São de dois tipos os erros que podemos cometer: por ação e por omissão. Erramos por ação, quando, tentando atingir determinado fim, falhamos quanto ao resultado que, qualquer que seja a sua natureza, vem diferente do objetivo colimado. E podemos errar por omissão, quando, propositadamente, decidimos não agir ante situações que nos requerem ação.
Um exemplo é quando vemos alguém caído na via pública e lhe omitimos socorro, sob a inescusável decisão de que ‘não somos responsáveis pelo problema’.
Viver em sociedade é ser, legal e moralmente, solidário. Individual ou socialmente, pública ou particularmente, temos a obrigação da assistência, ao vermos alguém enfrentando dificuldade constrangedora (doença, carência afetiva ou material).
Sabemos que cabe ao Estado a assistência aos reconhecidamente necessitados, mas, na falta do constitucional socorro dos órgãos públicos, é a nós que cabe proporcionar a solução confortadora.
É comum, todavia, preferirmos a omissão, sob a injustificável alegação de que ‘isso não é comigo, é problema dele’. O Mestre excelso iniciou a oração dominical dizendo: ‘Pai nosso’. Quer dizer, todos somos irmãos, filhos do mesmo Pai. Não é o sangue que nos irmana, mas a filiação divina, ou estaríamos primando pelo testemunho da vileza do temido mandatário da Judeia, na sua célebre omissão quanto ao julgamento de Jesus. Pilatos, ao recebê-lo, conduzido pelos sacerdotes Anás e Caifás, para ouvir a última palavra de juízo condenatório, não viu culpa no acusado. Sabia-o inocente e vítima da intriga dos fariseus. Sua esposa, Cláudia Prócula, tivera um sonho no qual foi-lhe revelada a inocência do ‘Cordeiro’. Seu marido, porém, raciocinando em termos de comprometimento perante o Sinédrio, preferiu tomar a atitude de ‘lavar as mãos’, gesto que ficou para a história, fazendo-o grave devedor perante as supremas leis. Quantos de nós nos comprometemos diante do tribunal da consciência!
Felipe Salomão, Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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