Duas tragédias


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A tragédia e o carnaval são marcas registradas do Brasil, com predomínio da primeira. No mesmo momento em que o candidato à presidência, Eduardo Campos, perdia a vida em trágico acidente na cidade de Santos (SP), a ex-contadora do doleiro Alberto Yousseff, Meire Poza, confirmava, no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, grande parte da entrevista bombástica que concedeu à revista Veja.
 
Do ponto de vista político, agosto não é bom mês para o Brasil — a morte de JK, de Getúlio, renúncia de Jânio Quadros etc. Mas há diferença entre as tragédias: enquanto o discurso de Campos era pela renovação, as confirmações de Poza eram da continuidade da corrupção, excentricidade, vigarice. Em sua entrevista, ela afirmou que manuseava notas fiscais frias, assinava contratos de serviços não prestados e montava empresas de fachada para promover lavagem de dinheiro. Disse ainda que via malas de dinheiro saindo da sede de empreiteiras e chegar aos bolsos de políticos.
 
A corrupção no Brasil é fruto da pura vigarice que ocorre quando o político, empreiteiras ou construtoras e outras grandes empresas, além de vários bancos se unem para obter vantagens em prejuízo dos outros. Necessitamos de um milagre que promova a reforma da prazerosa vulgaridade de origem do humano nascido com a democracia. Novo rumo só pode ser alcançado se esse humano assumir as consequências morais da sua urbanização, o que significa ‘inibir seus instintos, adiar as gratificações imediatas dos seus desejos e alienar parcelas da sua liberdade, como diz Gomá Lanzón, que nunca poderia ter se transformado em libertinagem. Foco campanha nessa libertinagem que concede à troyca maligna (políticos, agentes econômicos e financeiros), licença para tirar vantagens indevidas em prejuízo do todo, do país.
 
Luiz Flávio Gomes
Jurista

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