Numa importante iniciativa anunciada ontem em São Paulo, os jornais diários brasileiros representados pela ANJ (Associação Nacional de Jornais) lançaram oficialmente campanha para mostrar aos leitores e ao mercado anunciante que o jornal de papel continua sendo um dos mais fortes e relevantes meios de comunicação no Brasil e no mundo. O movimento é resultado de estudos em comitês técnicos nos últimos 12 meses e foi apresentado aos participantes do 10º Congresso Brasileiro de Jornais realizados dias 18 e 19 no Centro de Convenções do World Trade Center e com a presença de diretores, gestores de cerca de 130 veículos impressos do País e importantes publicitários brasileiros. O evento contou com palestras técnicas e de avaliações do futuro da indústria jornalística por meio de especialistas brasileiros e convidados estrangeiros. A conclusão é de que os jornais impressos se inserem com muita força no contexto das chamadas multiplataformas de notícias, que incluem como canais os computadores e os smartphones. A tendência é os leitores desenvolverem hábitos que incluam a leitura de notícias nesses três meios conforme o momento e a conveniência. Esses canais serão alimentados pela mesma usina informativa, o velho jornal, agora rejuvenescido pela tecnologia, mas com o papel ainda sendo uma referência importante entre as escolhas dos leitores.
A ação institucional da ANJ foi apresentada no painel “Os jornais em movimento”, em exposições de Ana Amélia Cunha Pereira Filizola, diretora da unidade de jornais do Grupo Paranaense de Comunicação, que publica a Gazeta do Povo, em Curitiba e Luiz Lara, sócio e chairman da Lew’Lara\TBWA. O objetivo da novidade é posicionar o jornal não só como o mais influente e o mais relevante difusor de notícias, mas também um meio importante para lançar, fortalecer e renovar marcas e produtos. “O jornal mantém uma penetração impressionante”, disse Ana Amélia ao enfatizar com dados “a força do papel”. Ela destacou também a comprovação em pesquisas de que os jornais impressos são percebidos pelos leitores em geral como o tipo de veículo mais confiável para absorver informação.
Os jornais impressos são o meio de comunicação com o maior nível de confiança da população, segundo mostra levantamento encomendado pela Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República) neste ano. A pesquisa ouviu 18,3 mil pessoas em 848 municípios. Outro levantamento, realizado pela ComScore em 2014, aponta que do total de pessoas que acessam notícias na internet no Brasil, 57% delas o fazem por meio dos jornais editados por empresas jornalísticas tradicionais. Isso equivale a 32 milhões de pessoas acessando notícias pelo jornal no Brasil. A preferência se deve à credibilidade dos jornais. Por outro lado, os Estudos Marplan EGM, de janeiro a dezembro de 2013, revelam que 62% dos leitores de jornal não fazem outra atividade enquanto estão lendo. Isso significa que a mensagem publicitária no meio jornal sofre menos dispersão que aquela veiculada em outros meios, como TV, rádio e internet. No caso da televisão, por exemplo, o zapear do telespectador é um fator de dispersão em relação aos comerciais.
Marcelo Moraes, executivo da Infoglobo e membro do Comitê de Gestão da ANJ, disse no congresso que o meio jornal se mantém presente e atuante em seu formato tradicional, o papel, e consolida-se cada vez mais como veículo multiplataforma. “A leitura dos jornais está viva e se renova rapidamente graças aos novos formatos”, disse ele. “Os jornais nunca tiveram tanta audiência como agora, considerando as diversas formas de distribuição do produto”. Moraes e outros palestrantes exaltaram o fato de que a razão pela qual as pessoas buscam a leitura do jornal tanto no papel como na internet é a mesma, a credibilidade das empresas jornalísticas com expertise e história na produção e interpretação de notícias.
Wilson Marini
Jornalista - email wmarini@apj.inf.br
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