Reparação na Justiça


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O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), como já tivemos oportunidade de apontar aqui, aparentemente vive num mundo cor de rosa. Sempre que se pronuncia pelas redes sociais, o chefe do Executivo francano tece loas à sua administração e aos eventos oficiais. Na semana passada não foi diferente: usando sua página no Facebook, destacou investimentos no Pronto-socorro Infantil e nas UBS’s (Unidades Básicas de Saúde). Mais uma vez, esqueceu-se de que a reforma no PS Infantil só acontece por causa da constatação do mau estado do prédio, que sofria com infestações recorrentes de ratos, baratas e pombos.
 
O prefeito francano ainda ignora, ou melhor, não reconhece os problemas verificados no sistema de saúde pública gerenciado pela administração municipal, desde sua gestão à frente da Secretaria de Saúde nos dois mandatos de Sidnei Rocha (PSDB) — que ele prefere citar como “administração anterior” como se não tivesse feito parte dela e muito menos devesse ao ex-prefeito a sua eleição. Diante do cheiro de pizza que emana da Câmara Municipal frente às conclusões da CEI (Comissão Especial de Inquérito) da saúde, a população se mostra indignada. Quem transita diariamente pelo legislativo francano já percebeu que dificilmente será aberto um processo para avaliar a possível cassação do prefeito, como recomendou o relatório da CEI.
 
Enquanto continua enxergando uma realidade edulcorada (contando com a ajuda dos aliados na Câmara Municipal e assessores próximos), Alexandre Ferreira pode ver-se envolvido num verdadeiro tsunami na Justiça, já que o relatório da CEI foi enviado ao Ministério Público, além do Ministério Público do Trabalho, os quais provavelmente irão tomar as necessárias providências para responsabilizar os apontados pelas irregularidades verificadas no setor. Além disso, familiares de pacientes que morreram após atendimento na rede municipal cansaram-se de esperar que uma “investigação” da Secretaria de Saúde apontasse as falhas que levaram francanos à morte. Alguns deles resolveram buscar uma resposta (e consequente reparação) na Justiça.
 
Reportagem do Comércio, em sua edição de domingo, deixa bem clara a posição das famílias dos sete pacientes. Eles acusam o descaso que receberam os pacientes-vítimas ainda em vida, o qual prosseguiu após as suas mortes. Desde Kelly Cristina de Souza, 27, que morreu após passar por uma série de procedimentos, inclusive cirúrgicos, Alexandre Ferreira mantém-se calado, como se não tivesse nada com o assunto, não só como prefeito mas também como secretário do setor. Nem uma palavra, nem um pedido de desculpa, nem qualquer providência efetiva para se evitar a repetição dos fatos. Por isso, a esperança de que o Poder Judiciário dê as respostas que as famílias merecem e o prefeito(e quem mais de direito) seja responsabilizado. Quem sabe desta forma ele não passe a ver a realidade como ela é e dê um novo rumo à sua administração? Caso contrário, mais francanos continuarão à mercê de uma gestão temerária e irresponsável no que tange à saúde pública.
 
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