Acidente


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O silêncio cumpria sua ronda.
 
No quarto infantil, aguardara pacientemente  até que a menininha embarcasse em trenó e viajasse por mundos encantados.
 
Depois, permanecera longo tempo à cabeceira de uma cama de hospital. Sem ansiedade, ali restou por horas e só arredou pé quando o homem velho se esqueceu do presente e mergulhou em distantes névoas, correndo descalços pés por veredas e pastos, indo, depois, nadar em remansos, ao pé de cachoeiras.
 
Dirigia-se, então, para meu quarto, onde eu o aguardava com ânsia e certeza de diálogo. Ao passar diante de casa de espetáculos, foi atingido por petardo – grito disforme arrancado  de instrumento e lançado pela janela.
 
Acidente.
 
Pobre de mim!
 
O silêncio ficou com o rosto desfigurado.
 
 
Luiz Cruz de Oliveira, professor, escritor, membro da Academia Francana de Letras
 
 
 

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