‘O Estado tem que agir e dar um basta (na criminalidade)’


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Aos 62 anos, Natalini tem como destaque em seu currículo duas carreiras bem consolidadas: a de médico e a de político
Aos 62 anos, Natalini tem como destaque em seu currículo duas carreiras bem consolidadas: a de médico e a de político
O primeiro candidato ao governo do Estado de São Paulo a passar pelo auditório “Jornalista Corrêa Neves” na série de sabatinas organizadas pelo GCN foi Gilberto Natalini (PV). Médico há mais de duas décadas, o candidato apresentou suas propostas para melhorar a saúde pública no Estado. Ele se comprometeu a aumentar o percentual do orçamento aplicado na área. “Vou colocar, no mínimo, 15% do orçamento na Saúde.” Atualmente, o total é de 12,43%.
 
Natalini também defendeu penas mais duras para os menores e a integração das polícias. “Não podemos ficar a reboque do crime. O Estado tem que agir e dar um basta.” Na Educação, quer a implantação do ensino integral até o ensino médio e a introdução da informática em todas as unidades escolares. Dinheiro para colocar tudo em prática ele disse que virá da reforma administrativa que pretende fazer, cortando cargos comissionados e diminuindo o número de secretarias do Estado. 
 
Por que o senhor quer ser governador do Estado de São Paulo?
Na verdade não foi exatamente que eu quisesse ser governador. O PV decidiu lançar candidatura ao governo e eu fui consultado pela direção partidária se aceitava essa honrosa tarefa de representar o partido. Como já tenho bastante tempo de vida política, são 14 anos de vida parlamentar e 50 como ativista ambientalista, decidi aceitar a candidatura. Decidi, porque acho que estou preparado, tenho conhecimento razoável de política do estado de São Paulo, de como funciona o governo e a máquina pública. Fui presidente do Conselho dos Secretários Municipais de Saúde do estado de São Paulo e nacional, estive muitos anos no Ministério da Saúde ajudando a coordenar a questão da saúde pública. Então me sinto preparado, aceitei o desafio e estamos aí na corrida, trabalhando, estamos levando à população paulista o que o PV tem de diferente para pleitear o governo do estado. E tem. O PV é uma coisa além dos partidos tradicionais, se nós conseguirmos levar isso a todos, podemos surpreender bastante nas urnas.

Como espera que os eleitores acreditem no envolvimento de um político que se candidata apenas para satisfazer uma vontade partidária?
Não foi apenas para satisfazer vontade partidária, não fui eu que pedi para ser candidato, mas cargo majoritário a pessoa nunca pede, cargo majoritário vai sendo decidido por consenso, é diferente de um cargo proporcional: “Quero ser deputado”, aí ele vai lá e pleiteia uma legenda dentro do partido. É claro que eu quis ser candidato e, no momento em que me convidaram, aceitei com muita honra e com prazer, estou na campanha com alegria, com satisfação e então me sinto preparado para representar a bandeira do PV junto ao povo paulista.
 
O senhor enfrenta ao menos três grandes adversários: Geraldo Alckmin, que é o atual governador; Paulo Skaf, presidente da Fiesp, maior federação de indústrias do Brasil, e Alexandre Padilha, candidato apoiado pela presidente Dilma. Dá para vencê-los?
Esses três candidatos representam partidos grandes, que já estão no poder há décadas e que levaram a democracia brasileira à situação que ela chegou. Quem levou o Brasil para essa situação do ponto de vista legal, do ponto de vista ético, das necessidades do povo, da falta de saúde, de educação precária e de um transporte coletivo colapsado foram exatamente esses três partidos. O PV nunca foi governo majoritário. E representamos um partido que é absolutamente “ficha limpa”, sem nenhum problema de ordem moral em sua história e com condições que são absolutamente enquadradas com as necessidades desse século XXI. Se soubermos transmitir à população o que o partido pretende, poderemos surpreender, então, não tenho medo dos adversários.

Entre suas propostas está o aumento de investimentos feitos pelo Estado no SUS. Quanto do orçamento pretende investir na saúde? E de onde virão os recursos?
Trabalho com saúde desde 1970. Ocupei vários cargos como secretário municipal de Saúde, presidente do Conselho Nacional de Secretários. Sou médico, opero meus pacientes, sou voluntário médico em uma igreja na Zona Leste, na periferia, há 38 anos, operei 17 mil seres humanos com as minhas mãos. Fico triste porque ajudei a construir o SUS, ajudei a formular até a constituição de 1988, quando aprovou o SUS, e o programa está combalido. Veja o exemplo da Santa Casa de Franca, que está sempre correndo atrás do prejuízo. O SUS tem um problema gravíssimo que é dinheiro, a Santa Casa daqui gasta R$100 por leito e recebe R$60, ninguém consegue viver assim. Como o governo federal é o grande responsável por isso, porque o repasse para o SUS não é revisado há 10 anos, pretendo, caso assuma, aumentar de 12 para 15% o dinheiro do tesouro estadual, isso daria em 4 anos 5,6 bilhões de reais para melhorar a atenção básica, em convênio com as prefeituras, e aumentar de 37 para 60% a cobertura para o programa de saúde da família do estado de São Paulo. Isso nós vamos fazer, já sabemos de onde tirar o dinheiro. Pretendemos fazer um choque de administração e reduzir as secretarias de estado de 24 para 16 e isso enxugaria a máquina, isso é economia. 

O senhor defende o investimento maciço na atenção básica e prevenção. Mas o que vivemos em Franca é a falta de leitos de UTI. Como resolver essa carência?
Parte dos recursos investidos no atendimento básico evita o uso de leitos em UTIs. Se você tem um diabético ou um hipertenso controlado na UBS, ele não vai para um quadro mais grave de hipertensão. Agora é claro que nós temos que ampliar as ajudas às Santas Casas e aberturas de leitos de UTI estão dentro dessa ajuda. Eu não posso dizer aqui, pois seria enganar o espectador, “que o governo do estado salvará o SUS”, porque quem tem que colocar o grosso do dinheiro no SUS é o governo federal e aí o governador do estado não pode dar uma de bonzinho, tem que bater na mesa e exigir que o governo federal reajuste a tabela SUS. 

O senhor é um defensor da disseminação dos métodos contraceptivos, inclusive os definitivos, como forma de planejamento familiar. Qual sua opinião sobre o aborto? É a favor da descriminalização da prática no Brasil?
Sou médico em exercício e sou a favor da vida, sou a favor da preservação da vida, porém no Brasil deve haver uma grande política pública para planejamento familiar, para evitar gravidez indesejada. Educação sexual, principalmente para os jovens, precisa ser bem feita. E se o PV chegar ao poder vai fazer uma campanha massiva, para que as pessoas conheçam a educação sexual. Não é errado, não é pecado fazer isso, depende de como você faz. No Brasil, há 1 milhão de abortos todos os anos, sou contra a criminalização dessas mulheres. Acho que pessoas que chegam a isso estão em umas situação sem saída e eu não considero essas pessoas criminosas.
 
 Na educação, uma das suas propostas é a ampliação do ensino integral para o ensino médio. Como deve funcionar esse sistema de ensino?
Pela experiência que eu acompanhei em São Paulo, que se chamava “Clube Escola”, o aluno saía da aula, almoçava na escola e depois a escola o levava para atividades esportivas, atividades culturais, cursos artísticos, educação ambiental, e pode haver recuperação, aulas complementares, etc. Se você amplia, você tira essa juventude das coisas que não se devem fazer. Você dá ocupação, cultura, melhora o nível educacional e ao mesmo tempo, protege essas pessoas, já que o pai e a mãe estão trabalhando e eles ficam soltos nas ruas. 
 
Qual sua opinião sobre a progressão continuada? Pretende manter o sistema?
Acho que deve haver um meio termo, nem deve haver uma única prova, porque quando um aluno chegava no dia e não estava bem e perdia o ano, isso também é injusto, tirava uma nota baixa e “pimba”, perdia o ano, porque a prova é um dia. Então acho que deve ter uma coisa um pouco misturada, tem que ter uma avaliação, mas avaliação mesmo, avaliação de verdade, não é fingir, não é o professor se sentir ameaçado por um aluno maiorzinho que ameace ele e o professor avalia de uma forma errada, não o conselho de classe pressionando o professor para passar todo mundo, porque o conselho de classe às vezes faz isso, por pressão. Tem que ter uma avaliação continuada, sim, sou favorável e ao mesmo tempo defendo que deva ter avaliações pontuais, pode chamar de prova do que você quiser, pontuais para que a somatória entre essas duas coisas façam o aluno caminhar ou não. O que não pode é um jovem sair da oitava série sem saber ler nem escrever, isso é que não pode, isso é que o governador não pode deixar, é dever do governo que o aluno não saia do oitavo ano analfabeto funcional, aí não dá. Qualquer bom senso não vai concordar com isso. Mas o problema é que isso tem acontecido, inclusive no glorioso estado de São Paulo, onde a educação tem problemas.
 
O senhor defende a manutenção de uma política de premiação dos professores. É o melhor caminho para melhorar a qualidade dos professores e, consequentemente, da educação?
Não é. O melhor caminho é uma política de cargos e carreira que faça o professor se sentir bem, que ele trabalhe em uma escola só, que ele seja concursado e tenha garantido o emprego, para que ele não possa ser ameaçado de demissão a qualquer momento porque está contratado precariamente, isso sim é política de recursos humanos. A premiação é uma coisa a mais, não é o principal, é uma coisa a mais, pra que eles se esforcem mais. Na minha profissão de médico tem aqueles que se esforçam, se dedicam, independente do salário que ele ganham, e tem aqueles que ganham bastante e não (se dedicam tanto), então a premiação é para que eles se dediquem de uma forma a mais..., mas não é o principal, o principal é a política de carreira. Estamos estudando, avaliando, acho que tem que mudar uma série de coisas, temos conversado com muita gente que tem muita opinião diferente. Isso é uma questão de bom senso, aplicar aquilo que seja factível e ao mesmo tempo fazer o processo avançar.
 
O senhor também defende a disseminação da microinformática nas unidades de ensino estaduais. Como pretende fazer essa disseminação? Quanto custaria essa implantação e de onde viriam os recursos?
O custo exato a gente não sabe, mas é uma coisa factível, desde que você tenha prioridade para fazer. Escola sem informática é brincadeira, hoje todos nós temos nossos celulares, o aluno mesmo vai para aula pega o celular e fica olhando as coisas na internet, então nós temos que ter não só uma preparação para a pessoa aprender a manusear a informática, como também o material, laboratório, equipamentos de informática para os alunos estudarem. Acho que qualquer um que governe com essa possibilidade teria essa postura.
 
Em que pese isso, o senso escolar de 2013 mostrou que nas escolas de São Paulo apenas 12,5% contam com bibliotecas com um livro por aluno. Se faltam livros, como que as escolas vão ser equipadas com computador?
Comprando livros e comprando computadores (risos). Acho que tem que cumprir a função que o estado tem. Se não tem livro tem que comprar 
 
E de onde virão esses recursos? Porque parece uma coisa tão óbvia, mas só 12,5% das escolas contam com “um livro por aluno”.
Os recursos virão do orçamento do Estado. É questão de prioridade, quer dizer, se você enxuga a máquina, estanca o desperdício; se você estanca a roubalheira, você arruma dinheiro para comprar livro. Você pode ter certeza disso, é questão de maneira de governar e tem recurso. São Paulo, tem quase 200 bilhões de reais de orçamento, tem muita verba também do ministério que você pode buscar e você pode fazer parcerias. Agora, o que não pode é faltar livro nas escolas, nem faltar computador. A implantação dos computadores é progressiva, você não vai do dia pra noite colocar computador em todas as escolas ao mesmo tempo. Você vai num processo, mas precisa fazer. Isso tem que ser feito, mesmo porque muitos livros hoje estão nos computadores e tendo o computador você lê o livro. Eu mesmo até leio livros (no computador), não é tão gostoso como pegar o livro na mão, mas é possível você ler obras clássicas que estão na internet. Então se você tiver o computador é meio caminho andado pro aluno entrar na internet e ler o livro, é possível fazer isso. É uma questão de gestão. É possível fazer, tenho certeza que é possível. 
 
Uma de suas propostas é a reforma penitenciária, quais são as bases dessa reforma e como o senhor pretende implementá-la?
Os poderes executivo e judiciário têm que trabalhar juntos para modernizar a maneira como você faz a avaliação dos processos. Tem muita gente que tá lá, mas que podia estar fora. E, claro, tem ainda, por exemplo, a questão do trabalho. O coronel José Vicente, que é um exímio especialista em saúde pública, um homem de bem, digno e conhecedor, diz que é muito difícil fazer o preso trabalhar. Talvez seja, mas talvez o tipo de serviço que se ofereça para o preso não seja o adequado. Sou favorável a que as pessoas que estão presas trabalhem. Acho que o trabalho recupera e dignifica a pessoa, ajuda na recuperação. Nossas propostas têm que humanizar o processo. Além de tudo isso, é necessário que o governo tome os celulares dos chefes do crime organizado que comandam as suas quadrilhas de dentro dos presídios. Como é que você pode ter moral para conversar com o sistema penitenciário se o sujeito de dentro comanda toda a arruaça lá na grande São Paulo através de celular? Então moralização do processo, combate à corrupção. É inadmissível que um preso de alta periculosidade dentro da cadeia se comunique pra fora com sua quadrilha por um celular. O governador tem que tomar esse celular. O governo tem que tomar. Não é possível que essa pessoa tenha mais força do que o governo do estado de São Paulo e o que a gente vê é isso. Essas coisas na segurança pública parecem uma coisa pequena, mas se a gente não começar a agir nisso, nunca vamos conseguir dominar a criminalidade. Franca e região vão estar a mercê do crime, porque o criminoso transita como um grande empresário, só que com a metralhadora na mão matando gente.
 
Candidato, o senhor também fala em maior integração entre as polícias Militar e Civil. Como se daria essa integração?
Quem é o comandante da Polícia Militar do Estado de São Paulo? O governador do Estado. Quem é o comandante da Polícia Civil do Estado de São Paulo? O governador do Estado. São duas pessoas? Não! Ele é uma pessoa só e ele tem que comandar os seus comandados: “Quero vocês trabalhando juntos, nada de um ficar dando tiro no outro”. Não vou admitir isso, nem ficar desmoralizando e jogando, por exemplo, pede a viatura da PM e deixa três horas esperando. Isso nós não vamos admitir. Tem que ter uma integração, nós não vamos integrar do ponto de vista jurídico, porque isso depende de Brasília, mas sou favorável a que o governo de São Paulo jogue todo seu peso político para ter uma integração de polícia no Brasil, uma integração verdadeira, constitucional. Enquanto isso não vem, tem que ter um comando único pra funcionar, porque o que a gente vê é uma disputa infeliz. E aí o dinheiro é gasto de duas maneiras para fazer a mesma coisa. Já vi casos de um solapando o outro, atrapalhando pro outro não acertar. Não precisa disso, o crime é um só, as polícias têm que agir. O nosso programa tem quatro “Is”: Integração, Integridade, Impacto e Inteligência. Integração eu já falei. Inteligência: temos que ser mais inteligentes do que o crime, não pode um estado como São Paulo viver a reboque das astúcias dos bandidos. Investimento pra você fazer prevenção. Integridade é o seguinte, um investigador de policia ganha 3 ou 4 mil reais, ele chega em uma delegacia com uma BMW de 300 mil reais, tem alguma coisa errada, ou ele ganhou uma herança ou ganhou na loteria ou de onde saiu? Não podemos admitir níveis de corrupção muitas vezes insuportáveis. Tem muito policial - a maioria é gente que trabalha decente e se dedica - mas você sabe como é, né? Quando a coisa se confunde, atrapalha todo mundo. E Impacto é o seguinte, é você agir realmente por impacto, porque o crime age por impacto quando ele quer infernizar as grandes cidades. Ele planeja o impacto e faz uma coisa de forma organizada, que a população fica até dentro de casa. O Estado também tem que agir dessa maneira.
 
Uma medida do governo estadual que vem sendo muito criticada é centralização do serviço 190. A pessoa liga de Franca, por exemplo, e cai em Ribeirão Preto para fazer o atendimento. O que o senhor pensa sobre essa medida? E se eleito o senhor pretende mantê-la?
Está no nosso plano de governo a descentralização. O governo está presente mais nas regiões e menos em São Paulo. Isso está no nosso plano de governo, estamos detalhando isso e acho que qualquer centralização não é boa. Então, essa questão do 190 eu sei que está maltratando muito a população daqui, porque foi pra Ribeirão a central e vocês ficaram aqui, dependendo de lá. Acho que provavelmente a alegação deve ser por uma medida de economia, mas o que vai economizar isso num mundo tão grande como o estado de São Paulo? Eu não faria qualquer centralização, somos a favor da descentralização. 
 
Sobre a falta de água no Estado de São Paulo, de quem é a culpa? E o senhor concorda com a proposta do governado Alckmin de sobretaxar aqueles consumidores que abusarem do consumo?
Ao invés de procurar a culpa estou preocupado em procurar a solução, porque existem várias situações. Os governos não acreditaram nas mudanças do clima, não acreditaram na crise ambiental que está aí. A crise da água é consequência de uma crise ambiental pelas mudanças do clima. As estiagens vão se repetir e agora estão os cientistas dizendo que não deve chover tanto em dezembro, janeiro, fevereiro e março, mas os governos não acreditaram nisso e não tomaram as medidas. São medidas como aumentar a captação de reservatórios. Segundo, tem que usar a água de forma racional, ampliar o reuso da água. Não é pra usar e jogar fora a água. Em São Paulo todas as ruas são lavadas com água de reuso. Foram bilhões de litros de água economizados nesses últimos 10 anos, com uma lei aprovada na Câmara de minha autoria.
 
Que avaliação o senhor faz da gestão Alckmin?
Conheço o governador Alckmin desde que ele era interno de medicina e eu era residente. Com toda a franqueza, sou candidato do PV, mas não posso apontar o dedo na cara do Geraldo e falar que ele é desonesto. Ele é uma pessoa decente. O problema do governador Geraldo é que ele está há muito tempo no governo, tem um certo cansaço nas propostas, tem um certo esgotamento das propostas. Agora ele está bem nas pesquisas, ele tem uma consideração do povo paulista, mas a campanha não começou ainda. A campanha não vai ser esse passeio todo que estamos agora. Teve alguns problemas morais do governo, mas não acho que ele está metido, mas ele também não teve a energia suficiente para manter o governo sem que tenha aparecido de uma certa frouxidão moral.
 
Existe um plano de desenvolvimento sustentável e de proteção à reserva de águas do nosso Aquífero Guarani?
Infelizmente, o Aquífero Guarani está um pouco a Deus dará, aliás a questão ambiental no Estado de São Paulo e também no Brasil sempre é um dos últimos pontos de pauta dos governantes. Aí vem a nossa diferença do PV com os demais partidos e as demais propostas. Para o PV o desenvolvimento econômico é necessário, salário, emprego, renda a gente está preocupado com isso, as pessoas têm que viver o desenvolvimento social também, é importante, o fim da miséria, a diminuição da pobreza, a justiça social, mas tem uma vírgula que o PV põe nisso que os outros partidos não colocam com respeito à natureza e com respeito à vida; a vida dos animais e a vida humana e a vida dos outros seres vivos, a biodiversidade, isso é para nós questão de honra. A diferença nossa para os outros partidos é que nós não queremos um desenvolvimento econômico, nós não queremos ganhar muito dinheiro destruindo a nossa casa, que é o planeta Terra, então tem que fazer um casado entre o progresso, entre a qualidade de vida e o bem viver das pessoas e a proteção à natureza e isso infelizmente não tem sido feito pelos governos. O Partido Verde quer ir ao governo de São Paulo mostrar que é possível fazermos essa combinação e essa combinação pode dar certo. Não é atrasar o progresso, não é as pessoas ficarem lá sem ter a tecnologia, ao contrário, usar a tecnologia para proteger a natureza. Temos planos de recuperar os cursos da água no Estado, o plantio de mata ciliar. São Paulo deixa de tratar 50% do seu esgoto, essa cidade aqui Franca trata 100% do esgoto, parabéns para Franca! Agora o resto do Estado de São Paulo é produzido 100 e é tratado 50%, o restante do esgoto é jogado nos rios, isso não tem cabimento. Temos um programa sério de energia eólica ou de energia fotovoltaica ou de energia solar para aquecer água no Estado de São Paulo. Essa região aqui de Franca é a região que mais venta no Estado, é propícia para desenvolver um projeto de energia eólica, produzir energia elétrica a partir do vento. São Paulo não tem programa de energia eólica, não tem programa de energia solar, então o PV está vindo aí pra isso, para que possa colocar essas modernidades na mesa do tabuleiro político, discutir com os empresários, por exemplo, por que a gente não transforma todo o bagaço de cana em energia? É possível. Da chamada energia de biomassa se aproveitam menos de 30%, então nós temos estas propostas estudadas direitinho, sem correria, sem atropelo, conversando com as pessoas sem impor nada pra ninguém, porque tanto pobre quanto rico querem continuar vivendo no planeta, querem continuar vivendo no Estado de São Paulo, mas do jeito que nós estamos indo... Uma pesquisa publicada há alguns dias mostra que nos próximos quinze anos vão morrer 256 mil paulistas devido diretamente à poluição dos carros. Por que nós não temos um programa de implantação de trens de verdade no Estado entre as cidades e intercidades? Essa cidade cabe um trem, não emite gás carbônico, não aquece o ar, nem pega o pulmão da gente nem o coração. É transporte limpo. Nós do PV temos estas alternativas e estas propostas que os outros partidos não têm. Infelizmente é aquele desenvolvimento tradicional que vai indo, vai indo, vai produzindo, vai dando... só que vai destruindo. Deixa aquele rastro de destruição atrás.
 
O que pode ser feito para termos um trânsito mais humano? E quais são suas principais propostas para a mobilidade urbana?
A prioridade 1 do PV no governo é transporte sobre trilhos. Não somos contra o carro, mas não podemos ser escravos do carro. Pergunto pra vocês porque não tem um trem entre São Paulo e a região de Campinas? Pra Baixada Santista, Sorocaba? Aqui na região você pode imaginar um processo de implantação de linhas para ligar as cidades. Mobilidade urbana pra nós é transporte sobre trilho. A bicicleta também tem seu lugar, se tiver uma ciclovia boa. São Paulo, por exemplo, tem 500 mil pessoas que vão e voltam do trabalho todo dia de bicicleta sem nenhuma estrutura, se puser estrutura vai passar pra um milhão. 
 
Candidato o senhor foi responsável pela criação da coordenadoria da diversidade social em São Paulo. O senhor é a favor da adoção de crianças por casais do mesmo sexo?
Esse problema da diversidade sexual nós temos que tratar com a maior naturalidade. Qualquer exagero aí está errado porque a questão existe. Não podemos tratar isso como uma coisa não pode, esconde, fecha, quebra, bate, de jeito nenhum. Mas não podemos tratar isso como fetiche como quem diz “nossa, o moderno agora é homem namorar homem e mulher namorar mulher”. Então eu criei a coordenadoria da diversidade. Houve um grupo de vereadores que achou que o mundo ia cair, caiu nada. Não caiu nada e está lá funcionando.

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