As canções populares nacionais ganham um enfoque diferente na noite deste domingo. No palco do Sesi, a Orquestra Sinfônica de Franca (OSF) promove um encontro entre o erudito de Villa-Lobos e Carlos Gomes ao popular de grandes mestres, como Cartola, Dominguinhos, Baden Powel, Vinícius e Tom. O concerto Alma Brasileira acontecerá com a presença de 80 músicos, contando com convidados especiais. “Teremos a participação da soprano Priscila Cubero, que vem fazendo uma parceria muito boa com a orquestra; do Grupo Cangoma, que vai acrescentar ao espetáculo a beleza das manifestações populares e folclóricas e também contaremos com o Coro Experimental de Franca, que vem apresentando um trabalho muito bom”, disse o maestro e idealizador, Nazir Bittar.
Durante o ensaio na última quinta-feira, o som do xote convidava curiosos a deter o passo e ouvir: “Que falta eu sinto de um bem / que falta me faz um xodó / mas como eu não tenho ninguém / eu levo a vida assim, tão só...” Já quem de perto conferia o trabalho do Coro Experimental e Grupo Cangoma, retinha voz, a fim de não atrapalhá-los, enquanto fazia o acompanhamento via movimento labial e compasso de pés. O clima contagiou a tal ponto, que o maestro teve que intervir no momento da canção Berimbau, de Vinícius. “Cuidado com as dancinhas! Se virar para o lado o som não chega bem ao público”, disse Nazir já quase sem fôlego.
A mistura ficou ainda mais quente com a participação do Cangoma, que promete até show de maracatu em pequeno solo, amanhã. “Tem sido uma experiência musical nova para nós. É diferente ouvir o violino ao lado do xequerê. Juntar o erudito ao folclórico foi surpreendente!”, disse Pedro Fonseca, um dos diretores do Cangoma.
Quem também viu na mistura um trunfo para a arte foi o maestro e diretor artístico do Coro Experimental de Franca, Rafael Andrade. “O resultado tem um tempero brasileiro. Vamos com a vertente erudita da orquestra, com a MPB do coro e os ritmos populares do Cangoma. Vamos mostrar a versatilidade do repertório brasileiro”, disse.
Sobre a iniciativa, Nazir revela ter se inspirado na apreciação do brasileiro por sua própria música. “Morei 11 anos na Alemanha e a música popular não tem lá a força que tem aqui. Ouve-se muito na Europa a música americana enquanto no Brasil, gostamos da nossa música. Não importa se seu gosto é diferente do meu: há quem goste de samba, outros sertanejo, mas todo brasileiro gosta de, pelo menos, um ritmo de seu país e isso é maravilhoso.”
Teatro reformado
O evento também marca a reabertura das atividades do Teatro do Sesi, que desde o fim do ano passado não acolhia um espetáculo. A pausa se deu pelo início das obras de reforma do espaço, que hoje receberá o público em assentos novos e maiores. O local também conta com piso em lugar de carpete, iluminação acoplada ao teto - hoje revestido -, novos equipamentos de luz e som, mesas digitalizadas, 15 novos refletores elipsoidais e aparelho de blu-ray. O investimento no local foi de R$ 150 mil. No último ano, mais de 5 mil pessoas acompanharam as atrações ocorridas na unidade, como peças de teatro, apresentações musicais, mostras de cinema e fotográficas.
Onde assistir
Concerto
Data: 17/08 - domingo
Local: Teatro do Sesi
Horário: às 20h30
Entrada: Os ingressos serão retirados uma hora antes do concerto, no próprio local.
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