Há verdades, e ‘verdades’


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Você sabe o que fazem os marqueteiros políticos? São estrategistas que identificam e utilizam espaços que possam beneficiar a candidatura de quem os contrata. E aí, vale olhar de lince ou de raposa. A mitologia grega, no caso do lince, diz que tem quem enxergue até no escuro. Quanto à raposa, alguns deles lançam mão do que julgarem necessário, mesmo não ético. “Falem bem ou mal, mas falem de meu candidato’. Sabem o que fazem. O que tem de gente que se coloca ao lados de ‘coitadinhos’ na hora de votar, não está escrito. 
 
As eleições brasileiras são pródigas em casos, ‘cases’, como eles dizem. Em um resumo rápido, podemos lembrar de dossiês, teatros armados, transcrições de textos publicados no exterior e versionados de acordo com a tendência partidária de quem versiona. Quase sempre se conta com a incapacidade do internauta em apurar para saber se há verdade no que está disponível. A Internet, você sabe, não tem regras. A maioria dos que vão à blogosfera em busca de informações aceita tacitamente como verdade, o que encontra. Então, multiplica, empenhando a credibilidade pessoal para ‘garantir’. Marqueteiros profissionais se deliciam. Usam esse jeito descuidado dos cidadãos — mesmo os de bem — para ‘fabricar verdades’ e estimular debates que lhes interessam.
 
As editorias de opinião dos grandes jornais e revistas são uníssonas: há incontáveis sem coragem para assumir o que escrevem. Optam por pseudônimos, iniciais do nome ou anonimato absoluto. Não há como checar se o que dizem, vale. Marqueteiros também se utilizam dessa possibilidade. Há contratados, e até voluntários, postando, com finalidade única de confundir e manter debates vivos. Cá neste Comércio, como editor de Opinião, diariamente recebo centenas de postagens, grande parte, anônimas. O internauta não cumpre as regras de enviar informações que permitam serem encontrados. Anônimas, mando tudo para o ‘6º Arquivo’ — por favor, leia com ‘c’, cesto, lixo. Tenho ferramentas que permitem identificar máquinas que originam os comentários. Em algumas oportunidades, vou mais fundo, dependendo do assunto. Desde quando começamos a série de Sabatinas Políticas deste ano — espaços editoriais valiosíssimos que oferecemos aos candidatos a deputado com base em Franca, e candidatos ao governo do Estado —, apurei o olhar a 
IPs das máquinas geradoras. Como era esperado, aumentou muito o número de postagens originados pelas mesmas máquinas, mas assinadas com nomes diferentes. Há até computadores de órgãos públicos, utilizados, claro, por funcionários em horário de trabalho pago por nós que recolhemos impostos, visando estabilizar algumas candidaturas em detrimento de outras. Boa argumentação, o autor ‘existe’ e pode ser responsabilizado pelo que escreve, publico. Não há, da parte desta casa, qualquer restrição, mesmo que discorde de nós, ou de nosso trabalho. 
 
Há muito mais a dizer, mas o espaço é pouco. Resumo. À exceção de fontes absolutamente confiáveis, não acredite na Internet. Tenho falado sobre fontes de informação a convite de entidades de classe, filantrópicas, escolares, clubes de serviços. Percebo o olhar de espanto de gente bem posta na vida pessoal e profissional quando ‘desmonto cases’ do tipo, junto deles. Formadores de opinião têm que ter olhar crítico, mas, essencialmente, têm que ser menos crentes e muito, muito cuidadosos. A responsabilidade deles junto à população, aconselhando e ajudando pessoas a apurar o olhar e a audição, é essencial ao país melhor e mais justo que precisamos construir. Quanto a marqueteiros políticos, não tenham dúvida: são a extensão, para o bem ou para mal, de quem os contrata. Há candidatos seríssimos, comprometidos com as pessoas, com as necessidades de mudanças que todos não podemos mais abrir mão de implementar, pés no chão, arredios a sonhos impraticáveis. E há candidatos...
 
 
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br
 
 

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