtividade. Escutamos o som da estagnação e, até, o da recessão, ambos tenebrosos. Não acredito que industriais, comerciantes, agentes de serviços sejam pessimistas e nem tampouco derrotistas, mas os sinais estão por toda parte. Estamos juntando estagnação com inflação e, se continuar, o desastre não tarda. É como se não dar importância ao aviso da velha ferrovia. O trem pode nos liquidar!
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA-USP
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