A sabatina que fechou a semana foi a do candidato a deputado federal por Franca, Cristiano Crico, do PHS. Ele abandonou a entrevista quando faltavam nove minutos para o fim da sabatina. Ao ser questionado sobre propostas para a comunidade gay e se era a favor da criminalização da homofobia, Crico se descontrolou e, visivelmente nervoso, deixou a entrevista sem responder aos questionamentos que foram enviados por um internauta.
Por que o eleitor de Franca deve escolher você para representar a cidade na Câmara dos Deputados?
Venho me preparando desde muito jovem para assumir um cargo para que eu possa lutar por nossa cidade. Nunca parei, sempre participei politicamente, coloquei meu nome à prova para a população, mas nunca parei de trabalhar, estudar e investir em uma boa formação. Além disso, acredito que a nossa região tem muitas dificuldades por falta de representatividade. Pelas instituições que eu passei, eu fui servidor estadual, servidor federal, também trabalhei na indústria do calçado, fui representante do secretário do Estado, antes de voltar a me dedicar a produção de alimentos orgânicos, eu já consegui ajudar muito as ONGs, através do fundo municipal do meio ambiente, onde eu tenho uma participação ativa, represento a associação de ciclismo, a gente vem conseguindo orientar as instituições também a obter recursos. Então eu vejo que eu tenho a experiência de ter trabalhado, não só na área na qual eu me preparo, nas instituições da sociedade civil, mas também por ter participado da esfera federal, estadual e ter experiência para que a gente possas estar buscando esses recursos que existem e orientando a sociedade civil sobre esses recursos. A questão da legislação federal nós temos muita coisa a ser trabalhada, a maioridade penal, instituições e órgãos federais que deveriam estar em Franca há muito tempo, mas eles não estão aqui por falta de representatividade. Precisamos de representantes que tenham esse feeling, que tenham essa “pegada”. Por que tem recursos lá fora, está faltando representatividade. As instituições da sociedade civil muita das vezes não têm pessoas com condições éticas para desenvolver esses projetos. Dentro do gabinete ecossocial, que faz parte do nosso projeto, vamos ter uma equipe multidisciplinar, para que possa ambientar as instituições da sociedade civil, para que a gente possa buscar esses recursos para o município.
Quantos votos o senhor calcula para ser eleito?
Nós estamos em uma posição política favorável. O PHS tem hoje 482 candidatos, 140 são candidatos a deputados federais. Estamos competindo com candidatos que não estão na reeleição, não temos deputados eleitos, diferente de todos os outros candidatos que vão encontrar candidatos em votações estabilizadas, com estruturas muito grandes, nós temos um trabalho dentro de uma esfera onde não vou competir com essa situação, até pelo contrário, vamos ter 282 candidatos estaduais pedindo votos para a legenda dos federais, onde é a prioridade. Se, em média, os 140 candidatos tivermos 4,5 mil ou 5 mil votos, a gente vai ter uma totalidade de 700 mil votos, com o coeficiente eleitoral, lógico que isso é uma estimativa, mas existe um estudo em cima disso. Com o coeficiente em torno de 304 mil votos para cada partido eleger um deputado, o PHS naturalmente faria de 2 a 3 com essa margem, não existe nenhum partido que esteja disputando as eleições aqui em Franca que consiga começar a fazer deputados com essa margem.
Em 18 anos de vida política, você trocou cinco vezes de partido. Começou no PSDC, depois foi PMDB, mudou para o PV, trocou para o PSDB e hoje está no PHS. O senhor não acha que essa inconstância partidária pode confundir o eleitor? Afinal, qual ideologia o senhor defende?
Primeiramente, meu partido é o povo, no caso, o povo de Franca. Estamos vivendo um momento que a população está de saco cheio de partidos políticos, existem pessoas que acreditam até em candidatura avulsa que seria perfeitamente assimilada pela população de Franca e pelo povo brasileiro. Eu não vejo motivo nenhum por ter partido para vários partidos, eu continuo tendo coerência naquilo que eu defendo.
Um levantamento feito pelo Conselho Federal de Medicina mostra que o valor investido pelo governo no atendimento público de saúde no Brasil é de R$ 3,05 por habitante ao dia. Como o senhor vê esse valor? Quais são suas propostas para melhorar a qualidade da saúde pública?
Saúde, não só agora, sempre foi um grande problema. É importante que todos saibam que o deputado federal, assim como o legislador, tem a obrigação de fiscalizar o orçamento, deve estudar o orçamento federal, ele pode buscar alternativas, mas ele não é um executor. Eu acredito que a gente, lá em Brasília, possa apoiar a sociedade civil, que faz um trabalho muito legal na área não só de saúde, mas em outras áreas também, por exemplo, a Pastoral do Menor, que desenvolveu a ração humana. A ração humana tirou muitas crianças da desnutrição. Instituições como a Pastoral da Criança devem e podem ter potencializado esse trabalho, de forma que a gente melhore a qualidade de vida em saúde também. Acredito muito em saúde preventiva.
Como deputado federal, qual uma medida concreta que o senhor defenderá na Câmara, na área?
Nós temos que defender uma lisura, nas Santas Casas, na administração do dinheiro público. E o deputado federal tem a obrigação de fiscalizar e acompanhar esse projeto. Não sou o executor da área da saúde, vou fiscalizar o orçamento público, vou interpretar as leis com o nível de interesse em ajudar a população, discutir com setores da sociedade civil. Você não sabe tudo, mas pode ter a humildade e a vontade de conversar com as pessoas de determinados setores, pra junto com essa sociedade civil, a gente encontrar um melhor caminho.
A Santa Casa de São Paulo recentemente se viu obrigada por causa da falta de recursos a suspender os atendimentos no pronto-socorro. A suspensão de atendimento na Santa casa de Franca não é novidade. Quais são as suas propostas para resolver a crise financeira enfrentada pelos hospitais filantrópicos?
Nós estamos repetindo a mesma pergunta e eu vou repetir a mesma resposta e não vamos sair do lugar...
Estávamos falando sobre o SUS e não sobre os hospitais filantrópicos, uma coisa bem específica.
Acho até uma coisa interessante. Vou até aproveitar que vocês gostam de números e que eu tive só um minuto para terminar a outra pergunta sobre votos. Nós precisamos aqui em torno de 20 a 25 mil votos para garantir o mandato, enquanto os demais partidos precisam de votações que são 3 a 4 vezes maiores. Se nós pegarmos a votação da eleição passada, com 169 mil eleitores que compareceram, 50 mil que votaram em candidatos de fora, nós temos aí uma totalidade de 100 mil votos para trabalhar. Se a Graciela e o Ubiali continuarem tendo uma votação próxima da que eles tiveram, com 40,50, 60 mil votos, sobram muito poucos votos para elegerem os outros candidatos, mas metade disso é o suficiente para que a gente se eleja e eu me elegendo, o deputado federal tem emendas dentro do orçamento da união, em torno de R$ 14,8 milhões, pode ter grande parte desse orçamento indicado para as Santas Casas. Desta forma, a gente pode melhorar as condições da saúde.
Entre as propostas que o senhor pretende implementar está a criação de cinturões verdes nas áreas em torno das cidades. Como funcionariam esses cinturões?
Nós estamos sob pressão da cana... Quero deixar bem claro que eu não sou contra o etanol, sou à favor que se produza o etanol com mais respeito ao meio ambiente e à natureza. Os pequenos produtores aqui de Franca têm uma característica, temos muitas pequenas propriedades ainda, a cafeicultura tem sido um agente que segurava essa distribuição de renda. Se nós tivermos mais investimentos, do próprio governo, do Estado, dos municípios e mesmo federal, teremos mais subsídios para a produção de alimentos, nós vamos produzir alimentos com mais qualidade. O alimento que é produzido longe pode estar mais sujeito a contaminações, ele vai estragar até chegar nas cidades. Se a gente produz localmente, esse alimento vem com mais qualidade. Nós temos a associação de produtores de alimentos orgânicos, temos associações de produtores rurais de várias regiões que precisam desse apoio. A agricultura, hoje, inclusive, é muito complicada, é muito difícil produzir sem veneno e com qualidade. Por isso, nós vamos lutar para subsídios para o agricultor.
Como o senhor avalia o desempenho dos atuais deputados por Franca?
Bom, como eu coloquei e acredito e falo que falta representante, com exceção de algumas coisas que a gente vê falar do governo que ele está sempre ajudando alguma instituição civil, eu acho que não só falta órgãos. A delegacia da polícia federal, o CBRN que com o cadastramento ambiental, que toda propriedade rural é obrigada a fazer. E, inclusive, já está correndo prazo de um ano e temos que assegurar o plantão toda quarta-feira na Cetesb, quando vem um cidadão do Ibama para orientar nossos agricultores. Então é um cúmulo uma cidade igual Franca ainda não ter determinadas instituições. No caso do 190 (cujo atendimento está centralizado em Ribeirão Preto) eu tive uma situação. No final de semana eu tive minha casa arrombada. Acabei de fazer uma campanha em uma bicicletaria, que nosso público alvo são eles, e estamos tendo um público legal. (voltando ao caso do arrombamento) Aí fui ligar e explicar onde ficava minha casa “ali na rodovia Franca Claraval, Tancredo Neves” e tive a seguinte pergunta “onde fica isso?”. E você está pensativo, desesperado, não sabe o que fazer. Sua casa está sendo assaltada, você não sabe o que faz e você precisa ligar e o plano de emergência pergunta onde fica isso? Isso está errado. Isso só acontece quando não temos representatividade. Então, eu acredito que tem bastante coisa pra ser trabalhada, que os deputados estão deixando passar, deixando as coisas correrem soltas. É uma situação que não admito, assim como muitos empresários, cidadãos, trabalhadores e as donas de casa não concordam com essa situação.
Depois de toda a polêmica envolvendo a união civil de pessoas do mesmo sexo, uma nova questão que surge, que é a adoção de crianças por casais homossexuais. Qual sua posição a respeito?
A adoção já existe. Qualquer cidadão maior, consciente, pode adotar. E essa questão do homossexualismo, não vejo nenhum problema quanto a isso, porque tenho vários amigos com caráter, com dignidade, alguns que são até colegas de vocês. O que a gente tem que se preocupar é que a mídia fica discutindo certas questões e esquece de discutir o que é necessário. Às vezes é usado para desviar de questões mais sérias como um mensalão, uma ação de corrupção.
A legalização do aborto é um tema sempre em debate. Qual sua opinião a respeito? E se um projeto propondo a descriminalização da prática fosse votado hoje, como se posicionaria?
Nós precisamos defender a vida acima de tudo. A vida humana é muito importante. Nós temos três condições onde o aborto é possível, no caso de estupro, de morte encefálica - que a criança vai nascer com problema - e no caso de risco na vida da mulher. Se caso optar por uma vida que já existe, por uma formação, e a vida que ainda está em formação, o Supremo, a legislação da família permite que ela escolha entre a vida da mulher mas tem uma coisa que é primordial que você não me perguntou sobre esse assunto é como que fica a mulher a mulher que resolve ter uma criança vítima de estupro, qual é o amparo que o Estado está dando pra essa mulher, ou então que ela decida que tirar essa criança, o que o Estado tem feito? Eu sou a favor que a mulher tenha um acompanhamento nessa questão, nós precisamos criar a casa da mulher para que a mulher tenha um clima psicológico e financeiro e de saúde eu acho primordial que é tratar bem e cuidar da mulher
Candidato, em maio deste ano o Congresso Nacional começou com a discussão de uma possível legalização da maconha; se o senhor tivesse que votar em um projeto semelhante qual seria o posicionamento do senhor a respeito disso?
Olha só, quem já teve um problema em casa com dependente químico é que sabe o quanto é duro isso. Câncer e problemas com drogas, a gente escutava falar que era só fora: “O fulano tal mexe com droga”, “Ó, tal pessoa morreu de câncer”. Hoje, infelizmente, isso acontece dentro das nossas casas e eu acho muito difícil, muito complicado que nós consigamos liberar qualquer outra droga dentre as demais que nós já temos. Com a estrutura do Estado de hoje, se nós temos problemas no SUS, se a gente não consegue atender bem as nossas crianças, como que nós vamos fazer um trabalho de controle, onde nós vamos ter fumo, fumódromos, aí como que nós vamos controlar a questão do traficante? Eu acho muito mais louvável nós apertarmos o cerco contra o traficante, para resolver o problema da droga, investir para que o jovem tenha mais oportunidade de trabalho, para que ele consiga realizar seu sonho. Hoje nós estamos vendo uma juventude sem norte, porque muitas das vezes ela procura a droga, porque ela não sabe de um caminho, ela não tem uma esperança de se formar. Ela é bombardeada por um mundo cada vez mais consumista, por um mundo que jogou fora determinados valores, que não respeita o ser humano, onde a vida está banalizada. Eu acho que a discussão é mais em apertar o cerco contra os traficantes e criar oportunidade para os jovens.
(pergunta enviada pelo internauta Júnior Janjo) O candidato possui alguma proposta para a comunidade LGBTT e, especificamente, qual a opinião a respeito da criminalização da homofobia?
Aprendi desde muito pequeno com meus pais, meu pai também que não está aqui presente, infelizmente já faleceu, que a gente tem que tratar todo mundo bem, você tem que aprender a amar as pessoas e, principalmente, as pessoas que às vezes te cutucam. Se eu não fizesse esse exercício de amar até o adversário, o inimigo, eu não estaria aqui. Porque eu estou aqui sendo entrevistado pelo Leandro, que apresenta um programa junto com meu adversário, vocês que são funcionários do meu adversário, toda essa grande estrutura que está aqui que é do meu adversário, a caneta amanhã na hora de escrever no jornal está na mão de vocês.
Nada temos a ver com seu adversário. Vamos deixar claro que somos funcionários do Comércio da Franca. Atenção à questão sobre homossexualismo que foi perguntada aqui.
Veremos isso no jornal. É bom que todos saibam que eu fui proibido de gravar então espero que alguém em casa esteja registrando essas informações.
Não é você, Crico, são todos os candidatos. As regras foram assinadas por todos os partidos.
Uma forma muito mais justa, mais igualitária, pra não ter direcionamento nenhum, seria a gente fazer um debate.
Esse programa é passado ao vivo.
Eu perguntaria pro adversário, o adversário perguntaria pra mim, aí sim nos garantiríamos a democracia.
O senhor está em um programa de sabatinas, Crico. O senhor assinou concordando com as regras desse programa.
(candidato se levanta) Eu acho que basta. Vocês podem escrever o que quiserem. Eu encerro aqui a minha participação. Muito obrigado. Já faço minhas considerações finais, tenho certeza que nós vamos chegar lá e vou defender com honra, com hombridade, você que é meu eleitor em casa. Muito obrigado. Fiquem com Deus.
Nota da Redação: Nesse momento, o candidato retira o microfone, coloca-o sobre a mesa e se retira do auditório, faltando pouco mais de 9 minutos para o final da sabatina, e deixando várias questões sem respostas.
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