A corrida eleitoral assume novos ares, com a morte de Eduardo Campos, que se deu de forma trágica em um acidente de avião, anteontem em Santos (litoral de São Paulo). O fato, além de chocar todo o País, inesperado que foi, pode causar um impacto maior ainda na campanha eleitoral para a Presidência da República. Nos últimos meses, o candidato do PSB surgia como uma terceira via à polarização entre o PT (da presidente Dilma Rousseff, que busca a reeleição) e o PSDB (do tucano Aécio Neves). Com Marina Silva de vice, Eduardo Campos vinha apresentando propostas sólidas, principalmente na área da economia, as quais poderiam alavancar a sua candidatura.
Agora, sem Campos, o PSB precisa apresentar um novo candidato. Naturalmente, o posto seria ocupado pela candidata a vice. E isso só não deverá acontecer se a própria Marina Silva não quiser. Ancorada pelos 20 milhões de votos que conseguiu no pleito para a presidência em 2010, a ex-senadora pode muito bem mudar totalmente o quadro que se desenha pelas mais recentes pesquisas de opinião. O alto número de eleitores indecisos e dos que anunciaram que votarão em branco ou anularão o voto, acima de 25%, pode muito bem ser absorvido por Marina.
Enquanto não saírem novas amostragens — o Datafolha deve divulgar uma nos próximos dias, já repercutindo a morte de Eduardo Campos —, os dois principais concorrentes (Dilma e Aécio) vivem um suspense. Mesmo assim, os comandos das campanhas do PT e do PSDB já estão prontos para a entrada de Marina Silva na disputa eleitoral. Nos dois lados, a expectativa é de que nas próximas pesquisas Marina tenha desempenho bem acima do patamar de 8 ou 9% que Campos alcançava — e que a entrada dela embole a corrida.
Petistas e tucanos também avaliam que se Marina embarcar na disputa terão de reformular boa parte da linha dos programas de televisão. Por enquanto, ambos gravaram apenas as primeiras inserções — no caso de Aécio, ainda direcionadas a apresentá-lo ao eleitor; no caso de Dilma, exibir imagens de obras e programas do governo federal. Pelas regras da Justiça Eleitoral, o PSB tem dez dias para indicar um novo candidato. Marina já avisou o partido que não se posicionará até que o corpo de Campos seja enterrado. Segundo lideranças do PSB, a sigla vai aguardá-la: um dirigente do partido avalia sua entrada na disputa como ‘caminho natural’.
Porém, o acerto (que ainda envolve o PPS de Roberto Freire) não deverá ser tão simples quanto parece. Os “marineiros”, que quase inviabilizaram a chapa Eduardo-Marina, vão querer uma relevância maior na campanha, o que a presença do ex-governador de Pernambuco vinha impedindo. E pode afastar financiadores da campanha e até setores que tinham se aproximado de Campos, como as lideranças do agronegócio. Se com Marina o panorama será modificado totalmente, é melhor esperar uma decisão oficial para se saber qual será o real impacto da saída de Eduardo Campos. Tudo o que se falar além disso não passará de mera especulação.
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