Tragédia mundial


| Tempo de leitura: 2 min
Não é apenas no Brasil que a prevenção é negligenciada. Assim como aqui, quando se busca curar a doença e não impedir a sua incidência, o surto do vírus Ebola em alguns países da África (como Serra Leoa e Libéria) só se tornou preocupante depois da morte de centenas de pessoas, que agora já superam o milhar. A morte de médicos e missionários que trabalhavam no tratamento dos doentes tornou-se o mote para que a OMS (Organização Mundial de Saúde) se movimentasse. Até pouco tempo atrás, apenas a organização humanitária MSF (Médicos Sem Fronteiras) vinha alertando para o perigo do alastramento da infecção para países vizinhos.
 
Hoje a preocupação já é mundial, com o envolvimento de governos da Europa e dos Estados Unidos. Surgiu até um medicamento, ainda em fase experimental e que não havia sido testado em seres humanos, enviado para Serra Leoa, onde alguns pacientes serão escolhidos para cobaias. Se não for eficaz, mais mortes serão inevitáveis e as autoridades sanitárias da África e da OMS terão que correr contra o tempo para evitar que a epidemia se alastre. Caso isso aconteça, será um desastre: o vírus Ebola é transmitido por mucosas (boca, nariz e olhos) ou feridas na pele em contato direto com sangue, tecidos, fluidos corporais ou secreções (fezes, urina, saliva, sêmen) de pessoas infectadas.
 
A transmissão também pode ocorrer pelo contato com animais (mamíferos como chimpanzés, porcos-espinhos, morcegos ou antílopes) ou objetos contaminados, como roupas pessoais, roupas de cama, agulhas usadas por pacientes. O contágio pelo vírus, portanto, não ocorre pela água, por alimentos ou pelo ar. Dado o alto risco de transmissão, pessoas que morreram por Ebola devem ser manipuladas apenas por quem esteja usando roupas de proteção e luvas. O corpo deve ser enterrado imediatamente. Por isso é que os países têm redobrado a atenção nos portos e aeroportos, monitorando uma possível infecção para que a doença não se espalhe indiscriminadamente.
 
Assim como todas as outras grandes epidemias -- dengue, gripe suína e aids, só para citar algumas --, nunca se dá grande atenção à prevenção. Tratar o doente fica muito mais caro, mas é o caminho que todos utilizam. Assim foi com a Aids, negligenciada a princípio; depois, quando o número de vítimas passou a crescer assustadoramente, houve uma corrida contra o tempo e se chegou a um tratamento eficaz que garante uma sobrevida ao soropositivo. E em todos os casos, só um número expressivo de vítimas fatais provoca preocupação maior das autoridades.
 
Enquanto os institutos científicos (aqui no Brasil e países com baixo desenvolvimento) que trabalham no desenvolvimento de novas drogas e no estudo de novas doenças não receberem estímulos e investimentos, dificilmente o mundo fará frente a qualquer tipo de epidemia que possa surgir no futuro. Buscar alternativas para se evitar o alastramento de vírus como o Ebola é indispensável, neutralizando a necessidade de milhares de mortes para que todos se mobilizem contra um surto que é potencialmente letal.
 
 
email opiniao@comerciodafranca.com.br
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários