Filha acusa Santa Casa de Franca de operar mãe sem avisar a família


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Magda Pandolfo mostra fotos da mãe e boletins sobre o caso
Magda Pandolfo mostra fotos da mãe e boletins sobre o caso
A dona de casa Magda Cândida dos Santos Pandolfo, 28, alega que sua mãe tem enfrentado um calvário na Rede Pública de Saúde de Franca. Há quase dois meses, a aposentada Maria Belmira dos Santos Pandolfo, de 69 anos, está internada na Santa Casa de Franca. A filha se queixa que durante este período sua mãe sofreu uma queda após ser deixada sozinha em uma cadeira no hospital e passou por uma cirurgia sem que a família fosse comunicada antes do procedimento ser realizado. Além disso, ainda segundo a dona de casa, o hospital não deixa que familiares tenham acesso a todos os prontuários da paciente.
 
Com medo que o quadro da mãe se agrave e ela não resista, Magda registrou boletins de ocorrência contra o hospital e procurou ajuda na Defensoria Pública e na 1º Vara Cível da Comarca de Franca. O desejo da filha é que a aposentada seja transferida para o Hospital das Clínicas, em Ribeirão Preto, já que, segundo ela, sua mãe não está bem e a Santa Casa alega que a paciente está em condições de receber alta.
 
Após idas e vindas a hospitais e unidades de emergência, a mãe de Magda foi internada no dia 26 de junho, no Hospital do Coração, encaminhada por um médico do Pronto-Socorro Municipal que constatou insuficiência renal. Com a internação, exames foram solicitados para acompanhar a evolução do caso da aposentada. Ao realizar o primeiro deles, no dia 27 de junho, mais um problema surgiu. De acordo com Magda, sua mãe machucou a cabeça e fraturou uma costela após sofrer uma queda ao ser colocada em um banco sem encosto para fazer um raio-x no próprio hospital. Logo em seguida, a paciente precisou ser transferida para o CTI (Centro de Terapia Intensiva) da Santa Casa. “Pedi para entrar na sala para acompanhar o exame, mas eles não deixaram. Ela tem 69 anos e eu que cuido dela. Eles disseram que iam cuidar dela, só que colocaram minha mãe sozinha em uma cadeira sem encosto e ela caiu e teve que dar três pontos na cabeça, além de fraturar uma costela. Fiz boletim de ocorrência contra o hospital”, disse Magda.
 
Sem informação 
Após a transferência, Magda relata que passou a ir todos os dias até a Santa Casa em dois períodos, de manhã, para ter acesso ao boletim médico e, à noite, nos horários de visita. Na segunda, 30 de junho, fez o de sempre, mas se assustou ao saber de um grupo de médicos que sua mãe tinha acabado de passar por uma cirurgia.
 
“Cheguei e eles estavam todos reunidos me esperando. Até pensei que minha mãe tinha morrido, mas disseram que não e que fazia dez minutos que ela tinha saído do centro cirúrgico. Assustei porque ninguém me ligou para pelo menos informar que minha mãe ia ser operada ou pedir autorização. Uns falam que tiraram um nódulo dela e foi feita uma biópsia. Outros falam que foi uma carne esponjosa. O cirurgião disse que não tinha tirado nada dela, só que depois de dois dias ele voltou dizendo que tinha se enganado de paciente.”
 
Um mês após a realização da cirurgia e sem acesso à biopsia ou a um diagnóstico que comprovasse a necessidade do procedimento, Magda procurou a Defensoria Pública que encaminhou um ofício à Santa Casa solicitando que o prontuário da paciente fosse entregue à sua filha. A 1ª Vara Cível também se manifestou solicitando a entrega dos prontuários. Tudo em vão.
 
Enquanto isso, a aposentada continua, de acordo com sua filha, sentido fortes dores, passando mal com frequência e com o corte da cirurgia inflamado. Mesmo assim, a Santa Casa já concedeu quatro altas à paciente, mas Magda se recusou a assinar alegando que sua mãe não tem condições de voltar para casa. “Preciso de ajuda para transferir para o Hospital das Clínicas de Ribeirão. Nem água para no estômago dela mais. Minha mãe comia normal, vivia normal e não tem mais vida.” 
 
Outro lado
A assessoria da Santa Casa se limitou a responder que a cirurgia “foi em função de abdômen agudo obstrutivo” e que “a paciente é diabética e arteriopata”. A respeito do atual quadro de saúde da mulher, a informação é que ela está “clinicamente estável; possui ferida cirúrgica em processo de cicatrização e encontra-se em condições de acolhimento domiciliar”.

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