Saúde do País já está na UTI


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Que o setor de saúde no País não está bem, todo mundo sabe. Porém, pesquisa feita pelo Instituto Datafolha e pedido do CFM (Conselho Federal de Medicina) e da APM (Associação Paulista de Medicina) mostra que 9 entre 10 brasileiros estão insatisfeitos com o atendimento prestado no País. Surpreende que a opinião não envolva só a saúde pública, mas contemple também a privada, gerida por planos e grupos empresariais. Ou seja: a insatisfação atinge o setor como um todo. De acordo com a pesquisa, os serviços públicos e privados de saúde no Brasil são considerados regulares, ruins ou péssimos por 93% da população. 
 
O levantamento mostra que os principais problemas enfrentados pelo setor incluem filas de espera, falta de acesso aos serviços públicos e má gestão de recursos. De acordo com o estudo, a saúde é apontada como a área de maior importância para 87% dos brasileiros. Para 57%, o tema deve ser tratado como prioridade pelo governo federal. A pesquisa foi feita entre os dias 3 e 10 de junho de 2014 e ouviu 2.418 homens e mulheres com idade mínima de 16 anos em todos os estados brasileiros. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.
 
A amostragem deixa clara a visão dos brasileiros, hoje, com os serviços de saúde. Notícias diárias mostrando os problemas enfrentados de Norte a Sul do País, escancarando o sucateamento da rede pública e os desvios do dinheiro que deveria ser investido em equipamentos e pessoal, contribuem em grande parte para esta opinião. Além disso, passa-se pela formação dos profissionais que hoje atendem aos milhares de brasileiros, nas redes pública e privada. Enquanto graves problemas do ensino fundamental não forem resolvidos, dificilmente haverá formação eficiente de novos profissionais ao fim do ensino superior.
 
É imprescindível que as nossas autoridades atentem para este recado claro da grande maioria da população. Só a contratação de médicos não resolve. É preciso estar de olhos abertos às condições de trabalho, à falta de incentivos e à dificuldade que a grande maioria sofre para receber um salário digno. O caso de Franca é exemplar: uma manobra ilegal fazia com que os profissionais atendessem por lote, em consultas de um minuto, para inflar os próprios salários em níveis muito acima do mercado. O esquema vem sendo investigado pelo Ministério Público do Trabalho e mostra como está totalmente fora de propósito a gerência do sistema.
 
Uma série de providências é fundamental para que se mude totalmente este quadro. E tudo isso passa não apenas pela formação do médico. Inclui ainda maior atenção à gestão do sistema e das verbas públicas e o comprometimento de todos os profissionais que integram a cadeia da Saúde Pública. Quanto ao serviço privado, enquanto não deixar de ser visto apenas como mais um negócio — antes, trata-se de lidar com seres humanos e sua saúde —, nada poderá ser feito para melhorar esta avaliação, que é real e bastante preocupante para a qualidade do atendimento prestado no Brasil.
 
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