Indústria abandonada


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Que a indústria calçadista francana passa por uma situação difícil não é nenhuma surpresa. A queda nas exportações para os Estados Unidos, que por décadas foi o maior comprador da nossa produção de sapatos, vem sendo registrada já há alguns anos. Em termos gerais, a exportação de calçados (não só em Franca mas englobando outros centros produtores do País), de julho do ano passado para o mesmo mês neste ano registrou retração de 6,3% na receitas. No acumulado de janeiro a julho a queda foi de 3,1%, de acordo com dados da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados).
 
O setor, que depende em grande parte do comércio exterior para manter produção e, consequentemente, os empregos, sofre com esta retração. O setor produtivo francano, que tem na indústria calçadista a sua força motriz, procura abrir novos mercados. Os Estados Unidos, que já foram o principal parceiro dos fabricantes francanos, chegando a absorver mais de 70% da produção de calçados local, ainda absorve um volume considerável do sapato ‘made in Franca’. Porém, hoje compra por pouco mais de 15% do que é produzido em Franca. De 2013 para cá, os pedidos para os EUA caíram cerca de 20%.
 
Diante deste panorama, o fabricante local tem procurado outros mercados e já consegue colocar seu produto em países da Ásia (enfrentando a concorrência dos fabricantes de lá) e no Oriente Médio (diante da redução das encomendas não só dos EUA, mas também da Europa e da América Latina). Assim, de janeiro a junho deste ano, o número de exportações para essas regiões cresceu, em média, 37,5% em comparação ao mesmo período do ano passado. Hoje, esses blocos econômicos já representam 43% da fatia do mercado de exportações local, o que corresponde a mais de US$ 40 milhões em receita.
 
Os fabricantes locais comemoram a boa aceitação do produto nestes dois novos mercados. Porém, ainda não chega a um volume capaz de levar a indústria francana a produzir a todo vapor e reabsorver o grande contingente de trabalhadores demitidos desde o final do ano passado. Como bem diz o presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), José Carlos Brigagão do Couto, embora o volume de vendas de sapato para o exterior tenha crescido 6,43% no primeiro semestre, a arrecadação seguiu o caminho oposto, apresentando uma queda de 2% — -7,92% no acumulado do ano —, por causa da política cambial brasileira.
 
Além de destacar a disputa com outros centros fabricantes, que colocam o seu calçado em condições mais vantajosas nos EUA e Europa em termos de preço, Brigagão bate na mesma tecla de outros setores produtivos do País: o governo não incentiva e impede que o calçado brasileiro (e não só o francano) faça frente aos preços mais baixos de outros centros. A necessidade de uma política industrial mais sólida, com ênfase para a exportação, é o grande gargalo que prejudica as vendas e, consequentemente, o emprego em Franca. Quem quiser ser eleito em outubro precisa saber como fazer frente a estas demandas.
 
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