A inadimplência existente no setor comercial de Franca atingiu, neste primeiro semestre do ano, mais de R$ 88 milhões. O valor corresponde ao total de dívidas acumuladas no período de cinco anos e que deixaram de ser recebidas pelos comerciantes locais. Comparado ao montante registrado até a primeira metade de 2013, o volume mais que triplicou no intervalo de um ano. Até junho do ano passado, essa quantia de contas em atraso era de R$ 24,5 milhões.
Os números apresentados fazem parte de um levantamento divulgado pela Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) com base em dados do SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito). No total, são 132.950 dívidas contraídas e não saldadas de 66,5 mil consumidores, o que corresponde a uma média de dois débitos por pessoa. Dividido o valor entre os inadimplentes, é como se cada um devesse R$ 13,3 mil. Anteriormente, o SCPC registrava 45,4 mil nomes e 96 mil dívidas atrasadas na cidade. Uma diferença de praticamente 50% entre um ano e outro.
Segundo o professor de economia e administração financeira da Unifran (Universidade de Franca) e diretor administrativo do Sicoob Cred-Acif, Donizeti Tridico, o alto crescimento da inadimplência demonstra que os consumidores contraíram dívidas maiores, referentes a bens duráveis. “São dívidas com valores altos, provavelmente originadas pela compra de um carro, de uma casa ou empréstimos e que não conseguiram serem pagas devido ao reajuste nos preços da alimentação. Isso, ao mesmo tempo em que o salário permaneceu sem ganho real”, explicou.
Ainda de acordo com o especialista, as festividades da Copa e a grande oferta de créditos em anos anteriores também contribuíram para essa distorção no orçamento. “Há cerca de cinco anos, a oferta de crédito foi grande com a concessão de longos prazos. Acontece que agora, o consumidor gastou mais e não conseguiu pagar a dívida contraída anteriormente”, explicou.
Para o presidente da Acif, José Alexandre Carmo Jorge, o cenário é preocupante pois “os números aumentam a cada dia” frente ao crescimento do desemprego. “Sempre há a expectativa de melhora neste cenário que se reflete em todo o País. Esperamos que o segundo semestre do ano seja melhor, que haja redução da inflação e que o 13º salário seja investido no comércio”, disse.
Na avaliação do professor Tridico, a situação pode melhorar se haver um planejamento de longo prazo e a injeção do 13º a partir de novembro. “O setor comercial tem sentido a queda nas vendas. Esse dinheiro faz falta na economia e a consequência é grave, pois inibe o consumo. Com o pagamento do décimo terceiro, a expectativa é de melhora, pois pode haver um aquecimento na economia”.

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